Nesta quarta-feira (15), milhares de pessoas foram às ruas protestar contra o governo Jair Bolsonaro (PSL) em razão da redução de investimentos na educação.
Foi a Greve Nacional da Educação convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e outras entidades.
As manifestações foram registradas em 160 cidades brasileiras, com destaque para algumas capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, que atraíram dezenas de milhares de estudantes e professores.
Enquanto professores e estudantes protestavam nas ruas, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, estava sendo cobrado por deputados federais no Congresso Nacional, em sabatina que durou mais de quatro horas. Os deputados buscavam entender o que estava sendo feito com os recursos para a educação, se era corte ou contingenciamento.
NOVO HAMBURGO
Em Novo Hamburgo, também ocorreram protestos. A maior mobilização ocorreu na Praça Punta del Este, em frente ao Bourbon Shopping. Segundo organizadores de outras manifestações no local, estiveram reunidas cerca de 500 pessoas. Segundo a Guarda Municipal, foram cerca de 700 participantes. Segundo os organizadores, foram cerca de 1.000 manifestantes.
Num segundo momento, houve caminhada até a Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo. Lá, cerca de 150 manifestantes estiveram reunidos, sendo que alguns – aproximadamente 70 – foram acompanhar a sessão da Câmara.
Embora a rede municipal tenha quase 2.000 trabalhadores na educação, e o município conte com mais de 40 mil alunos e estudantes – incluindo instituições públicas e privadas – , a adesão foi considerada baixa. Dessa forma, qual o motivo de um movimento fraco nas mobilizações no municípios?
Uma das explicações é o componente político. A presença de entidades historicamente ligadas a partidos como PT, PCdoB, PDT e PSOL afastou muita gente exatamente por, nos últimos anos, serem os partidos que colocaram a educação num dos piores patamares da história.
MASSA DE MANOBRA
Um exemplo claro dessa situação veio de uma escola do bairro Rondônia. A reportagem do Portal Martin Behrend teve acesso a um documento elaborado pelos professores e colaboradores da escola, e que deveria ser repassado ao Sindicato dos Professores Municipais de Novo Hamburgo (SindProfNH). Contudo, o texto em aprovação acabou vazando num grupo de WhatsApp. Dessa forma, a finalização do ofício atrasou e seria enviada na noite desta quarta-feira ao sindicato.
Na carta, os professores reclamaram que, nos protestos de 22 de março contra a Reforma da Previdência, se sentiram incomodados com a presença ou adesão de políticos do PT, entre eles, o ex-secretário da Educação, Beto Carabajal, acusado do desmonte de parte da educação no município, e do ex-prefeito e ex-deputado estadual Tarcísio Zimmermann. Os educadores também não engoliram a presença de lideranças da CUT.
Num trecho, foi colocado: “Entendemos que tal atitude possui caráter político, uma vez que o SindProf/NH, até o nosso conhecimento, não possui nenhuma forma constituída de partidarismo, onde este, deve observar a neutralidade.”
Na manifestação, o grupo ainda destacou que as lutas devem ser pela educação sem bandeiras ideológicas, evitando que os professores sejam massa de manobra. O Portal Martin Behrend conversou com um dos porta-vozes do grupo, que disse ter relação aberta e tranquila com o SindProfNH e, por essa razão, decidiram se manifestar.
Segundo informado à reportagem, um ofício finalizado seria enviado ao SindProfNH ainda na quarta-feira (15), para posterior publicação em rede social. Como a carta ainda não foi publicada oficialmente, o Portal Martin Behrend se reserva ao direito de preservar o nome dos entrevistados.
