Tô feliz matei o presidente. Direção de escola em Novo Hamburgo desconhece autor da intervenção em muro

“Pode uma escola pública ceder espaço para que pessoas celebrem a morte de alguém? É papel da escola estimular mensagens de estímulo a violência?”

Esses dois questionamentos foram enviados, nesta sexta-feira (11), ao Portal Martin Behrend.

Os seguidores, que pediram para ter suas identidades preservadas, ficaram impactados com o tom agressivo de uma intervenção realizada em um dos muros que cerca o Colégio Estadual Dr. Wolfram Metzler, localizado no Centro de Novo Hamburgo.

Num pedaço da estrutura localizada na Rua Domingos de Almeida, junto a uma parada de ônibus, tem a imagem de um adolescente/jovem sorrindo e, ao lado, a inscrição: “Hj eu tô feliz matei o presidente…”.

Em outros pedaços do muro estão registradas frases como “Pintar e lutar”, “Resistência popular”, “Resistencia Vida Digna”. Em dois pedaços têm uma mesma assinatura: T.A.T. 21.

É preciso ressaltar: não é pichação – que é uma praga em muitas cidades em razão dos desocupados pichadores. Quem realizou a intervenção no muro do Wolfram Metzler tem talento, é vocacionado para a arte. Mais do que isso, tem dinheiro para comprar bons materiais para a execução do trabalho.

NÃO FOI AUTORIZADO

Então, a direção do Colégio Wolfram Metlzer autorizou a intervenção de felicidade com a morte do presidente?

A resposta é não.

A reportagem do Portal Martin Behrend conversou com o diretor da escola, Fladimir Porto. Ele desconhecia a intervenção realizada. “Não autorizamos. Até porque, esta é uma área do estado e precisa ser autorizado”, garantiu.

Segundo Porto, neste trecho de muro da Domingos de Almeida vem tendo reduzida circulação em razão do número reduzido de alunos. Como a entrada principal da escola é pela Rua Silveira Martins, tem pouca gente da escola passando naquele trecho.

Como a pintura ocorreu do lado externo, ficou ainda mais afastado da visão de quem está circulando pelo colégio. O muro com a inscrição “Hj eu tô feliz matei o presidente…” fica ao lado de um portão de ferro, que dá acesso ao interior da escola.

Fladimir Porto lembrou que, há alguns meses, a escola ganhou um novo muro cercando quase a todalidade da escola nas ruas Silveira Martins e João Antônio da Silveira, e na Avenida Nicolau Becker. A estrutura anterior desabou em um grande temporal de 2019, conforme registrado pelo Portral Martin Behrend: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…

O novo muro ainda precisa receber a pintura final, mas faltam recursos do governo estadual.

Sobre a intervenção ofensiva, o diretor ainda tinha visto a inscrição até o contato da reportagem. Ele informou que vai buscar mais informações sobre o que pode ter acontecido e, se for o caso, realizar uma nova pintura no local da mensagem celebrando a morte do presidente.

Com ajuda do Google Maps, um registro do muro antes das recentes intervenções.

NOTA DO EDITOR: Quando recebi a sugestão de pauta, a situação que mas incomodava os leitores era: deve a escola pública incentivar uma mensagem assim? A escola pública deve abrir espaço pra esse tipo de mensagem? Hoje tô feliz matei o presidente é a mensagem divulgada. E se a mensagem fosse: Hoje tô feliz matei a professora, Hoje tô feliz estuprei minha vizinha, Hoje tô feliz matei um haitiano, Hoje tô feliz assassinei um índio, Hoje tô feliz matei minha mulher, e assim vai. Não teria problema? A escola pública sofre com tantas dificuldades. Ser espaço pra divulgar a violência dessa forma não ajuda na valorização da escola.

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