A saúde pública no Brasil apresenta momentos de grande dor e sofrimento. Embora em algumas áreas se conseguiram avanços, em muitos casos os problemas de saúde são agravados pela incerteza do atendimento. O sofrimento do paciente é compartilhado com familiares e amigos. E, a cada dia de novas incertezas, o que se tem de concreto é mais dor e angústia.
A reportagem do Portal Martin Behrend foi procurada por familiares do hamburguense Anildo Gomes de Oliveira, 82 anos. Desde o final do ano passado – já são mais de seis meses – a família está envolvida com a busca de uma solução para o sofrimento do aposentado. São encaminhamentos, procedimentos, papelada, telefonemas… E nada.
No ano passado, Anildo foi diagnosticado com pedras na bexiga e problemas na próstata. Passou pela UPA e pelo Hospital em Novo Hamburgo – cerca de uma semana. Nessas passagens, já houve uma demora excessiva, tendo em vista a saúde fragilizada. Apresentando infecção urinária, ficou com sonda por quatro meses, sendo transportado em cadeiras de rodas.
Finalmente, em março desse ano veio o encaminhamento para cirurgia. A avaliação foi assinada pelo urologista Paulo Ricardo Pereira Lyra. Dessa forma, ele está habilitado para a primeira consulta técnica, que é agendada pela Secretaria Estadual da Saúde.
Conforme apurado pela reportagem do Portal Martin Behrend, existe um encaminhamento como “prioridade máxima para atendimento com urologista em Porto Alegre”. Com esse atendimento, ele finalmente estaria autorizado a realizar o procedimento cirúrgico. A família tem o documento que confirma a espera pela regulação estadual.
Mas, para aumentar o desgaste, a informação que consta no documento indica que o paciente está na fila por rim transplantado. É muito sufoco.
FUNDAÇÃO E SECRETARIA
A reportagem procurou a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH), que confirmou o encaminhamento dado pelo urologista Paulo Ricardo Pereira Lyra. A fundação ainda destacou que esse procedimento é realizado pela Secretaria Estadual da Saúde, na capital gaúcha.
A reportagem também procurou a assessoria da Secretaria Estadual da Saúde. Foi confirmado que esse primeiro atendimento precisa ser feito pelo Estado – Centro de Regulação –, mas não foi informado quando será realizado.
Filho do paciente, Maurício Reis de Oliveira explica que já tentaram de tudo. “Estamos fazendo tudo que nos pedem. Ligamos, vamos até os locais, mas ninguém resolve o problema”, desabafa. Ele conta que também fizeram contatos com políticos e também receberam orientações para ingressar na Justiça, que seria uma alternativa mais “rápida” e com boas chances. “Fomos também na Defensoria Pública para tentar garantir que façam a cirurgia. Estamos fazendo de tudo, mas as coisas não acontecem”, relata.
Segue a angústia. Que o seu Anildo, com seus 82 anos, tenha forças para resistir e que a vida lhe traga motivos para ainda sorrir.
