É uma novela que não tem qualquer previsão para o final.
As reformas no Teatro Paschoal Carlos Magno não têm prazo para serem finalizadas.
Localizado no Centro de Cultura dr. Parahim Pinheiro Machado Lustosa, no Centro de Novo Hamburgo, é um dos espaços mais tradicionais na área cultural do município.
As obras tiveram início no apagar das luzes e a toque de caixa na gestão do ex-prefeito Luis Lauermann (PT) e ainda não foram concluídas na administração de Fátima Daudt (PSDB). Um dos agravantes dessa história é que não são grandes intervenções. São ajustes e adequações de pequeno e médio porte. Mesmo assim, é uma novela com vários componentes.
Em dezembro de 2017, o Portal Martin Behrend fez uma reportagem para entender o que se passava com o Teatro Municipal.
A manchete foi: “REPORTAGEM ESPECIAL – Teatro do Centro de Cultura de Novo Hamburgo seguirá fechado no começo de 2018” – o link está aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/3959/titulo/reportagem-especial-teatro-do-centro-de-cultura-de-novo-hamburgo-seguira-fechado-no-comeco-de-2018 .
A reportagem explicou que as melhorias no Centro de Cultura estavam sendo concluídas. Outros espaços do prédio localizado em frente à Praça 20 de Setembro também receberam investimentos e qualificações, principalmente na área da prevenção e segurança. Estes outros ambientes já foram liberados há um bom tempo.
Contudo, o teatro vivencia um drama. Aliás, um drama daqueles!
A trajetória das obras no local começa no governo Lauermann. A movimentação teve início em dezembro de 2016 e as intervenções deveriam estar finalizadas em três meses. Com a troca de governo, os empenhos foram cancelados no começo de 2017. De acordo com a administração de Fatima Daudt (PSDB) não houve previsão orçamentária para o pagamento.
Depois, houve contratação de nova empresa, mas ela abandonou o serviço. Integrantes do movimento cultural hamburguense também criticaram uma falta de maior celeridade e prioridade na resolução dos problemas envolvendo o teatro. Afinal, é um espaço generoso para a cultura do Vale do Sinos.
Chegou o ano de 2020, quando finalmente estava prevista a conclusão das obras. Então, veio a pandemia. E nada deverá ser feito nos próximos meses.
PREFEITURA
A reportagem procurou a Prefeitura para saber se havia alguma previsão para a liberação do Teatro Paschoal Carlos Magno. Foi enviado o seguinte esclarecimento:
“Tendo em vista a forte queda na arrecadação
por conta da pandemia, a Prefeitura está contingenciando os recursos
próprios destinados a obras. O Teatro Municipal não está incluído entre
as prioridades atuais, até porque o momento de pandemia proíbe o
funcionamento de teatros.
No entanto, tão logo a situação permita a
retomada de atividades culturais, ele volta a figurar entre as
prioridades.”
CASA DAS ARTES
A situação da cultura hamburguene só não foi mais afetada pois, no final de 2018, foi inaugurada a Casa das Artes. O moderno espaço, num endereço histórico na região central, passou a receber exposições, exibições de filmes e outras atividades da área cultural.
Em relação à platéia da Casa das Artes, a capacidade não chega nem a 50% do que é oferecido no teatro, mas o local conseguiu abraçar alguns eventos culturais. Na mesma linha, o Espaço Cultural Albano Hartz e a Fundação Scheffel também passaram a receber atrações que tradicionalmente seriam exibidas no teatro.
O Salão Social da Sociedade Aliança igualmente recebeu apresentações da Orquestra de Sopros e mostras regionais de dança e de corais. Da mesma forma, o Teatro Feevale foi acionado para eventos que ocorriam no tradicional endereço do Centro. Dessa forma, conseguiu se manter no município a imensa maioria das atrações.
Só que o Teatro Paschoal Carlos Magno faz falta. Muita falta para a cultura regional. São mais de três anos de silêncio. A plateia está vazia. Os camarins ficaram frios. Não há corações pulsando na coxia. E, tristemente, ninguém sabe quando as cortinas voltarão a se abrir.
