Quase 50% dos secretários da Prefeitura e diretores de autarquias são de fora de Novo Hamburgo

São Martinho, Nova Hartz, São Leopoldo, Porto Alegre, Nova
Santa Rita, Estância Velha… São desses municípios que vieram alguns dos
secretários municipais e diretores de autarquias de Novo Hamburgo. Se forem
considerados recentes ex-secretários e atuais diretores, pode se incluir Dois
Irmãos, Campo Bom, Sapiranga, entre outros. É uma invasão jamais vista no município, num processo que teve início no governo de Tarcísio
Zimmermann (PT) e segue com o atual prefeito, Luis Lauermann (PT). O recado é
claro: a administração petista não confia no potencial dos
hamburguenses.

Levantamento realizado pelo Portal Martin Behrend, tendo
como referência as informações do site da Prefeitura e entrevistas realizadas
nos últimos anos, traz a seguinte confirmação: de 26 postos do primeiro escalão
da administração, pelo menos 11 são ocupados por forasteiros – CCs que não
moram em Novo Hamburgo ou chegaram faz poucos meses e anos, somente para
cumprir essa tarefa. Se o PT sair do governo, eles vão embora. Simples assim. Nesta semana, mais um exemplo clássico, com a chegada de Ariane Leitão – suplente de vereador em Porto Alegre – que virou diretora na Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS), conforme reportagem do Portal Martin Behrend: http://www.martinbehrend.com.br/noticias/noticia/i…

Se o olhar for um pouco mais rígido sobre o histórico destas
indicações, se alcançará a marca de 13 forasteiros. Isso significa apontar que
50% das pessoas que administram um dos dez municípios mais pujantes do Estado caíram
de paraquedas na Capital Nacional do Calçado. Não é de se admirar, portanto,
que o governo Lauermann – que também é um recente hamburguense – esteja sendo
apontada como a pior da história de Novo Hamburgo. Muitos dos que trabalham na
linha de frente da Prefeitura e autarquias desconhecem a cidade, não valorizam
sua história e usam o emprego para tirar de forma passageira seu sustento.
Existem honrosas exceções apenas para confirmar a regra.

Por que Novo Hamburgo, uma cidade com empresas reconhecidas
mundialmente, com talentos premiados mundo afora, que já exportou tanta
mão-de-obra, com gente apaixonada e disposta a colaborar, chegou nesse estágio?
Por que tanta gente desconhecida está “cuidando” do município? O Portal Martin
Behrend aponta quatro razões:

– Desconhecimento do prefeito Lauermann – Como hamburguense
recente, Lauermann tem relações superficiais e distantes com a maioria da
população e lideranças da cidade. Ele desconhece históricos e perfis locais.
Desta forma, busca companheiros de partido que confia para administrar.

– Cabide de empregos do PT – O Partido dos Trabalhadores
(PT) perdeu espaço em prefeituras da região, como Sapiranga, Estância Velha e
Dois Irmãos, bem como o comando do governo do Estado. Muitos companheiros
ficaram desempregados. Desta forma, o partido acolhe uma legião de CCs
derrotados em outros municípios para trabalhar em Novo Hamburgo.

– Campanha para deputado – Em 2012, Luis Lauermann foi
eleito deputado estadual pela primeira vez. Ele recebeu apoio de diversos
petistas pela região. Como não completou seu mandato na Assembleia para assumir
a Prefeitura, se sentiu obrigado, como voto de agradecimento, a empregar
petistas que ajudaram na sua votação.

– Racha com deputado estadual Tarcísio Zimmermann – O ex-prefeito Tarcísio
Zimmermann – que foi reeleito em 2012, mas a eleição foi impugnada – queria dar
as cartas no governo Lauermann. Mas não levou. O atual prefeito começou a
aplicar seu estilo de governar e definir seus prediletos. Com isso, teve racha
com os “tarcisistas”.

As mesclas com novas culturas, experiências e habilidades são importantes e fazem parte da construção coletiva de Novo Hamburgo. De fato, ser hamburguense não deve ser o único critério
para definir se uma pessoa deve ser secretário municipal.
Outras habilidades
são necessárias, até porque tem hamburguense da gema ocupando cargo do primeiro
escalão respondendo processos judiciais, cometendo irregularidades e dando péssimos exemplos para a
comunidade.

Agora, é inegável que conhecer o município, ser apaixonado
pela cidade, gostar do que se faz, entender a população e saber as demandas
prioritárias são detalhes que não podem ser ignorados. Novo Hamburgo,
atualmente, é uma Torre de Babel. Secretários e diretores se cruzam pelo Centro
Administrativo Leopoldo Petry e não se reconhecem. Um caso clássico é o titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Elton Francisco Rodrigues da Silva. Ele está no cargo para agradar ao vereador Vilmar Heming (PDT), que é filho de criação de Silva. Ex-frentista, o secretário é tão insignificante para a administração que, após três anos no cargo, nem seu perfil aparece na página da SDR. É o retrato de uma cidade semiabandonada,
materializada em tantos problemas registrados pela comunidade.

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