Um texto publicado na página do Observatório de Segurança Cidadã de Novo Hamburgo no Facebook está causando mal-estar entre alguns hamburguenses. Recebi mensagens de dois leitores indignados e inconformados com o posicionamento da organização. Uma publicação veiculada no dia 31 de outubro deste ano defende claramente a descriminalização das drogas. Esta não é a primeira polêmica envolvendo o Observatório de Segurança Cidadã. Isso porque a Prefeitura está investindo em R$ 750 mil para estudar e diagnosticar a criminalidade no município. O valor foi bastante contestado por parte da comunidade, incluindo entidades de classe.
Sobre o texto publicado no Facebook do Observatório de Segurança Cidadã, um dos leitores do blog escreveu: “É uma vergonha. Estamos pagando uma fortuna para um grupo pregar a liberação do consumo de drogas em nosso município. O Brasil não está preparado para isso. Quem está fiscalizando esse pessoal, afinal, é dinheiro dos hamburguenses que está sendo repassado”, protestou. Em outra mensagem, uma leitora manteve o mesmo discurso. “Isso só pode ser piada. As drogas
devastam famílias. As drogas acabam com milhares de lares. Diversos países estão combatendo o tráfico. E aí vem um grupo pago com o dinheiro da população pregar a liberação das drogas”, desabafou. “E olha outro absurdo: estão usando o espaço da Guarda Municipal, que ajuda no combate à violência da cidade enfrentando o tráfico e o consumo ilegal de drogas”, salientou.
Entrei em contato com o Observatório de Segurança Cidadã e recebi esclarecimentos da socióloga e coordenadora técnica Aline Kerber. Ela explica que a publicação do artigo faz parte do enriquecimento do debate a respeito do tema. “Esta é uma questão de legislação federal. Não temos a capacidade de mudar alguma coisa nesse sentido aqui em Novo Hamburgo. O que pretendemos é trazer argumentos e mostrar tendências mundiais. E uma delas mostra como os países estão se abrindo para a descriminalização das drogas”, argumenta.
Segundo Aline, a luta do Observatório de Segurança Cidadão é para combater a guerra das drogas. “Essa guerra mata tanto quanto ou até mais do que os problemas envolvendo as questões de saúde em função do consumo. Estamos discutindo essa guerra”, detalha. A socióloga ressalta que o trabalho das forças policiais vem sendo como enxugar gelo e a criminalidade só aumenta. Ela destaca que descriminalizar é diferente de legalizar. “Precisamos mudar o foco da questão, saindo da segurança para a área da saúde. Ao descriminalizar, o consumo deixa de ser crime e o Estado passa a buscar soluções para o tratamento dos consumidores. Já quando se legaliza estamos falando no comércio livre, inclusive com pontos de venda e cobrança de tributos”, detalha.
Aline Kerber finaliza acrescentando que o Observatório é uma plataforma pública que busca entender onde está a violência em Novo Hamburgo e como enfrentá-la. “Precisamos enxergar todo o bosque, e não olhar apenas para uma árvore”, exemplifica. A página no Facebook é https://www.facebook.com/observatoriosegurancaNH.
