A Imobiliária Terramar completou 35 anos no dia 10 de outubro. Em função do emblemático aniversário, fui convidado a escrever um artigo para ilustrar um caderno especial que está circulando na edição 33 da revista Like Magazine. A pauta era livre e, coincidências da vida, optei por resgatar um pouco da minha infância no Centro de Novo Hamburgo. Falei de uma seringueira localizada em terreno na Rua Mariano de Mattos, exatamente a uma quadra da primeira sede da Terramar.
Caros leitores, com vocês: “A seringueira da Rua Mariano de Mattos…”
Eu cresci na Rua Mariano de Mattos. Ali foi meu quintal nos primeiros dez anos de minha vida. Minha família tinha uma casa à moda antiga, daquelas com um murinho pequeno na frente, um portãozinho gradeado e dois degraus num pequeno recuo antes da porta de entrada. Numa lateral era o acesso à garagem. Na outra tínhamos um generoso jardim: árvores frutíferas, bancos de cimento com assento de madeira, casinha de cachorro, balanço, canteiro de areia e, acreditem, um laguinho com peixes. Meus pais falavam que tinha um peixe elétrico que emitia choques – era a maneira de me manter afastado e não tentar caçar os ocupantes do lago. Um dos nossos vizinhos era o Dr. Bremm, que seguidamente era importunado quando a bola de futebol ia parar na sua propriedade.
Na parte frontal do jardim de nossa antiga residência existiam duas exuberantes e robustas seringueiras. Ali ensaiei meus primeiros passos de como subir e se divertir numa árvore. Brincadeira pura. E, também, tive as lições iniciais de como cair de uma árvore. Uma das seringueiras foi plantada por minha mãe, Miriam Herz Behrend. Essa informação, sabe-se lá o motivo, sempre me acompanhou ao longo da minha vida. Desde guri carrego esse registro e tenho com nitidez a fala da Mami relatando seu gesto.
Guardo com carinho muitas recordações da Mariano de Mattos. Tinha quase na frente de casa a Sapataria Alvorada. Aquele mundaréu de calçados empilhados na prateleira e eu me perguntava: mas ninguém vai retirar esses sapatos? Também tinha – e ainda tem até hoje – o Edifício Alvorada, onde residiram meus avós Werner Alcides Behrend e Clarice Pereira Behrend, a Oma Kiki. Tinha também o Xalaco e o Xalinho, que eram nossos grandes amigos e fieis escudeiros: dois “salsichas” que adoravam correr atrás das bolinhas de tênis.
Ah, e tinham as descidas de carrinho de lomba, os Lombinhas! Ficava com meu triciclo a observar meus irmãos, Claudinho e Tomás, e meus primos, Álvaro e Carolina, descendo “a milhão” a Mariano de Matos. Por vezes, eles vinham embalados da Rua Joaquim Pedro Soares e rompiam a Mariano com cabelos ao vento, olhares determinados e concentração. Era muita adrenalina.
Assim era a Mariano de Mattos da década de 1980.
Hoje, continuo a circular pela rua. E surge uma ponta de nostalgia cada vez que reencontro uma das seringueiras da minha infância. Ela foi preservada dentro do estacionamento do banco Itaú. A sombra que ela oferece acaba criando uma disputa entre os motoristas para estacionar longe dos raios de sol. A seringueira é a minha infância. A seringueira é a minha história. A seringueira da minha mãe é testemunha dos meus primeiros anos de vida. Ela segue lá, agora observando parte da história da nova geração dos Behrend.
Pois foi a uma quadra dessa Mariano de Mattos que começou a história da Terramar. Ocupando uma pequena sala da Bento Gonçalves, a imobiliária foi praticamente vizinha de nossa residência. Sei que pode parecer bobagem – aliás, deve ser mesmo bobagem –, mas acredito que as boas energias da vizinhança e da Mariano de Mattos ajudaram a Terramar a se estabelecer e se fortalecer no mercado.
Além de estar presente na Like Magazine, o caderno especial da Terramar pode ser visualizado no link a seguir: http://issuu.com/novidadesterramar/docs/revista_terramar .
