O que têm em comum a equipe da Ulbra vice-campeã da Superliga de Vôlei 2003/2004, o time de futsal do Inter bicampeão mundial em 2002 e o ex-judoca e hoje deputado federal João Derly (PCdoB), bicampeão mundial nos tatames? A resposta tem nome e sobrenome: Marcio Geller Marques. Psicólogo do esporte e professor de Educação Física, ele esteve envolvido e participou do trabalho de preparação dos atletas para alcançarem os objetivos propostos. Sua atuação tem reconhecimento nacional e internacional. Buscando o aperfeiçoamento na área, concluiu doutorado em Esporte e Rendimento pela Universidade de Cadiz, na Espanha, após receber convite da Unicamp (SP).
Marques é porto-alegrense, tem 42 anos e, na adolescência, foi um esforçado jogador de tênis. Atualmente, trabalha com a equipe olímpica de judô da Sogipa. Recentemente, fez um trabalho pontual para a Voleisul/Paquetá Esportes na reta final da Superliga de Vôlei 2014/2015. Ele atende em seu consultório particular dezenas de atletas com títulos nacionais e internacionais de diferentes modalidades. Márcio Marques está retomando sua parceria com o Núcleo de Atendimento Psicológico (NAP) de Novo Hamburgo, onde também pretende desenvolver um trabalho específico com atletas do Vale do Sinos.
A seguir, os principais trechos da entrevista que realizei com o psicólogo.
O esporte brasileiro já “descobriu” a importância da psicologia para alcançar resultados vitoriosos?
Sim, porém vai depender muito do treinador. Hoje não se pode pensar no atleta sem o trabalho da psicologia do esporte.
Em quais modalidades existe um trabalho avançado de psicologia esportiva no Brasil?
Do que eu tenho conhecimento, no judô e no vôlei já trabalham psicólogos do esporte há bastante tempo.
É mais delicado e complicado o trabalho com atletas de modalidades individuais ou de equipes?
O trabalho coma o atleta é igual de ambas as modalidades, porém em esportes coletivos tem que também trabalhar bastante a coesão.
Existe algum case ou exemplo mundialmente reconhecido de um atleta que deu a volta por cima ou se superou em função do trabalho psicológico?
Não podemos dizer que a psicologia do esporte mudou sozinha a vida do atleta. O trabalho é conjunto com os demais integrantes das comissões técnicas. Podemos citar a seleção alemã campeã mundial no Brasil, que tem trabalho de psicologia do esporte, o tenista norte-americano Pete Sampras, entre outros.
Como explicar aquele choro todo de atletas da seleção brasileira na Copa do Mundo? Faltou alguma preparação emocional?
Um aspecto é quando a pessoa chora por alegria depois de uma conquista; outra coisa é quando chora antes de entrar para jogar. Na verdade, não houve um trabalho de psicologia do esporte adequado para enfrentar as demandas de um Mundial, principalmente no Brasil. O trabalho de psicologia do esporte com a seleção foi apenas o perfil psicológico dos jogadores e do grupo. Quando o treinador percebeu que os atletas estavam abalados ou muito sensíveis emocionalmente é que solicitou a intervenção do psicólogo, porém estava no meio da competição. Aí fica difícil conseguir ajudar.
