Turismo brasileiro está na primeira onda da retomada do crescimento, avalia Alexandre Gehlen

O empresário gaúcho Alexandre Gehlen, diretor geral da rede Intercity Hotéis, foi o convidado do primeiro Prato Principal de 2021 da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV).

Considerado uma das grandes lideranças do setor hoteleiro e turístico do Brasil, ele veio com uma inquietante missão ao evento realizado na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo. Gehlen foi desafiado a responder o seguinte questionamento: A retomada do setor do turismo brasileiro vai acontecer?


Ao término da palestra desta quinta-feira (28), após brincar que iriam distribuir lenços ao final do almoço em razão do choro do setor com tantos prejuízos, Gehlen conseguiu mostrar e apontar a retomada do crescimento nos negócios.

Ainda longe dos patamares pré-pandemia, mas com indicadores consistentes de um movimento que vem ocorrendo em todo o país, desde o último trimestre do ano passado. “Nós temos três ondas. A primeira é dos destinos de lazer, que já estão bem mais movimentados. As pessoas sentiram falta de viajar, de ter diversão. Então, estamos nesta primeira onda no turismo de lazer”, destacou.

Gehlen frisou que a hotelaria e o turismo de alto luxo já experimentam bons resultados. Segundo ele, cerca de dez milhões de brasileiros deixaram de viajar para o exterior no ano passado. Isso significa que dezenas de milhões de reais não foram gastos ou estão em compasso de espera em pacotes que não foram realizados. “Temos essa confirmação: o turismo de lazer está forte na hotelaria de alto luxo”, reforça.

Segundo Gehlen, o ano de 2021 deverá confirmar mais duas ondas. Na sequência, deverá ganhar força o turismo corporativo e de negócios. E, num terceiro momento, o turismo de eventos e convenções. “Esta retomada tem relação com a vacinação. É algo importante que siga ocorrendo”, salientou,

QUEDA

Na sua apresentação, Gehlen trouxe gráficos assustadores: no início da pandemia, no primeiro semestre de 2020, a ocupação da rede Intercity chegou a 10% em suas 41 operações, em 27 cidades brasileiras. Embora todos os esforços, houve demissão de 45% dos colaboradores nos últimos meses – eram quase dois mil pré-pandemia. Algumas operação foram fechadas – três permanecem até hoje sem voltar a receber hóspedes. “Tivemos perdas estimadas em R$ 220 milhões no ano passado. A redução de parte significativa do quadro de colaboradores foi fundamental para que a gente pudesse manter os outros empregos”, salientou.

Após tantos solavancos e retrocessos, o empresário olha para o que se desenha no futuro. O mercado hoteleiro e turístico acompanha o que vem ocorrendo em países onde a pandemia chegou primeiro, como a China. E também em outros destinos, onde as estratégias impediram o agravamento do quadro, como Austrália e Nova Zelândia. “Estes destinos acabam sendo nossas referências. E podemos perceber que estamos num caminho parecido de retomada”, avaliou.

De aprendizado e lições deste período, Gehlen destaca a união de entidades do setor, que conseguiram uniformizar o discurso e estabelecer diálogos com medidas efetivas junto ao governo federal. O Intercity sempre investiu em tecnologia como um diferencial de mercado, o que foi reconhecido pelos mais de quatro milhões de clientes que já se hospedaram nos hotéis da rede. Nesta nova fase, soluções tecnológicas seguirão com papel estratégico até mesmo para a geração de empregos. “Já estamos trabalhando com estratégicas para o que virá”, reforçou.

Gehlen acredita que o Home Office perderá força pela necessidade de contato, atualizações e networking. Ainda haverá espaço para determinados perfis de trabalho no Home Office, mas esse formato deverá perder fôlego e, com isso, ajudar na movimentação e circulação de pessoas. Ele também salienta que plataformas como o Airbnb são uma realidade e a marca está estudando um serviço que poderá qualificar esta experiência dos clientes neste tipo de acomodação.


PRATO PRINCIPAL


Após onze meses, o evento Prato Principal da ACI voltou a ser presencial. A última edição com público havia sido em fevereiro de 2020, com a palestra de Angela Hirata.

Com rigorosos protocolos sanitários, distanciamento, álcool gel nas mesas, utilização de máscaras, 50% de ocupação do espaço, serviço dos garçons individualizado e a presença de uma higienista, o Prato Principal recebeu elogios dos participantes pela segurança transmitida. Quem não esteve presente – houve lotação máxima dentro dos novos protocolos – acompanhou o evento de forma online.

O evento teve o patrocínio de Sicredi Pioneira RS e apoio máster de Universidade Feevale

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