A não vacinação contra a Covid-19 de professores de cursos de idiomas gerou descontentamento e desencontros, em Novo Hamburgo.
Na semana passada, professores e trabalhadores da educação receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca/Oxford, em Drive Thru realizado na Fenac.
Na fila pela aplicação do imunizante também estavam professores de escolas de idiomas. Só que eles não puderam se vacinar. Foram orientados por integrantes da Secretaria Municipal da Saúde que eles não estavam enquadrados no grupo que deveria receber a vacina.
A reportagem recebeu algumas mensagens de professores, donos de escolas e familiares:
“Não vejo diferença entre uma escola privada de ensino fundamental e uma escola privada de idiomas. Os professores atendem as mesmas crianças, com os mesmos objetivos e correm os mesmos riscos.”
“Professor é professor, sem discriminação. Estão todos indignados.”
“Na hora de fechar escolas fomos considerados estabelecimento de ensino como todos os outros, mas para vacinar não somos.”
“Tenho colegas professores que se deslocaram ao Drive Thru, gastando tempo e combustível para conseguir sua vacina.”
Então, o que ocorreu para estes professores acreditarem que poderiam ser vacinados?
MENSAGEM
A Prefeitura de Novo Hamburgo, em sua divulgação oficial em cards nas redes sociais e releases, não informou que haveria vacinação para professores de cursos de idiomas.
Contudo, um diálogo na rede social Facebook, no perfil da prefeita Fátima Daudt (PSDB), acabou gerando uma interpretação de que esses professores estariam incluídos no Drive Thru.
A primeira parte do diálogo entre internauta e integrante da equipe da prefeita é assim:
Internauta pergunta: “Professores de cursos de idiomas, se encaixam tb?”
Perfil de Fátima Daudt responde: “… tudo bem? Caso a escola seja credenciada também serão vacinados. #Equipe”
Internautas responde: “Fatima Daudt obrigada!!”
Um Print desse diálogo circulou com força entre os professores de idiomas. E, dessa forma, muita gente foi pra fila do Drive Thru.
Só que aí vem a sutileza das palavras. Professores de idiomas em escolas anunciadas pela Prefeitura foram, sim, vacinados. Ou seja, professores de idiomas em creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes, EJA, e ensino superior receberam o imunizante.
A Prefeitura argumenta que segue orientações do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde. E, nas duas orientações oficiais sobre a vacinação dos trabalhadores na educação, não foi informado o público dos professores de idiomas.
MINISTÉRIO DA SAÚDE
A 7ª edição do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid do Ministério da Saúde é o documento mais recente. É de 17 de maio.
Nas páginas 30 e 31, aparece a lista de grupos prioritários:
18 – Trabalhadores da Educação do Ensino Básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA)
19 – Trabalhadores da Educação do Ensino Superior
O documento completo pode ser acessado aqui: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/publica… .
SECRETARIA ESTADUAL DA SAÚDE
A Secretaria Estadual da Saúde divulgou, em 2 de junho, a RESOLUÇÃO Nº 132/21 da Comissão Intergestores Bipartite/RS.
No documento, é orientado:
IV – Destinar 29.425 doses (20%) para o grupo de Trabalhadores da Educação Básica iniciando a vacinação pela Educação Infantil
(creches e pré-escolas).
Art. 2° – Alcançada a totalidade da vacinação dos grupos
prioritários, de acordo com o seu ordenamento até o item 17, descrito no Plano
Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19, 7ª edição,
avançar na vacinação dos Trabalhadores da Educação e posteriormente na
vacinação do grupo etário de 50 a 59 anos em ordem decrescente de idade
O documento completo pode ser acessado aqui: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202106/070… .
OUTROS CASOS
Em 1º de junho, o G1 fez reportagem sobre este tema com um posicionamento da Prefeitura de Fortaleza (CE): “Professores de autoescola e de cursos de idiomas não constam na lista de profissionais de educação da 4ª fase”. A matéria pode ser conferida aqui: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2021/06/01/p… .
No dia 5 de junho, o jornal O Tempo, de Belo Horizonte (MG), divulgou reportagem na mesma linha, informando que professores de escolas de idiomas não estavam contemplados nesta etapa. A matéria pode ser conferida aqui: https://www.otempo.com.br/cidades/vacinacao-contra… .
POSICIONAMENTO
A Prefeitura entende o descontentamento dos professores, mas reforça que não divulgou que escolas de idiomas estariam contempladas – embora o diálogo no perfil da Prefeitura tenha dado margem para interpretações.
Sobre a vacinação destes professores, a Prefeitura explica que devem aguardar a chamada pelas idades, conforme orientação do Ministério da Saúde.
Algumas escolas de idiomas buscam, através do diálogo com a Secretaria Municipal da Saúde, viabilizar vacinas a partir do recebimento de novas doses nos próximos dias.
