Premiada escritora questiona: “A quem interessa que a Feira do Livro de Novo Hamburgo esvazie?”

A escritora Simone Saueressig, nascida em Campo Bom e moradora de Novo Hamburgo, escreveu uma
série de quatro artigos no blog Porteira da Fantasia: https://porteiradafantasia.wordpress.com
.
Premiada e reconhecida nacionalmente, ela externa novamente sua preocupação com
os destinos e o acanhamento da tradicional Feira Regional do Livro de Novo
Hamburgo. Em 2010, ela conquistou o prêmio Livro do Ano – Narrativa
Longa, da Associação Gaúcha de Escritores com o romance “ A urum
Domini – O ouro das Missões” (Artes e Ofícios Editora). Em 2012, seu romance de
Ficção Científica “B9” foi finalista no concurso Argos, promovido pelo Clube de
Leitores de Ficção Científica. A seguir, o quarto e último artigo produzido por Simone.

“Há um último ponto sobre a Feira do Livro que eu preciso
falar, e depois juro que me calo, pelo menos até o ano que vem.

Anualmente, mais ou menos nesta época do ano, ouço de que
não haverá Feira do Livro. O evento seria muito caro – a Cultura sempre é vista
como um gasto, nunca como um investimento no bem-estar comum – e sempre resulta
em inúmeras reclamações. Então a solução é diluí-lo em outro evento – como foi
no ano passado – como se a Feira não tivesse protagonismo. Ou ameaçar com não
realizá-lo.

A quem interessa que uma Feira de Livros – uma feira que
mistura comércio e Cultura, que incentiva a presença das pessoas em locais
públicos, que movimenta espaços urbanos, que possibilita a troca de ideias, que
proporciona o contato com o que temos de melhor em nossa civilização: a Arte em
suas diferentes facetas – a quem interessa que semelhante evento se esvazie?
Que interesses estão por trás disso? Quem se beneficia de uma praça deserta, de
um povo que não lê, que não se informa, que não se apaixona pela cidade onde
vive? Quem sai vencedor quando as pessoas se trancam em suas casas, ligam sua
internet e se dedicam a trocar impropérios pelas redes sociais, em vez de
valorizar os talentos de sua própria cidade e região, visitar seus espaços,
valorizar o que a cidade tem de bom e viver no mundo real?

Uma feira cultural é mais do que os livros que ela vende,
que o quitute que se consome, que o teatro que se visita, que o artista que se
admira. Ela é parte da maneira como vemos o mundo e do que esperamos construir
nele. Não dá para abrir mão da Feira do Livro, como não dá para abrir mão do
Carnaval ou da programação de Natal, porque não dá para abrir mão da
felicidade. Precisamos investir, também, na alegria. Alegria: esse bem comum
que dá sentido à vida.

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