A Prefeitura de Novo Hamburgo bateu o martelo: vai partir
para uma ação que busque resolver o histórico gargalo do Arroio Luiz Rau no
trecho da avenida 7 de Setembro.
Desde 9 de março, o trecho está interditado no local – na ligação
das avenidas Pedro Adams Filho e 1º de Março. Isso porque, naquela manhã se
abriu uma cratera gigante junto à ponte que existe no local em razão da força
das águas da chuva.
Na manhã desta quinta-feira, a imprensa foi convidada para o
anúncio realizado na Secretaria Municipal de Obras, no Centro Administrativo
Leopoldo Petry. “Poderíamos colocar pedras e terra no buraco. Largar umas britas
e tapar com asfalto. Mas seria empurrar o problema para a frente”, explica o
secretário de Obras Públicas, Serviços Urbanos e Viários, Raizer Ferreira.
A Prefeitura vem trabalhando, desde o dia do acontecimento,
nas avaliações e estudos sobre o que deve ser feito no local. Na última semana,
a Prefeitura recebeu orçamento e estudos sobre as alternativas a serem
adotadas. Com esses dados, se tomou a decisão pela galeria. A obra terá um
custo aproximado de R$ 500 mil e levará cerca de 120 dias (quatro meses). Neste
período, o local seguirá interrompido.
A decisão pela intervenção envolveu engenheiros da
Prefeitura e também a Secretaria da Fazenda em razão do custo da obra. Como já
existe um contrato para manutenção da macrodrenagem no município, as máquinas
deverão começar a mexer no local nos próximos dias. “Na verdade, a obra já
começou, pois fizemos levantamentos e ficamos trabalhando desde o dia 9 de
março para decidir pela melhor alternativa para o município”, enfatizou o
secretário municipal da Fazenda, Gilberto dos Reis, o Betinho.
HISTÓRICO
Segundo o diretor de Esgotos Pluviais de Novo Hamburgo, engenheiro Ricardo Al-Alan, a ponte da avenida 7
de Setembro é um dos maiores funis e geradores de problemas em inundações no
município. “Ali ocorre um represamento. Então, temos o fenômeno chamado de
turbilhonamento. A água fica ali remexendo no material junto à ponte, cavocando
o fundo do leito. Isso prejudica todo fluxo da água”, explica.
Al-Alan lembra que, com a obra da Trensurb, o arroio foi
alargado nas avenidas Nações Unidas e 1º de Março, mas somente até onde está o
Atacadão. Dali em diante, ele estreita e, na ponte da 7 de Setembro, encontra
seu primeiro grande obstáculo e causando um grande represamento. “A ideia da
galeria é liberar o fluxo de água por uma outra seção. A água virá pelo arroio
e seguirá por seu curso normal ou passará pela galeria. Com isso, não teremos
mais a força da água causando esse turbilhão que, há anos, provoca problemas na
cabeceira da ponte”, reforça.
Ele também salienta que a ponte não precisa ser substituída,
pois está íntegra. A galeria será construída no lado oeste – em direção a
BR-116 – e terá dois metros de altura e três metros de largura. “Esse é um dos
gargalos, mas não é o único. É preciso um conjunto de ações. Mas estamos
atacando essa situação, já que nas pontes seguintes, nas ruas Rodrigues Alves,
Pinheiro Machado e Manágua, a situação não é tão problemática como na 7 de
Setembro”, destaca o engenheiro.
No encontro, também foi destacado que a ação de uma draga
será fundamenta para desassorear os arroios, mas o governo do Estado ainda não
deu prazos para ceder as máquinas em razão do grande envolvimento com as
enchentes na Fronteiro no começo deste ano.
ÍCARO E SÃO LUIZ
Durante o encontro com a imprensa, foi lembrado que extravasor
da rua Ícaro resolveu um histórico problema de alagamentos no bairro Canudos. “Alguém
sabe de reclamações no local? Não. Ninguém liga para elogiar. Mas foi feito o
investimento correto no local”, destaca Al-Alan.
Questionado se a obra poderá se tornar uma novela como a
ponte na rua São Luiz Gonzaga, que após desabar parcialmente em janeiro de 2014
precisou de quase dois anos para ser reerguida no governo do ex-prefeito Luis
Lauermann (PT), Raizer descartou qualquer grande prolongamento. “Claro que
temos as questões climáticas a serem observadas, já que se chove três ou quatro
dias seguidos prejudica as obras. Mas estamos estimando em 120 dias a execução”,
afirma Raizer.
TRÂNSITO
Por ter comércios no local, a Prefeitura pretende reforçar
ainda mais a sinalização existente no local. Já foram colocadas placas,
cavaletes e faixas indicando a interdição, e isso poderá ser reforçado, já que
alguns motoristas estão realizando manobras indevidas no local. “Vamos fazer o
máximo para minimizar os problemas dos comerciantes deste trecho. Mas não tem
como fazer uma melhoria desse tamanho sem algum reflexo imediato”, finaliza
Raizer.
