Na matemática, estão as lições de somar, dividir, subtrair e multiplicar. Na física, as leis de gravidade. Na química, se aprende a medir o PH. Na biologia, estão conhecimentos de como se desenvolvem as plantas. Em cursos técnicos, existem ensinamentos de eletrônica e técnicas industriais, por exemplo. Na psicologia, se aprende a lidar com emoções, perdas e ganhos.
Que tal reunir todas essas habilidades – e outras mais! – numa atividade que tem como desdobramento a produção de alimentos? Eureka, ensinou o cientista e matemático grego Arquimedes.
No dia 5 de agosto, às 9 horas, ocorre o ato de assinatura e o lançamento do projeto Horta Hidropônica.
A proposta de inovação educacional é do Núcleo de Atendimento Psicológico (NAP), de Novo Hamburgo, e será colocada em prática no Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, o CIEP do bairro Canudos. Em tempo: na hidroponia, ocorre a produção de alimentos e plantas sem o plantio no solo, sendo que os nutrientes para o desenvolvimento chegam através da água.
A formalização do projeto, com solenidade no NAP, contará com representantes da escola, da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (2ª CRE) e da Secretaria Estadual da Educação (Seduc). “Estamos entusiasmados e motivados com esse envolvimento dos nossos alunos. Buscamos nos alinhar e criar oportunidades a partir do programa estadual Escola Melhor: Sociedade Melhor. E é isso que está acontecendo”, comemora o diretor da escola, José Silon Ferreira.
Inicialmente, estarão envolvidos estudantes dos nonos anos do Ensino Fundamental (duas turmas) e primeiros anos do Ensino Médio (quatro turmas). São cerca de 150 jovens atingidos diretamente. “É um projeto que pode ser aplicado em todos os níveis do Ensino Básico”, relata o diretor. Atualmente, o Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig atende 1.100 alunos nos três turnos.
HISTÓRICO
A proposta da Horta Hidropônica surge em 2020, a partir de pesquisas realizadas pelo professor Alexandre Ribeiro Frasson. Marido do psicóloga, professora e fundadora do NAP, Aline Kruse, ele encontrou trabalhos desenvolvidos com êxito em escolas de países como Argentina, Equador e Colômbia. “Duas situações me chamaram a atenção: são projetos que envolvem muitas disciplinas escolares e, diante do cenário que vivemos na pandemia da questão do fornecimento de alimentos, surgem como alternativas de produção dentro das escolas”, destacou Frasson.
Determinado a desenvolver o projeto pelo NAP, o professor buscou encontrar uma escola púbica com o perfil vocacionado para o espírito empreendedor, e situada em região mais afastada do Centro de Novo Hamburgo. A partir da indicação do professor Luis Alexandre Cerveira, Frasson chegou ao nome do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig.
BANCADA PILOTO
Para confirmar seus estudos sobre as hortas em escolas do continente, o casal Alexandre e Aline decidiu montar uma bancada piloto no jardim de casa. Eles optaram pelo formato horizontal em razão do espaço disponível. Bingo! Foi um sucesso, não somente com folhosas, como alface e rúcula, mas também outras colheitas deram certo, como tomatinho, berinjela e pimentão. “Confirmamos na prática o funcionamento da bancada. Aliás, comemos bastante alface nos últimos tempos”, destaca o casal.
Uma das vantagens do projeto é seu baixo custo para execução. São materiais disponíveis no mercado, sendo que uma das peças fundamentais é a Placa Arduino e
de relés para
controle da
bomba
submersa e
lâmpada. Existe ainda um pequeno tanque, onde ficam os nutrientes que vão circular pela bancada a partir de uma bomba submersa. Os perfis – locais onde germinarão as mudas – também existem no mercado. Inclusive, no bairro Canudos, tem uma empresa especializada que ajudou no fornecimento de materiais para o protótipo. É a Schaefer Perfis Hidropônicos.
Numa primeira fase, as mudas serão adquiridas para transplantio. A bancada vertical da Horta Hidropônica deverá ter capacidade de receber 80 unidades. A expectativa é que com o transcorrer do projeto novas bancadas sejam acrescentadas e, com isso, se multiplique a produção de alface, rúculas, espinafres e outros alimentos que poderão se desenvolver na proposta.
PRÁTICA
A ideia vem sendo gestada há vários meses. Além da estruturação e experiências com a bancada, já ocorreram reuniões com professores da escola para apresentar a proposta e orientar sobre a forma de conduzir a horta. A 2ª CRE também foi igualmente apresentada ao projeto, que está embasado nos fundamentos do programa Escola Melhor: Sociedade Melhor. Quando ocorrer a assinatura, em 5 de agosto, o projeto estará em execução. A horta deverá ficar nos fundos do colégio, junto a um dos campos de futebol.
Na foto abaixo, um encontro com os professores da escola realizado no NAP.
Uma curiosidade: por sugestão de um amigo, Alexandre Ribeiro Frasson inscreveu o projeto para ser contemplado no Mestrado da UFRGS. E isso aconteceu! Ele é mestrando de Ensino Aplicado da Matemática na universidade federal e documentará, cientificamente, todas as etapas do desenvolvimento da horta.
Os impactos da Horta Hidropônica no desenvolvimento dos jovens têm um alcance que pode superar as projeções iniciais dos idealizadores. “Isso vai mexer com a autoestima, com o empoderamento destes adolescentes. Eles poderão descobrir novas habilidades e perceber questões ligadas ao potencial de empreendedorismo de cada um”, salienta Aline. “Vai despertar vocações”, resume.
Com o reconhecimento da 2ª CRE e também da Seduc, a Horta Hidropônica do Instituto Seno Frederico Ludwig poderá se tornar referência para outras escolas do Rio Grande do Sul. É uma sementinha circulando no bairro Canudos que pode render uma generosa e revolucionária colheita.
