Projeto de encadernação artesanal para cegos posiciona Novo Hamburgo com destaque no cenário nacional

A metodologia testada e colocada em prática foi homologada e certificada em 26 de abril de 2026

Voluntário e aluna cega em aula de experimentação tátil e sensorial das dimensões não visíveis do papel. Dora Lampert/Divulgação

Um projeto realizado em Novo Hamburgo envolvendo pessoas cegas ou com baixa visão, trabalhando com materiais reaproveitáveis e reutilizáveis, alcançou um novo patamar.

Em 26 de abril deste ano, a iniciativa liderada pelo artista e produtor cultural hamburguense Alex Riegel foi registrada na Fundação Biblioteca Nacional – Escritório de Direitos Autorais com a seguinte identificação: “Metodologia de Ensino de Encadernação Artesanal para Pessoas Cegas e Baixa Visão”.

A proposta colocada em prática tem à frente o Espaço Cultural Projeto Do Lixo ao Livro e QG Produções Artísticas, de Novo Hamburgo.

Essa etapa alcançada vem sendo comemorada pelos integrantes dessa iniciativa. “Até o momento, não identificamos nenhum outro projeto ou até mesmo uma metodologia semelhante voltada para o ensino específico de técnicas de encadernação artesanal envolvendo pessoas cegas e baixa visão no Brasil. Resultados como esse aumentam a nossa satisfação e enaltecem a nossa comunidade empreendedora da cultura e criatividade”, salienta Riegel.

PROJETO PILOTO

O projeto piloto que resultou na metodologia certificada foi idealizado por Alex Riegel com apoio do ex-presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo (Adevis-NH), Ricardo Seewald – ele veio a falecer em fevereiro deste ano, conforme noticiado pelo Portal Martin Behrend: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/faleceu-o-presidente-da-associacao-dos-deficientes-visuais-de-novo-hamburgo .

O projeto atendeu cerca de 30 pessoas durante alguns meses de 2025. Os encontros foram realizados na biblioteca da Adevis e na sala 31 do Centro Municipal de Cultural Dr. Parahim Pinheiro Machado Lustosa. Um grupo de voluntários e assistentes sociais participou ativamente dos compromissos.

Por ser algo novo e com caráter experimental, houve um grande esforço coletivo a fim de estabelecer rotinas, critérios e parâmetros para as atividades com os cegos e as pessoas de baixa visão. “Tudo para descobrirmos um caminho inclusivo de comunicação, empatia, interação, processos e resultados”, explica Riegel.

Os participantes cegos e de baixa visão passaram a ter experiências envolvendo o conhecimento sensorial tátil, auditivo e olfativo de objetos, ferramentas, texturas, dimensões e aromas. Para quem tinha condições, também teve etapas de leituras. Cada participante executou a construção manual de seu próprio caderno artesanal. “Outro aspecto importante é a reativação de resíduos. Utilizamos diversos tipos de resíduos industriais e domésticos da própria cidade na preparação das capas dos cadernos”, destaca Riegel.

 

 

ANOTAÇÕES

Todas as etapas foram sendo registradas e documentadas. Em determinados momentos, as pessoas de baixa visão também ajudavam os cegos totais, assim como voluntários contribuíram com orientações e cuidados com materiais perfurocortantes.

Essa grande jornada resultou em um relatório que serviu como base para a elaboração da metodologia de ensino, que foi protocolada no Escritório de Direitos Autorais. “A partir de agora, temos um ponto de partida para novos modelos de projetos prevendo ações formativas que atendam demandas de afirmação cultural, criativa, acessível e inclusiva”, finaliza Riegel.

ORIGEM

A “Metodologia de Ensino de Encadernação Artesanal para Pessoas Cegas e Baixa Visão” tem origem dentro do Espaço Cultural Projeto Do Lixo ao Livro, criado por Alex Riegel, em 2019. A empresa QG Produções Artísticas – fundada por Riegel em 1999 – enviou uma proposta que incluía o projeto e concorreu no Edital PNAB 10/2024 – Subsídio aos Espaços Culturais de Novo Hamburgo.

A proposta foi selecionada e o valor do investimento financeiro recebido subsidiava a manutenção e a permanência da sede do espaço Cultural Projeto Do Lixo ao Livro. Ao mesmo tempo, o projeto piloto com cegos e pessoas de baixa visão foi realizado como forma de contrapartida sociocultural.

 

FICHA TÉCNICA 

Criação e execução: Alex Riegel

Produção executiva: QG Produções Artísticas

Iniciativa cultural: Projeto Do Lixo ao Livro

Assistente do Produção: Angelo Marques

Assistente de Arte: Martina Riegel

Assistente de Audiovisual: Marlon Nunes

Assessoria Contábil: Rogério Castro

Agradencimentos especial: Adevis NH, Ricardo Seewald (in memoriam), Lorenço Dasembrock, Taiane Rodrigues, Dora Lampert, Débora de Moura, Secretaria da Cultura de Novo Hamburgo

Apoio Cultural: Cifa Fios e Linhas

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