A sequência no tratamento de dezenas de dependentes químicos em Novo Hamburgo está mergulhada num cenário de incertezas.
O motivo envolve uma decisão da Prefeitura de Novo Hamburgo. Conforme apurado pela reportagem, o Executivo não deve fazer uma nova licitação para contratar um serviço que atenda hamburguenses com dependência química. O motivo seria economia de recursos.
O contrato que estava em vigor até 8 de setembro era com o Centro de Atenção Urbana à Dependência Química (Caudeq), localizado no bairro Operário, perto do Hospital Municipal. Este serviço existe de 2009. O contrato em vigor completou dez anos, e pela legislação não pode ser renovado. É necessário uma nova licitação para que o serviço seja recontratado. Neste caso, poderiam se candidatar outras empresas interessadas, não apenas o Caudeq. “Ocorre que o nosso contrato não foi renovado e pelo que informaram não terá licitação. Ou seja, este serviço deixa de atender”, explica a psicóloga e presidente do Caudeq, Rosângela Scurssel.
Ao longo da sua caminhada, o Caudeq acolheu mais de mil pessoas. Atualmente, são 16 pacientes acolhidos. Além deles, o espaço é uma referência para o trabalho de estagiários de quatro universidade, que também serão privados dessa atuação e de atendimento aos pacientes, prejudicando seus estágios. “Temos alguns pacientes que têm previsão de alta para maio de 2026. É uma série de problemas. Vamos ficar com os pacientes em razão do nosso trabalho e em respeito aos estagiários. Mas é muito difícil assumir esse atendimento sem cobertura”, lamentou Rosângela. “Agora, se pararmos, onde ficarão esses dependentes químicos? Na rua?”, questiona.
O serviço do Caudeq é bem mais completo que o atendimento prestado em locais públicos como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde predomina a atenção ambulatorial. “São tratamentos bem diferentes. No CAPS, o pessoal vai ao local e volta para a rua ou para casa. Já no Caudeq, os pacientes encaminhados pelo CAPS AD III Álcool e Drogas ficam conosco por nove meses, podendo ampliar por mais três meses. Fechamos um ciclo de tratamento em todas as áreas. Eles voltam para a sociedade com trabalho formal. 99% dos nossos acolhidos saem daqui com trabalho formal. É muito triste uma instituição dedicada e competente fechar as portas”, ressaltou Rosângela.
O orçamento anual aprovado para o Caudeq era de R$ 649 mil. Porém, não estavam preenchidas todas as 22 vagas contratadas e o pagamento era proporcional aos atendimentos. O valor pago era de R$ 2.461,00 por acolhimento.
Com um olhar de prevenção, o Caudeq também realiza uma série de atividades em parceria. Em abril deste ano, por exemplo, Rosângela Scurssel esteve na reunião mensal híbrida do Comitê Regional de Recursos Humanos (CRERH) da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Dois Irmãos.
Ela apresentou um novo projeto voltado à prevenção e atenção ao uso de álcool e outras drogas no ambiente de trabalho. O objetivo era oferecer apoio às organizações por meio de diagnósticos personalizados realizados em conjunto com gestores e profissionais de recursos humanos. “Muitas vezes, perdem-se talentos por que não se sabe lidar com essa situação. A proposta é compreender a realidade de cada empresa e propor soluções eficazes para acolher e orientar”, afirmou.
PREFEITURA
O Portal Martin Behrend fez contato com a Prefeitura para trazer o posicionamento do Executivo para a comunidade. Até o fechamento da reportagem não houve retorno.
