Presidente da UENH quer Passe Livre para estudantes de Novo Hamburgo e fala da sede semiabandonada

Matheus Massia é o atual presidente da União dos Estudantes de Novo Hamburgo (UENH) na gestão 2014/2015. Foi eleito em 28 de novembro de 2014, num congresso realizado em auditório da Ftec Faculdades, no Centro do município. Morador do bairro Rio Branco, ele é estudante do Colégio Estadual 25 de Julho, um dos maiores e mais tradicionais educandários hamburguenses.

Nesta entrevista exclusiva ao blog Martin Behrend, ele fala das bandeiras da UENH, a necessidade de implantação do Passe Livre pela Prefeitura a fim de reduzir a evasão escolar, qual será a postura da entidade em relação aos protestos contra a corrupção e o futuro da sede da entidade, que está semiabandonada na Rua Gomes Portinho – ao lado da escadaria. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Quais são teus compromissos e bandeiras na presidência da UENH?

Meu compromisso é o compromisso do estudante: lutar por melhorias e recursos que realmente vão chegar e dar um maior suporte ao estudante nesse ano letivo. Entro com a missão de "reinventar" a UENH, mudar sua cara, buscar novas lutas, novas pautas e, com certeza, novas conquistas. Pautas do transporte público (melhorias no transporte / Passe Livre / meio passe ilimitado) e a assistência estudantil são nossas principais pautas. Levanto também debates de interesse dos estudantes para dentro das escolas.

Como está

o engajamento dos estudantes de Novo Hamburgo em questões atuais da comunidade?

Os estudantes estão cada vez mais inclusos dentro do mundo comunitário. Pautas e problemas da cidade, e até mesmo do bairro, têm se tornado cada vez mais frequentes na roda de debates, roda de conversa e nos interesses dos alunos. Muitos, inclusive, já participam da associação comunitária de seu bairro.

Qual a maior dificuldade encontrada pelos estudantes hamburguenses?

Nossa cidade vive uma série de dificuldades que acabam atingindo os estudantes de Novo Hamburgo. A mudança do Ensino Médio para ensino politécnico acabou sendo a primeira delas. Falta de estrutura e preparação necessária acabam por tirar a qualidade do ensino na nossa cidade. No transporte público, pagamos um preço abusivo em relação a qualidade do transporte que usamos. Cidades menos desenvolvidas já conquistaram Passe Livre e a falta de recursos dos estudantes acaba, por consequência, gerando um alto número de evasão escolar. Além disso, a violência frequente no entorno das escolas também afeta os estudantes.

Qual a relação da entidade com a Secretaria Municipal de Educação? Existe diálogo e sintonia?

Atualmente, a UENH mantém um diálogo com a SMED, porém estreito. Ainda esperamos uma oportunidade para conversar e manter maior contato e parcerias com a secretaria, que representa muito para a entidade.

A UENH vai para as ruas protestar no dia 15 de março contra os casos de corrupção no governo federal?

A entidade em si é apartidária, portanto, mesmo sabendo que o impeachment seria algo antidemocrático pelo fato de Dilma Rousseff ter sido eleita, não veremos as bandeiras da UENH nem em impeachment nem em protestos a favor de sua permanência. Levaremos apenas o debate sobre a atual situação política do nosso país. Porém, integrantes por si participarão de seus atos.

A UENH é afiliada da UBES, que vem fazendo defesa pública da Petrobras – embora todos casos de corrupção na empresa. Qual a posição da UENH em relação aos desvios e corrupção na Petrobras?

Os integrantes da UENH vêm acompanhando atentamente as notícias que repercutem nos canais de comunicação do nosso país, que transmitem diariamente o desenrolar da Operação Lava Jato, operação que está sendo protagonizada por executivos e políticos corruptos que estão manchando a imagem da estatal brasileira por meio de superfaturamento de contratos e desvios de recursos. Nós acreditamos que devemos agir em defesa da maior empresa petrolífera do mundo e maior estatal de nossa nação, que emprega milhares de trabalhadores brasileiros e garante o desenvolvimento econômico do país. Entretanto, devemos repudiar qualquer ato que denigra a imagem de referência e competência da estatal e todo acusado deve ser punido. Sendo assim, confiamos no potencial da empresa em garantir o desenvolvimento do nosso país, já que bilhões de reais são destinados para educação e saúde por ano em todo território brasileiro. A UENH permanece firme em fortalecer a luta por mais investimento na educação, assim como foi em 2013 quando o Congresso Nacional aprovou a destinação de 75% dos royalties do pré-sal para educação, consequência dos movimentos sociais por todo o Brasil.

A sede da Rua Gomes Portinho ainda é da UENH? A casa está abandonada?

Sim, a nossa sede continua na Gomes Portinho, acima da escadaria. A sede nunca esteve abandonada, apenas foi mal usada e mal cuidada, inclusive sendo arrombada em muitas noites – temos marcas e buracos de arrombamento na casa. Atualmente, trabalhamos firme para revitalizá-la, estamos em busca de patrocínio para reconstruir o que foi quebrado e pintar a sede. Ainda procuramos apoio da Prefeitura e da Câmara de Vereadores para poder terminar, como trocar portas, fechaduras, janelas e a mobília da casa. Confecção de carteirinhas de estudante e atividades de arrecadação de dinheiro já vêm sendo executadas para que possamos fazer as melhorias necessárias.

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