O Prato Principal da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV) se notabilizou por, mensalmente, trazer convidados destacados como palestrantes para o tradicional evento.
Um detalhe dessas participações é que, nem sempre, o tema abordado representa euforia ou satisfação. Pautas espinhosas e atuais também fazem parte do cardápio do encontro organizado pela ACI.
O Prato Principal de agosto de 2021 se enquadra nesta categoria de indigesto.
Nesta quinta-feira (26), a palestrante foi a secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira. O evento ocorreu no formato híbrido: com presença de púbico na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo e também com a transmissão pelo YouTube.
No evento – com o
patrocínio de Sicredi Pioneira RS e Laboratório Fleming e o apoio master de
Universidade Feevale – Raquel enfatizou que a rede pública de educação está
distante da realidade e é preciso reduzir a desigualdade entre estudantes
das escolas públicas e privadas, começando pela recuperação de defasagem
acentuada pela pandemia.
Embora indigesta, a pauta é fundamental pois ela diz respeito ao futuro do Rio Grande do Sul. “Após um ano e
meio de escolas fechadas, não há mais tempo a perder. A pandemia agravou a
defasagem de aprendizagem no RS, que em 14 anos (2007-2021) caiu da 3ª para a
15ª posição no ranking da educação pública no país”, alertou a titular da Secretaria Estadual da Educação (Seduc), que começou seu trabalho em abril deste ano em substituição ao ex-secretário e atual deputado estadual Faisal Karam (PSDB).
Essa queda acentuada causou impacto em muitos participantes. É um atestado de quanto às novas gerações estão tendo dificuldades em aprender, e de como isso impactará na geração de empregos e na capacidade de se ter mão de obra qualificada no Estado.
Conforme a secretária,
não há receita mágica para superar os problemas da educação no RS e o combate à
desigualdade é tarefa que todos têm que assumir, pois a situação atual da
educação indica como será o país em 20 anos. As ações na área da educação
envolvem, além da equipe da Seduc, professores, diretores e coordenadores
regionais. 4 mil novos professores estão sendo contratados e receberão formação
especial para a educação digital, que é uma das apostas do plano estratégico do
governo estadual.
ALERTAS
Entre os alertas feitos pela secretária, dois mostraram o quanto toda a sociedade é responsável em buscar soluções para esse tremendo desafio. Raquel Teixeira apontou que existe um isolamento da vida acadêmica em relação ao chão da escola. “O ambiente público não é conhecido na própria universidade”, salientou, apontando que os projetos e os programas estruturados precisam estar alinhados com a vida real, as dificuldades e as limitações da escola pública.
Outra situação relatada pela secretária envolve a comunidade escolar de colégios particulares. Segundo ela, as famílias precisam compreender que devem se preocupar com todo o cenário, já que as crianças não vivem em ilhas ou isoladas em escolas privadas. Existe toda uma convivência comunitária. “Para avançarmos e melhorarmos, precisamos de educação boa para todos”, apontou.
Raquel lembrou que existe uma grade desigualdade educacional entre as escolas públicas e privadas no RS. E, mesmo nas escolas públicas, esta desigualdade está presente.
A secretária foi questionada pelo Portal Martin Behrend de onde viria esta reação na educação, já que professores estão sem reajustes há anos, houve atraso nos salários por quatro anos, muitas famílias não se envolvem com a educação das crianças, o desinteresse é crescente e algumas escolas sofrem com falta de infraestrutura. Além disso, as finanças do Estado estão comprometidas com um atoleiro de dívidas.
Raquel destacou que é preciso, sim, trabalhar por melhor remuneração dos professores, por investimentos em infraestrutura e, principalmente, permitir que os estudantes continuem sonhando com seus projetos pessoais. “A reação também passa pelos sonhos das crianças. Elas precisam perceber que é possível ter sonhos e realizá-los”, destacou, mais uma vez reforçando o compromisso de toda a sociedade com essa reação.
A partir do relato transparente, indigesto, mas fundamental, há uma preocupação com o futuro do RS, seja pela formação das novas gerações, os impactos no desenvolvimento social das comunidades e o risco crescente de apagão de mão-de-obra em empresas geradoras de empregos.
A prefeita de Novo Hamburgo e ex-presidente da ACI, Fátima Daudt (PSDB), e a secretária municipal da Educação, Maristela Guasselli, acompanharam a palestra.
