Em 2025, uma jabuticabeira localizada no passeio público da Avenida Maurício Cardoso, em frente ao Residencial Vitória Régia, em Novo Hamburgo, passou a contar com uma placa fixada no tronco.
O texto diz:
“Em memória a WERNER PLINIO BENDER.
Quem plantou esta jaboticabeira em 1928.
Por Gerda Erica Bender – filha”
Nesta semana, um leitor do Portal Martin Behrend fez contato sugerindo contar quem foi Werner Plinio Bender e qual a razão da homenagem.
FILHA
Para entender a história da árvore, a reportagem fez contato com a responsável pelo reconhecimento público, Gerda. Ela confirma que, no ano passado, fixou a placa com a ajuda do filho Mauro. “Era algo que eu desejava fazer há muito tempo, mas ia deixando passar. Finalmente, consegui me organizar para fazer a homenagem”, explica.
Gerda conta que seus avós residiam nas imediações de onde hoje fica a Rua Heller. Era tudo mato e descampado. Era por ali que o pequeno Werner – com seus 10, 12 anos – costumava passear com um tio, Willy. Eles caminhavam bastante pelo trecho onde atualmente se encontra a Avenida Maurício Cardoso.
Nesta parte alta, Willy tinha uma chácara. Ali ele plantou várias árvores frutíferas, com destaque para pereiras e jabuticabeiras. Também foram plantadas araucárias – alguns exemplares ainda resistem em meio aos prédios do quarteirão.
Junto com tio Willy, Werner também aprendeu a cuidar das árvores. E é uma destas que se mantém erguida até hoje: a jabuticabeira frondosa em frente ao Vitória Régia. “Ele sempre gostou muito de plantar. Existem outras árvores na Maurício Cardoso que também foram plantadas por ele”, detalha Gerda.
Após plantar a jabuticabeira junto da chácara do tio Willy, a vida seguiu. Quando adolescente, Werner foi para Pelotas, mas precisou retornar a Novo Hamburgo em razão de compromissos com o serviço militar. Então, era preciso se instalar na cidade.
Como aquela região alta de Novo Hamburgo era desvalorizada, longe de tudo – do Centro, estação de trem, comércio -, ele conseguiu comprar um terreno com muito esforço e construir sua casa naquele morro onde estava praticamente isolado. “Ele queria uma região alta por causa da vista e também para ficar longe de eventuais enchentes”, conta a filha, destacando que foi dos primeiros a se instalar no local.
Durante décadas, Werner e sua esposa Olívia residiram na esquina da Maurício Cardoso com a Rua Maratá – hoje tem um conjunto comercial e um pequeno prédio comercial no endereço. Era uma residência com muito verde, árvores, plantas, flores e uma simpática escadinha que dava acesso à porta de entrada.
A casa de Werner não existe mais. Contudo, a jabuticabeira quase centenária permanece como um legado para Novo Hamburgo. A filha Gerda é vizinha da árvore, pois ela reside no Edifício Edelweiss – na esquina da Maurício Cardoso com a Gomes Portinho. “Fico observando aqui da janela e torcendo para o pessoal seguir valorizando. Não dá para ficar subindo ou pendurando muita coisa, pois tem muitos anos. Agora, fico feliz em ver a jabuticabeira preservada e valorizada”, relata.
Ao que tudo indica, a jabuticabeira do seu Werner, em 2028, vai receber uma festa para completar um século de história.
