Prefeitura de NH se manifesta sobre médico preso pela Guarda Municipal na UPA Centro

O posicionamento foi divulgado na tarde deste sábado

Dirigentes do Simers estiveram reunidos, nesta sexta-feira, com a secretária municipal da Saúde. Simers/Divulgação

Quase 48 horas após um lamentável incidente na UPA Centro, na Rua Visconde de Taunay, em Novo Hamburgo, a Prefeitura de Novo Hamburgo divulgou, na tarde deste sábado (28), uma manifestação oficial.

Na noite de quinta-feira (26), o médico Rubem Antonio Citton Júnior, que trabalhava na UPA, foi detido, algemado e apresentou lesões em razão da abordagem realizada pela Guarda Municipal. A alegação para a prisão do médico seria suposto desacato de autoridade, após discussões entre médicos e um guarda municipal que atua na UPA.

Entre os motivos para a discussão, estariam um pedido para acalmar pacientes que aguardavam ser chamados para atendimento e o horário de jantar do guarda. Segundo familiares, o médico quebrou duas costelas.

Confira a manifestação na íntegra da Prefeitura:

“O Município de Novo Hamburgo lamenta o episódio ocorrido na noite de quinta-feira (26), envolvendo um profissional da saúde e um agente da Guarda Municipal, nas dependências da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Centro.

Desde o primeiro momento, ambos receberam o devido acompanhamento de suas chefias, com acolhimento e suporte, tanto durante a ocorrência quanto posteriormente.

A Administração Municipal reconhece que os ambientes de urgência e emergência são, por natureza, espaços de alta pressão, exigindo preparo técnico, equilíbrio e, sobretudo, condições adequadas de trabalho. Nesse sentido, já foram determinadas revisões nos fluxos de atendimento das UPAs, com o objetivo de aprimorar rotinas e oferecer mais segurança e organização para todos os envolvidos.

Da mesma forma, é importante destacar o papel essencial da Guarda Municipal, que atua diariamente na proteção da população, na preservação da ordem pública e no apoio às demais forças de segurança. Trata-se de uma corporação comprometida, que cumpre sua missão com seriedade e profissionalismo em todas as regiões da cidade.

O momento pede responsabilidade, serenidade e equilíbrio. Situações como essa devem ser analisadas com cautela, dentro dos trâmites legais, assegurando o direito à ampla defesa e à devida apuração dos fatos.

Ambas as categorias são fundamentais para o funcionamento da cidade e para o cuidado com a população, e não podem ter sua trajetória e relevância comprometidas por um episódio isolado.”

SIMERS

Nesta sexta-feira (27), o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, e a diretora do Simers, Débora Espírito Santo, estiveram em Novo Hamburgo. Conforme registros do próprio Simers, eles estiveram na UPA Centro e na Prefeitura de Novo Hamburgo. Matias e Débora conversaram com o diretor técnico da UPA, Rodrigo Franco, e com a secretária municipal da Saúde, Betina Espíndula.

“Estamos solicitando uma investigação da própria Prefeitura. E vamos solicitar uma investigação pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). A investigação é fundamental. Defender os profissionais da saúde é defender a saúde da população”, salientou Matias. “A posição da Guarda Municipal é inaceitável”, completou. Ele defende o afastamento do guarda municipal. “Todos os funcionários estão muito impactados em razão do que ocorreu”, completou.

CREMERS

A Diretoria do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) recebeu, na tarde desta sexta, o médico Rubem Antonio Citton Júnior, que foi preso por guardas municipais na UPA Centro, em mais um caso de violência contra médicos.

O Cremers ouviu e acolheu o profissional, que relatou os fatos. “Fui torturado no meu ambiente de trabalho, na frente de pacientes e colegas. Não se pode viver em um país em que a população é colocada contra os médicos. Não quero ser mais um. Não quero que essa história se repita”, desabafou.

A procuradora Carla Bello explicou que o Cremers entrou com representação junto ao Ministério Público do Estado (MP-RS), à Prefeitura de Novo Hamburgo, à Corregedoria da Guarda Municipal e à Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, denunciando os crimes de abuso de autoridade, lesão corporal e prevaricação cometidos pelos agentes da Guarda Municipal.

O presidente do Cremers, Régis Angnes, relatou que o Departamento de Fiscalização (Defis) estava na unidade de saúde para verificar as condições de trabalho e de segurança do local.

O vice-presidente Eduardo Neubarth Trindade disse que “os médicos não podem ser atacados e as instituições médicas não podem deixar a violência passar de forma incólume”. Também estavam presentes a tesoureira Mirela Jimenez, a corregedora Márcia Vaz e o coordenador do Defis, Luciano Haas.

AMRIGS

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) também se manifestou. A entidade destacou que “vem a público manifestar sua perplexidade diante da notícia de um profissional de saúde, médico, sendo conduzido algemado pela Guarda Municipal de Novo Hamburgo. Considerando a ausência de informações completas sobre as circunstâncias do ocorrido, a entidade ressalta a necessidade de esclarecimentos por parte das autoridades competentes, tanto em relação aos fatos quanto à forma como se deu a divulgação do episódio registrado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no município de Novo Hamburgo.
De acordo com o conteúdo tornado público, a situação teve início durante o atendimento na unidade e evoluiu para a condução do profissional à delegacia. Diante desse cenário, a AMRIGS salienta que episódios dessa natureza não podem se tornar cotidianos, inserindo-se em um contexto mais amplo de situações recorrentes de desrespeito e violência contra médicos.
A instituição considera inaceitável qualquer forma de violência no exercício da Medicina e reforça a necessidade de apuração rigorosa, especialmente em razão do ambiente assistencial em que o caso ocorreu e da ausência, até o momento, de confirmação oficial sobre eventual prática de ilícito.
A AMRIGS segue comprometida com a defesa dos médicos e com a qualidade da assistência prestada à sociedade, acompanhando o caso com atenção e responsabilidade, e considera essencial o pleno esclarecimento dos fatos, com a devida observância dos direitos e das condições adequadas para o exercício da Medicina.”
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