Restauro da histórica Casa da Lomba deve ultrapassar R$ 1 milhão

O futuro da histórica Casa da Lomba, no bairro Lomba Grande, está mobilizando autoridades hamburguense.

Até porque a situação de abandono é preocupante e não é possível se aceitar o desfecho que teve a Casa do Imigrante, em São Leopoldo, que teve parte da estrutura que ruiu no começo deste ano.

Na sexta-feira (2), foi realizada visita à Casa da Lomba, que vem sendo alvo de depredações desde sua interdição em 2017. A vistoria teve a condução dos vereadores Enio Brizola (PT), presidente da Comissão Especial em Defesa do Patrimônio Histórico de Novo Hamburgo, Felipe Kuhn Braun (PDT), secretário do mesmo grupo e presidente da Coedu, e Nor Boeno (PT), secretário desta última.

De parte do Executivo, chamado para apresentar alternativas e informar a viabilidade das reivindicações, estiveram no local o secretário de Obras, Raizer Ferreira, o diretor de cultura da Secretaria Municipal de Cultura, Alex Lassakoski, o gerente de educação ambiental Paulo Eduardo Moehlecke, as arquitetas Andrea Schütz, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), e Marina Simon, da Secult.

A presidente da Associação Cantalomba, Jacinta Scalcon, a Tita, e a tesoureira Pabiole Helena Silva informaram que as atividades desenvolvidas pela entidade no local estavam em seu ápice em 2017, quando o local sofreu interdição sob alegação de que representava risco e necessitava de reforma. Brizola sinalizou aos integrantes da entidade que eles poderiam contar com a comissão especial na articulação de apoio junto à bancada federal gaúcha para viabilizar o restauro.

Por meio de emendas parlamentares, segundo ele, seria possível vislumbrar uma solução a essa demanda da comunidade do bairro rural. Ele acrescentou ainda que a resolução não depende exclusivamente do Executivo e que é necessária a união de esforços.

RESTAURO

Com base no projeto de restauro, iniciado em 2015, a arquiteta Andréa informou ao grupo que a área da casa é de 337,16 metros quadrados, sendo que o telhado conta ainda com mais 256,18 metros quadrados. A profissional apontou que em decorrência do agravamento da situação da edificação foram realizadas atualizações à proposta de recuperação do patrimônio, com levantamento de todas as patologias, tais como umidade, cupim e fissuras estruturais.

Ela esclareceu que as medidas mais urgentes para evitar o agravamento do quadro, como infiltração e deterioração do assoalho, seriam bloqueio das portas e janelas para que não haja invasão e depredação além da substituição de telhas. Moehlecke comprometeu-se a estudar a possível utilização de folhas de zinco temporariamente para evitar que as águas das chuvas que entram no telhado estraguem ainda mais o prédio. Os vereadores Nor e Felipe subiram ao sótão para conferir o estado das madeiras e telhas.

Raizer informou que foi acompanhado do secretário de Cultura, Ralfe Cardoso, à uma reunião no Iphan para debater maneiras de viabilizar a restauração. Na ocasião se mostraram interessados, conforme o representante da Secretaria de Obras, contudo, indicaram problemas de orçamento.

De acordo com estimativa dos próprios integrantes do Executivo, o restauro deve ultrapassar 1 milhão. O levantamento dos custos para obra estão em fase final, devendo ser concluídos possivelmente na próxima semana, segundo Andréa.


Sobre livros que pertenciam à associação e que estavam na Casa, Lassakoski disse que foram levados à Secult e devem passar por higienização e recuperação, podendo ser retirados pelo grupo posteriormente.

Recentemente, o Portal Martin Behrend esteve visitando a Casa da Lomba e produziu reportagem: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/6508/titulo/situacao-de-abandono-da-casa-da-lomba-preocupa-comunidade-de-lomba-grande

CASA DA LOMBA


A Casa da Lomba é um importante lugar histórico de Novo Hamburgo. A primeira parte da casa foi construída no ano de 1860 por meio de uma mobilização dos moradores e da comunidade religiosa, que utilizavam o local como salão paroquial e escola, inclusive sendo um dos primeiros colégios do Rio Grande do Sul. Em 2011, a Prefeitura adquiriu o imóvel. Até ser interditada em 2017, a Casa era utilizada como espaço multicultural.

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