Prefeitura comemora recuperação da casa de Leopoldo Petry; movimento Defender discorda e fala em caricatura

A casa onde viveu uma das maiores lideranças de Novo Hamburgo voltou a ter cor, teto e acabamentos. Contudo, a antiga residência de Leopoldo Petry segue gerando polêmica. O prédio, localizado na Avenida Pedro Adams Filho, 1264, foi recuperado e recebe acompanhamento da Secretaria da Cultura de Novo Hamburgo. Após anos de abandono e descaso, tendo vindo abaixo boa parte da estrutura, o que da casa restou em pé ganhou reforço e o imóvel está perto de ser ocupado novamente.

Nos últimos 12 meses, registrei no blog três momentos diferentes do estágio da casa onde morou por anos o

primeiro prefeito eleito de Novo Hamburgo e um

dos principais ícones do movimento de emancipação hamburguense. Os links são: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=54, http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=110, http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=422,

Contudo, essa recuperação da residência não conta com a simpatia do movimento Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico. Segundo o vice-presidente da entidade, Jorge Luís Stocker Jr., a forma com que a casa foi recomposta remete a uma caricatura, perdendo o município um exemplar histórico do seu patrimônio. A seguir, trago os dois pontos de vista envolvendo a casa de Leopoldo Petry.

Entrevista respondida por integrantes da Secretaria da Cultura de Novo Hamburgo:

A Secretaria da Cultura está contente com o resultado obtido? Como a secretaria avalia o estágio atingido pela obra? A Secretaria de Cultura fica feliz com a disposição do proprietário de investir na manutenção da casa e está acompanhando o projeto e a obra. Após visita recente ao imóvel ainda negocia algumas adequações com o responsável técnico.

A Secretaria da Cultura avalia que a casa foi restaurada, recuperada ou revitalizada?

A casa em questão foi recuperada e revitalizada.

A Secretaria da Cultura pretende imprimir um novo ritmo na tentativa de salvar e recuperar outros imóveis históricos? A Secretaria de Cultura, há vários anos, se empenha na proteção dos imóveis constantes em seu inventário de patrimônio edificado e na busca de soluções para sua manutenção, compreendendo as dificuldades pontuais dos proprietários e a existência de interesses comerciais divergentes.

O restauro ou recuperação desses imóveis cabe aos proprietários dos mesmos, não cabendo ao poder público dispor de verba para investir em imóveis privados.

A Prefeitura pretende ter algum aproveitamento ou fazer algum destaque com sinalização em relação à importância histórica da residência?

Sendo a casa Leopoldo Petry propriedade particular não cabe ao poder público fazer aproveitamento ou uso de imóveis particulares, mesmo os que têm valor histórico, cultural ou arquitetônico, mas sim fiscalizar e orientar. É esperado que os proprietários valorizem e deem uso aos imóveis preservados, readequando-os às necessidades atuais, podendo sinalizá-los com placas indicativas para compartilhar seu valor com a comunidade.

Também solicitei uma manifestação e avaliação de Jorge Luís Stocker Jr. da Defender. A seguir, repasso sua posição.

“Ao meu ver a casa do Leopoldo Petry era uma das edificações de maior valor histórico em Novo Hamburgo. Tinha algumas pequenas descaraterizações no térreo, mas nada irreversível ou que comprometesse. Era uma edificação passível de reciclagem de uso, de receber novos anexos e uma reforma interna, preservando, entretanto, com rigor, a fachada, eventualmente até restaurando alguns elementos perdidos. Entretanto, o que vimos foi uma obra realizada em desacordo com critérios de preservação. Boa parte da obra foi procedida sem que houvesse projeto aprovado pela Comissão do Patrimônio Cultural e Natural. Essa irregularidade era de conhecimento de todos, porém a obra nunca foi embargada. No início desta obra foi retirado todo madeiramento do telhado deixando as paredes sem apoio e, devido a isto, todo sótão desabou no mês de dezembro de 2014. Foi reconstruído às pressas e na proporção errada, a altura do telhado e consequentemente toda volumetria está equivocada, o que é possível averiguar rapidamente comparando fotografias. Perdeu-se também algumas esquadrias originais que ainda restavam, e principalmente as molduras e pilastras de argamassa que a casa tinha. Pode-se dizer que é um caso análogo a famosa “restauração” de uma pintura de Cristo realizada pela dona Cecília Gimenez na Espanha… Perdemos um exemplar histórico e ganhamos uma caricatura. Como tantos outros casos, este reflete a falta de uma política de preservação efetiva. O poder público tem a obrigação de auxiliar na preservação, neste caso intermediando e dando diretrizes técnicas. Como a Prefeitura de Novo Hamburgo não tem técnicos especializados na área, o IPHAE-RS pode e deve ser consultado nestes casos, para dar assessoramento técnico e avaliar projetos de restauração. Com orientação correta e fiscalização poderíamos ter um bem histórico restaurado e até um ponto turístico… Infelizmente, mais uma oportunidade perdida.”

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