As medidas anunciadas pela prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt (PSDB), que determinam a partir de hoje (17) o fechamento de bares e restaurantes até as 20 horas, receberam críticas do setor.
Com o novo horário consolidado no decreto municipal, as operações praticamente perdem toda a clientela da noite.
O objetivo da Prefeitura com a nova restrição é inibir a circulação de público, já que o vírus está contaminando cada vez mais pessoas e existe o temor do colapso do sistema de saúde – público e privado – em razão do número de pacientes com a Covid-19.
O SindGastrHô (Sindicato da Gastronomia e Hotelaria – Novo Hamburgo, Estância Velha, Campo Bom, Sapiranga, Ivoti e Dois Irmãos) protocolou ofício na Prefeitura de Novo Hamburgo, na tarde desta quarta-feira, encaminhado à prefeita. Aliás, a entidade não foi convidada para a reunião desta terça-feira (16), quando foram feitos anúncios que impactavam diretamente restaurantes e bares.
No documento, a entidade fala em prejuízos para o setor, injustiça com as medidas adotadas, desemprego e o futuro em risco de muitos trabalhadores da área da gastronomia.
O documento foi entregue no Centro Administrativo Leopoldo Petry pelo presidente do SindGastrHô, Tomás Juchem, e pelo empresário do setor Jerri Brisch Santos.
Confira o conteúdo na íntegra:
“Senhora Prefeita:
Trazemos à sua presença preocupação compartilhada pelos associados do SINDGASTRHO –
SINDICATO DE HOTÉIS RESTAURANTES BARES E SIMILARES DE NOVO HAMBURGO, em
relação ao recente Decreto Municipal 9273/2020, de 16 de junho de 2020, que restringiu o
atendimento dos restaurantes ao sistema de tele entrega, “drive trhu” e “take away”, a partir das
20:00 horas.
Entendemos que a categoria dos bares, restaurantes e similares está sendo injustamente
penalizada com essas medidas, eis que são os estabelecimentos que mais se preocuparam com
os protocolos de higiene, como utilização de máscaras, luvas, cuidado intensivo na higienização de
móveis e utensílios, com o espaçamento de mesas de atendimento, disponibilização de álcool gel
para clientes e funcionários.
Os restaurantes já esgotaram as medidas legais para redução de jornada e/ou suspensão dos
contratos de trabalho de seus funcionários, e a partir desta inesperada restrição de atendimento
terão que demitir, muitos talvez nem consigam pagar os pesados encargos rescisórios. Empregos
serão perdidos, muitos terão que fechar definitivamente, o prejuízo é inestimável.
Não encontramos em qualquer análise científica explicação plausível para diferenciar as atividades
noturnas das diurnas. A circulação de pessoas durante o dia é maior, as aglomerações estão
ocorrendo nos mercados, agências bancárias, lotéricas, transporte público e outros serviços
considerados essenciais.
Reconhecemos que os poucos estabelecimentos que descumprem as normas devem ser
penalizados, multados, até fechados se necessário, e reconhecemos também que houveram
incidentes preocupantes no dia 12.06.2020, que é a maior data de vendas da categoria, mas isso
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só irá se repetir daqui a um ano, e o movimento geral dos restaurantes está bem abaixo do que
ocorria antes da pandemia.
Já há uma dificuldade do setor em cobrir os custos de operação, com o atendimento presencial
diminuído para aproximadamente 30%, e a opção de tele entrega, “drive trhu” e “take away” não é
suficiente para manter os estabelecimentos funcionando, pois a população não tem este hábito de
consumo, que em médida representa apenas 15-20% das operações.
Não é viável manter a estrutura de funcionamento (funcionários, insumos, energia elétrica, gás,
alugueis, etc) com 15-20% do faturamento dos bares e restaurantes.
A conta do desemprego vindouro no setor, dos estabelecimentos fechando, da economia
combalida é o resultado previsto dessas medidas.
Estamos aguardando sejam efetivadas medidas de saúde pública já há muito anunciadas e que
não saíram ainda do papel, como o aumento de leitos para atendimento aos pacientes de Covid-19,
e o incremento da fiscalização daqueles que desrespeitam as medidas legais, para que não haja
necessidade de lockdown para conter a pandemia a nível local.
Mas os bares e restaurantes não descumpriram as regras, os decretos, as medidas de higiene, o
distanciamento e a capacidade reduzida de atendimento, tudo para evitar serem agentes de
propagação e protegerem a integridade de seus clientes e funcionários.
Os próximos anos irão cobrar dos Governantes as consequências das decisões de hoje, e
esperamos que aqui em Novo Hamburgo lembrem da Prefeita que protegeu a economia, os
empregos, as famílias que deles dependem da fome, do desespero, da desesperança.
Trazemos também ao seu conhecimento, em anexo, programas que estão sendo aplicados em
outras cidades, para implantação de um selo de segurança para os bares, restaurantes e afins que
cumprirem todos os protocolos de biosegurança, de forma a divulgar aos clientes que é seguro
consumir alimentos nestes locais, que pretendemos seja implantado em Novo Hamburgo, como
forma de colaborar com o combate à pandemia a nível local.
Certos de sua atenção à presente demanda, agradecemos antecipadamente
Tomás Juchem – Presidente SindGastrHô”

























