O retorno do trem a Novo Hamburgo foi uma maravilha e só trouxe notícias boas, correto? Não é bem assim. Moradores do bairro Industrial estão inconformados e não aguentam mais contabilizar prejuízos. Vítimas de alagamentos e inundações cada vez mais frequentes, eles são unânimes em indicar o vilão: as obras realizadas por empresa contratada pela Trensurb no Arroio Luz Rau, no trecho da Avenida Nações Unidas, somadas ao abandono do
restante do arroio à moda antiga.
Com o arroio mais largo e mais fundo na Nações Unidas, mais água se acumula no leito. Contudo, ao chegar na parte não renovada, essa água circula com mais velocidade e violência. Além disso, o arroio está assoreado – as fotos confirmam, não há como ignorar. Logo, aquela água que vem do arroio alargado busca espaço num arroio acanhado, raso e pouco largo. Resultado: o volume sobre muito mais rápido e, de forma impiedosa, invade
residências, empresas e estabelecimentos comerciais. Algumas das vias mais atingidas são Rui Barbosa, Santa Rita, Minuano, André Rebouças e Treze de Maio.
Visitei moradores do bairro Industrial e conheci a realidade de algumas residências. Os prejuízos são de milhares de reais. No imóvel
de Noeli Maria da Silva na Rua Santa Rita, eles tiveram de “calçar” a casa, fazendo ela subir cerca de 60 centímetros. “A situação está cada vez pior, a água chegada cada vez mais rápido”, conta. “Ou subia a casa, ou seguiria vendo a água entrar. E, mesmo assim, sigo com meu pátio alagado e tendo prejuízos”, relata.
Outra moradora da Rua Santa Rita, que prefere não se identificar, montou operação de guerra para tentar se proteger da força das águas. Ergueu um pequeno muro junto ao portão, elevou a residência, colocou um portão de ferro na garagem e comprou uma bomba de sucção para tentar expelir a água. Mesmo assim, na última chuvarada ela ficou ilhada, com a água batendo na porta. “Depois das obras do trem no valão, ficou mais constante. Antigamente, era somente com muita chuva. Hoje, qualquer chuvarada e logo estamos embaixo da água”, relata, já projetando novos gastos para tentar se manter num ambiente seguro.
O morador Luis Miranda aponta que os bueiros são um dos problemas, pois logo o arroio enche, entope estes locais e começa mais um drama. Ele conta que existe uma espécie de sirene virtual a cada nova chuvarada. “Quando percebemos que a água vai subir, precisamos sair em disparada e estacionar nossos veículos num local segura da Avenida Pedro Adams Filho, pois sabemos que logo ficaremos ilhados”, desabafa.
Os moradores buscaram explicações e soluções junto da Trensurb e da Prefeitura, contudo não tiveram retorno positivo. Infelizmente, eu também não tive.
Encaminhei há uma semana solicitação de esclarecimentos para a assessoria de imprensa da Trensurb. Enviei e-mail para dois integrantes da equipe de comunicação. Contudo, a empresa não se manifestou.
Encaminhei há uma semana solicitação de esclarecimentos para a assessoria de imprensa da Prefeitura. Enviei e-mail para sete integrantes da equipe de comunicação. Contudo, o Executivo não se manifestou.
Trensurb e Prefeitura lavam as mãos. Enquanto isso, a força das águas vai lavando pátios, garagens e residências de moradores do bairro Industrial, que vão esperar a próxima chuvarada para somar mais gastos e prejuízos. O trem trouxe progresso? Não seria tão adequado fazer essa pergunta no Industrial. Ali, trem também
significa sofrimento e indignação.

























