Presidente do Sindicato dos Médicos do Vale do Sinos escreve artigo polêmico colocando prefeitos e governadores sob suspeita

“Respeito a opinião do colega, mas é impossível concordar.”

“Olha o nível da opinião do presidente do sindicato.”

“Infelizmente é a opinião de um utilitarista, que acha que se já tinha comorbidade ´ia morrer igual´. É impressionante!”

“Será que ele luta por seus pacientes?”

“Esse médico tem de ser retirado dessa presidência.”

“Certamente é um médico que não está na ponta do atendimento.”

Ao longo desta segunda-feira (15) a reportagem do Portal Martin Behrend vem recebendo mensagens relacionadas a um artigo . O texto é de autoria do cirurgião plástico Kleber Fisch, presidente do Sindicato dos Médicos do Vale do Sinos (SindMed). Num dos trechos, ele coloca prefeitos e governadores sob suspeita de desvios de recursos públicos.

O artigo foi publicado nesta segunda-feira (15) em espaço pago que o sindicato tem no Jornal NH, de Novo Hamburgo.

Conforme apurado pelo Portal junto a alguns profissionais, a opinião na coluna é de responsabilidade exclusiva do presidente e não de toda a classe médica.

Em razão da repercussão crescente e do interesse dos leitores, a reportagem do Portal Martin Behrend publica na íntegra – grafia original – a manifestação de Kleber Fisch na coluna do SindMed. Confira abaixo.

QUEM ESTÁ MORRENDO

Com a guerra de interesses e informações devemos avaliar com muito cuidado as estatísticas que são apresentadas diariamente por todos os meios jornalísticos e oficiais.

Para quem vive em num país com uma grande porcentagem de analfabetos e, muito mais alta ainda de analfabetos funcionais, aqueles que sabem ler mas não compreendem o sentido ou informações contidas num texto, temos a obrigação de esclarecer os números da Covid19. Voltando aos analfabetos, quem pensa que isto é uma indicação de pessoas de baixa renda ou pouco esclarecidas se engana. Temos hoje acima de 30% de formandos de nível superior sem as mínimas condições de exercer plenamente a profissão a qual se propuseram aprender.

Quanto aos números, assim como as palavras, podem ser manipulados.

Iniciamos com o “apavorante” número de mortos no Brasil destacado pela mídia, mostrando que estamos em terceiro lugar no mundo. Na realidade sempre estaremos em primeiro entre os números totais de casos e mortes em qualquer patologia, pelo simples fato de que somos um dos cinco maiores países do mundo. O que realmente importa é o número de óbitos por milhão de habitantes, e neste quesito estamos em 22º, significando o bom sinal uma alta taxa de recuperação e cura entre os infectados.

Agora vamos analisar os dados daqueles que faleceram. A maioria está acima dos sessenta anos e alguns entre quarenta e sessenta. Quando individualizados estes casos, em noventa por cento eles associam-se a outras patologias severas. Isto significa que se estas pessoas forem acometidas por eventos cirúrgicos, pneumonias, fraturas e outros semelhantes, a chance de morte é igual ou superior ao contato com o Covid-19. Naqueles acima de 85 anos, mesmo saudáveis, qualquer doença tem alto risco de morte nesta faixa etária. Nos mais jovens 95% tem comorbidades severas. Dentre estas comorbidades está um percentual alto de sequelas de AVC, câncer terminal, diabetes severas, patologias cardíacas e outros. Quanto aos sãos, existe um percentual de cardíacos graves não diagnosticados.

Quando eliminados todas estas pessoas, já com alta probabilidade de morte em suas vidas naturais sobra cerca de um caso por mil habitantes, que morrerem exclusivamente pelo Vírus.

Esta taxa real é igual ou menor do que muitas patologias importantes ou acidentes no Brasil.

Então porque tamanho alvoroço dos governos municipais ou estaduais? A resposta está no baixo investimento na área física de hospitais, equipamentos e especialmente no aparelhamento humano. Com a demanda por internações aumentando, seria exposto o desleixo com a saúde pública.

Nos obrigam a acreditar nessa versão apocalíptica, quebraram pequenas e grandes empresas, arrasaram nossa economia por pelo menos cinco anos e, ainda pior, quando receberam verbas de apoio federal, as desviam de todas as maneiras para lucros pessoais.

Pelo menos descobrimos os verdadeiros vilões!

Um abraço. Kleber Fisch – Presidente

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