Com um ar de conformismo em relação aos crimes de invasões de terras em Novo Hamburgo, o secretário municipal da Habitação, Beto Carabajal (PT), esteve na sessão desta quarta-feira na Câmara de Vereadores. Ele havia sido convidado anteriormente pelo vereador Raul Cassel (PMDB), mas preferiu participar de uma cerimônia de inauguração a prestar esclarecimentos à comunidade. Ontem, ele foi. Até porque, nunca antes na história do município houve uma onda de invasões de terras tão grande em curto espaço de tempo: são 11 áreas públicas e uma particular – pelo menos – tomadas por invasores.
Desfilando arrogância e desconhecimento de algumas questões habitacionais, Carabajal foi sabatinado por mais de uma hora pelos parlamentares. Neste período, se negou a responder questões e ainda tentou intimidar vereadores, afirmando “que tenho muita coisa para falar, mas não será aqui.” Em determinadas pautas, Beto não conseguiu esclarecer as dúvidas dos vereadores e precisou se socorrer em sua equipe, devidamente postada na Tribuna de Honra e capacitada para “salvar” o chefe.
Uma das questões que ficou sem resposta foi feita pela vereadora Patrícia Beck (PTB): com tantos problemas habitacionais a serem resolvidos, por que o secretário da Habitação fica participando de eventos e cerimônias de inauguração de outras áreas? Sem resposta. Patrícia também quis saber de sua carga horária, afinal, em cada inauguração se fica de duas a três horas envolvido. Nesse tempo, o secretário poderia estar resolvendo problemas habitacionais no município. Carabajal, novamente, se negou a responder.
Em relação a onda de invasões de terras sem precedentes no município, Carabajal confirmou que são 11 áreas públicas tomadas por invasores: oito no Santo Afonso e na Roselândia, Integração e Liberdade – uma em cada. Em oito delas, a Justiça já
concedeu liminar para
reintegração de posse, mas o município precisa esperar movimentação do Judiciário e da Brigada Militar para retirar os ocupantes. Questionado se a Prefeitura poderia acionar a Brigada
para acelerar o processo para recuperar as áreas e garantir a tranquilidade de vizinhos das áreas incomodados e ameaçados por invasores, Carabajal deixou claro que não tem pressa nem vontade para ver essa situação resolvida. Ele prefere esperar os ritos do processo. “Não é na garganta que a gente faz as coisas”, disse.
O secretário da Habitação também frisou que é ilegal fornecer água e energia elétrica para ocupantes de áreas invadidas, mas que por questões humanitárias é possível que a Comusa possa fazer alguma ligação para abastecer as famílias. O vereador Raul Cassel (PMDB) disse ver uma certa tolerância às invasões por parte da Prefeitura. “Sugiro que essa situação seja realmente combatida”, disse. Carabajal afirmou que nunca agirá ao arrepio da lei. “Não estou sendo conivente”, rebateu.
Carabajal não informou se a Secretaria da Habitação criará um grupo de fiscalização especial ou de maior controle para combater e investigar quem está por trás dos crimes de invasões de terras. Pelo seu posicionamento, deixará as ações ocorrendo para, depois, buscar na Justiça a reintegração de posse, o que sempre acarreta em maior número de gastos. Cada operação de retirada dos invasores envolve
máquinas, veículos, servidores, efetivo policial, entre outros recursos a serem disponibilizados pelo Poder Público.
O secretário aproveitou sua passagem pela Câmara para apresentar números relativos à oferta de moradias populares. Destacou que no Aeroclube (Canudos) estão entrando na fase final as obras para entrega de mais 300 apartamentos, e que o déficil habitacional vem sendo combatido pela Prefeitura, principalmente pela oferta do programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal.
