Prefeitura e Consepro conversam, mas não chegam a um consenso para trabalharem juntos

Por: DOC – Agência de Conteúdo

Diz a sabedoria popular que quando um não quer, dois não
fazem. E quando os dois querem e mesmo assim as coisas não acontecem? É
basicamente o que acontece nesse momento na relação entre a prefeitura de Novo
Hamburgo e o Consepro (Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública de Novo
Hamburgo). Ao menos no discurso, ambos afirmam estarem prontos para formatar
uma parceria que beneficie a segurança na cidade. Na prática, divergências e
falta de diálogo impedem que o Consepro tenha um papel mais efetivo.

A dificuldade em traçar um planejamento comum com a entidade
que representa parte importante da sociedade de Novo Hamburgo não é uma
exclusividade da atual administração. De acordo com o presidente do Consepro,
Diogo Boos, as tratativas eram difíceis já na gestão anterior. “Seguimos com
vontade de colaborar. Já estamos atuando, mas temos certeza de que podemos
fazer mais. Tínhamos a perspectiva de trabalharmos mais em função do fato de a
prefeita Fátima Daudt (PSDB) ter dito durante a campanha que trabalharia com o Consepro”,
lembra Boos.

Um dos pedidos do Consepro era uma reunião diretamente com a
prefeita, no que a entidade não foi atendida. Um encontro, no entanto, foi
realizado com o secretário de Segurança Pública, Roberto Jungthon, para
discutir possíveis parcerias, mas a situação não avançou. “Temos uma nova legislação
que regula as parcerias entre o Poder Público e as entidades. Isso é bastante
recente, e nesse momento estamos estudando o que muda e o que é permitido
fazer. Decidimos em reunião que tanto nós quanto o Consepro iremos estudar esse
marco regulatório”, explica Jungthon.


Para o presidente do Consepro, no entanto, o novo marco
regulatório não é o entrave para a formatação de um trabalho conjunto. “Antes
mesmo dessa nova legislação já não havia qualquer avanço. Falta vontade em nos
receber e sobram evasivas. A impressão que fica é que o estudo do marco
regulatório é muito mais para encontrar justificativas para que não se faça uma
parceria, do que para realmente avançar”, ressalta Boos.

Atualmente o Consepro tem feito repasses mensais para a
Brigada Militar a partir de doações da comunidade e também com recursos
oriundos de processos judiciais. O principal problema da entidade, no entanto,
é a falta de um fluxo de recursos mensais, que possibilitariam que fosse
beneficiada também a Polícia Civil, e mesmo a Guarda Municipal.

Uma das possíveis fontes de recursos seria a Faixa Nobre,
atualmente administrada pela Companhia Municipal de Urbanismo. O objetivo do
Consepro é aplicar ao menos parte dos valores recolhidos pela Faixa Nobre na
Segurança Pública. Internamente, no entanto, a informação que circula na
prefeitura é a de que isso improvável de vir a acontecer. “Notamos o ceticismo
em relação a essa proposta. No entanto, é preciso que os recursos com o estacionamento
rotativo sejam aplicados em algo que agrade a comunidade, que as pessoas vejam
que vale a pena pagar esse pequeno valor para estacionar porque os recursos
realmente ajudarão”, afirma o presidente do Consepro.

Enquanto prefeitura e Consepro não chegam a um consenso
sobre como trabalharem juntos, a cidade sofre com a criminalidade. De acordo
com a Secretaria da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul, a cidade
registra sete roubos e três novos furtos de veículos a cada dia. A situação
será debatida pelo Consepro com a Comissão de Segurança da Câmara de Vereadores
no próximo dia 8 de junho, às 14h.

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