Crianças chorando. Outras, querendo ir embora. Algumas, com medo. Por sua vez, professores indignados tentavam acalmar seus pequeninos alunos. Esse foi o cenário registrado, na manhã desta terça-feira (15.03), na Escola Municipal Monteiro Lobato. Esse cenário desolador envolvendo alguns dos estudantes do educandário localizado no bairro São Jorge tem explicação: duas salas de aula tinham sido arrombadas na madrugada e dezenas de itens foram levados pelos criminosos. Além do material escolar, sumiram chocolates e doces de Páscoa que seriam usados nos ninhos dos pequenos hamburguenses. De partir o coração. É a crueldade humana representada num gesto tão pequeno.
A reportagem do Blog Martin Behrend foi acionada por uma professora que leciona na Monteiro Lobato. Segundo ela, já foi a segunda invasão neste ano. A estas se somam outras ocorrências e prejuízos de anos anteriores. “É uma situação insuportável, angustiante. Temos o maior cuidado com os materiais e sabemos as dificuldades dos pais em adquirir o que é solicitado. E, de uma hora para outra, tudo some”, desabafa.
A ação deve ter ocorrido na madrugada de terça-feira. Isso porque até depois das 20 horas professores e pais estavam na escola em reunião. Foram arrombadas duas portas a chutes e golpes violentos. Na fuga por uma tela com furos, os autores do crime deixaram cair alguns brinquedos e itens, mostrando por onde eles passaram. Ainda na manhã de ontem, foi chamado um profissional para arrumar as estruturas danificadas e dar condições dos alunos seguirem tendo aula com segurança.
Segundo um pai procurado pela reportagem, a escola tem casos de drogadição e isso preocupa. A Monteiro Lobato abriga 624 alunos da educação infantil até o 9º ano. “Temos o relato de que os materiais roubados estavam sendo vendidos no próprio bairro. Se tem quem rouba, tem quem compra”, reflete o pai. Ainda ontem, a Secretaria Municipal da Educação entrou em contato para saber o tamanho dos estragos. Também ao longo do dia diversos pais ligaram para a escola oferecendo ajuda e se oferecendo para comprar os materiais roubados. Um esforço comunitário comovente. “Mais grades, câmeras, segurança permanente. Alguma solução precisa ser encontrada. Não aguentamos mais fazer eventos e arrecadar dinheiro para ficar cobrindo gastos com prejuízos de roubos”, destaca a professora.
Além dos problemas de insegurança – a presença da Guarda Municipal não é uma realidade permanente –, a Escola Monteiro Lobato é mais uma das vítimas do Orçamento Participativo – ou Orçamento Enganativo? A escola conquistou, em 2014, um investimento de R$ 350 mil para reforma da rede elétrica e ampliação das salas de aula. Até agora, nada aconteceu. Segundo integrante da Apemem, as obras somente vão ocorrer quando a AES Sul posicionar um transformador com mais potência no lado externo da escola. Até isso ocorrer, a “conquista” fica na gaveta.
Com essa realidade, não são só os alunos da escola que
que choram. Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa, Marquês de Rabicó, Saci e até a Cuca – todos personagem de Monteiro Lobato – devem estar chorando juntos…

























