As situações são muito parecidas nas ruas Jaboti, no bairro
São Jorge, e Ícaro e Bartolomeu de Gusmão, no bairro Canudos. São três grande prédios
desativados e abandonados.
Se no passado serviram para abrigar centenas de trabalhadores
do setor calçadista, atualmente, se tornaram endereços para moradores de rua,
criminosos, vândalos e drogados circularem e até se esconderem. Os endereços são:
Rua Ícaro, 2777 – antigo prédio da Via Uno
Rua Jaboti, 281 – antigo prédio de indústria calçadista
Rua Bartolomeu de Gusmão, 3500 – antiga oficina da Prefeitura
Os registros são semelhantes: cercas, grades e paredes
depredadas e arrancadas; muita sujeira; descarte irregular de materiais; fezes
humanas à mostra e dezenas de moscas varejeiras; pichações; restos de comidas e
roupas; indícios de consumo de drogas.
É um ambiente sem lei, que preocupa
moradores do entorno. “Temos muito medo do que acontece ali. Sabemos que tem
consumo de drogas. A gente chega e logo vai para dentro de casa”, conta uma
moradora, que reside próximo do prédio da rua Jaboti, onde funcionou uma indústria
calçadista.
Em março do ano passado, os bombeiros tiveram de ir três
vezes no pavilhão localizado no número 281 da rua Jaboti, em razão de focos de incêndio. O
que já estava ruim, piorou. Tem mais mato, mais vandalismo, mais sujeira na
comparação com o dia de incêndios, em 2018.
RUA ÍCARO
Na rua Ícaro, o cenário é de devastação no prédio que
abrigou uma filial da calçadista Via Uno. A cada dia, mais partes do prédio são
arrancadas e levadas. Na parte da frente, houve descarte de cerca de 100
lâmpadas fluorescentes. Segundo vizinhos, o entra e sai é constante, com
barulheira na madrugada.
Consumidores de drogas também estão circulando pelo local,
que vai sendo depenado gradativamente. Não há mais portas nem qualquer
controle. Até tijolos das paredes são arrancados. Muitas pichações também se
fazem presentes. Muito próximo do prédio, uma área invadida traz ainda mais apreensão e indignação dos moradores, que contribuem corretamente com seus tributos.
RUA BARTOLOMEU DE GUSMÃO
O caso mais conhecido, mas que segue sem indefinição, fica
na rua Bartolomeu de Gusmão, 3.500. No local, por um bom tempo, funcionou a
oficina da Prefeitura de Novo Hamburgo e também alguns braços sociais do
município, como a Fábrica da Cidadania. No governo do ex-prefeito Luis
Lauermann (PT), o prédio foi devolvido. Nesses mais de dois anos, pouco sobrou:
muitos materiais foram levados, incluindo roubo de telhas registrado à luz do
dia.
É outro território sem lei. Muita sujeira e um ambiente
tomado pela criminalidade. Materiais são queimados, gerando fumaça. Vizinhos
estão em permanente alerta.
A Caixa é a responsável pelo prédio. É um patrimônio da
instituição bancária que está abandonado. Em março deste ano, o diretor de
Formação para o Bem Comum da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal
do Rio Grande do Sul (Apcef/RS), Marcos Todt, esteve na Câmara de Vereadores de
Novo Hamburgo para divulgar uma atividade.
Aproveitando a visita do servidor da Caixa, o vereador Enio Brizola (PT) informou
a situação do prédio e as denúncias que já foram feitas no Ministério Público
(MP). “Pedimos ajuda ao Marcos no sentido de somar esforços com minhas ações,
uma vez que o prédio em situação de abandono, vem causando perigo aos moradores
da região”, explica Brizola.
PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO
A reportagem do Portal Martin Behrend não conseguiu contato
direto com os proprietários e/ou responsáveis pelos prédios.
Em contato com a Prefeitura de Novo Hamburgo, foram enviados
os seguintes esclarecimentos:
Sobre a demanda do antigo prédio da Via Uno, na rua Ícaro, a
Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação recebeu recentemente denúncia
sobre a situação do local e realizará a notificação do proprietário.
No caso da rua Jaboti, a Pasta, no ano passado, realizou uma
ação com a Polícia Civil e já notificou o proprietário do espaço.
Já sobre o prédio da rua Bartolomeu de Gusmão, o
proprietário já foi notificado e multado duas vezes.
A pasta sugere que devido à incidência de marginalidade nos
espaços, a população registre um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia
para informar a Brigada Militar e Polícia Civil sobre a situação.
EMPRESAS DE SEGURANÇA
No prédio da rua Jaboti, estão fixadas placas da empresa de vigilância
STV. Contatada pela reportagem, a STV informa que esse é um antigo cliente e
que não responde mais pela segurança. Informou, ainda, que as placas serão
retiradas por uma equipe.
No prédio da rua Ícaro, estão fixadas placas da empresa de vigilância
Protector. Contatada pela reportagem, a empresa informa que: “Este prédio
deixou de ser monitorado pela Protector em junho de 2017. Infelizmente, houve
falha no recolhimento da placa de monitoramento ou o atual proprietário
recolocou uma placa antiga para tentar afugentar. Requisitei que a placa seja
retirada imediatamente do prédio, pois não temos nenhum contrato vigente neste
endereço. Acho que a pauta é muito interessante e positiva para Novo Hamburgo.”
CONFIRA ABAIXO AS SITUAÇÕES DOS TRÊS PRÉDIOS REGISTRADAS PELO PORTAL MARTIN BEHREND
