Bom senso. Eis o que faltou nas negociações entre Prefeitura de Novo Hamburgo e empresas responsáveis pelo transporte coletivo municipal. Desde ontem, passou a vigorar o novo valor da tarifa de ônibus no município – R$ 3,14 – e não deu outra: faltou troco e teve gente reclamando. Com essa ausência de flexibilidade em arredondar o valor, quem mais está sofrendo são motoristas e cobradores. São esses trabalhadores – os menos culpados – que estão pagando a conta e tendo que ouvir desaforos e impropérios. Atualmente, 51 mil passageiros são transportados por dia nos coletivos hamburguenses.
Na manhã de hoje, recebi duas reclamações de usuárias de ônibus: uma é moradora da Vila Kroeff e outra do bairro Boa Saúde. Elas comentaram que nos coletivos não havia troco de um centavo. A partir dessa realidade, fui conferir o que está acontecendo na prática. Em dois coletivos que embarquei no Paradão da Avenida 1º de Março paguei R$ 3,15 e não recebi um centavo de troco. Num terceiro coletivo, perguntei pelo troco e a cobradora disse que poderia ficar R$ 3,10, pois não teria um centavo.
Em relação à falta de bom senso nas negociações, o secretário de Segurança e Mobilidade Urbana (Sesmur) da Novo Hamburgo, Egon Kirchheim, chegou a mencionar em outros veículos de comunicação que gostaria de ver as empresas viabilizando moedas de um centavo ou reduzindo para R$ 3,10. Segundo ele, “não seria adequado arredondar para cima o reajuste”.
Entrei em contato com duas empresas de ônibus. Na Viação Hamburguesa, o funcionário responsável pelos esclarecimentos não estava na empresa. Em relação à Viação Futura, a orientação é buscar o entendimento e sugerir alternativas aos usuários. “Estamos indicando que os passageiros adquiram o cartão, que é gratuito, além de ser mais seguro”, explica Sheila Kreuz Fiori.
Em relação à negociação do preço, Sheila lamenta que a Prefeitura não tenha tido mais habilidade para lidar com a situação. “A moeda de um centavo não é produzida desde 2005 pelo Banco Central. A Prefeitura sabe disso, e mesmo assim não conseguimos ajustar para R$ 3,15”, destaca. Ela frisa que o reajuste foi de 10,33% pelo INPC e, no cálculo, o valor que se chegou foi de R$ 3,144. Logo, haveria todas as condições de arredondar para R$ 3,15. “Temos o entendimento que poderia se ajustar para cima e, na negociação seguinte, se arredondaria para baixo. Isso seria simples a fim de evitar essa situação envolvendo o troco”, avalia.
Em menos de dois dias da tarifa de R$ 3,14, Sheila destaca que já teve motorista sendo questionado e pressionado por usuários. “Quem vai sofrer com isso são esses trabalhadores, que não têm o que fazer”, comenta. Ela detalha que, caso o consumidor pressione pelo troco de um centavo, a orientação é tentar dialogar e, se for o caso, aceitar por R$ 3,10. “Lamentamos essa situação. Poderia ter sido conduzida de maneira diferente”, completa a integrante da Viação Futura.
Para os passageiros que se sentirem prejudicados, o Procon de Novo Hamburgo destaca que o troco é um direito do consumidor. “Ainda não tivemos reclamações neste primeiro dia”, afirma o coordenador do Procon hamburguense, Ítalo Bronzatti. Ele entende que, por ser um centavo, algumas pessoas podem não se interessar em correr atrás. “Acompanharemos o comportamento da população e, se necessário, vamos atuar em busca de alguma alternativa”, esclarece. Bronzatti reforça que o Procon está à disposição pelo telefone 3581.9531 e e-mail procon@novohamburgo.rs.gov.br.
Confira a seguir dois vídeos produzidos
nesta segunda-feira envolvendo o troco de um centavo. No primeiro, a cobradora deixa por R$ 3,10. No segundo, o motorista diz que falta moeda de um centavo e a pssagem fica em R$ 3,15.
Em tempo: o blog errou em manchete anterior. Apostei que haveria algum pingo de bom senso
e que seria arredondado pra R$ 3,10 ou R$ 3,15. Errei. A reportagem foi a seguinte:
http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=1100 .
