Indignação, discordância e mobilização. Essas foram as
principais reações que pais de alunos da Escola Municipal de Educação Infantil
(EMEI) Paulo Sérgio Gusmão, no bairro Jardim Mauá, tiveram ao saber que a
administração da escola passará para a Secretaria Municipal de Educação (SMED).
Atualmente, quem está à frente do educandário é a Associação Evangélica de Ação
Social em Novo Hamburgo (Aevas), ligada à Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil (IECLB).
A informação do encerramento do contrato da Prefeitura com a
Aevas é confirmada pela diretora da EMEI, Angela Dassow. “O que nos foi
informado é que o contrato da Prefeitura com a Aevas será rescindido em 30 de
dezembro”, resume Angela. A reportagem tentou contato com a administradora
geral da Aevas, Fabiane Kuhn, mas ela estava em treinamento e não atendeu as
chamadas. Além da EMEI Paulo Sérgio Gusmão, a Aevas está à frente da CECRIFE –
Gestantes e Meninas, Centro Comunitário Raio de Sol, EMEI Favo de Mel, EMEI
Sementinha Viva, EMEI Vovô Werno, EMEI Vivendo e Aprendendo e EMEI Ipê Amarelo.
A retomada do controle da EMEI pela SMED estaria sendo motivada por uma antiga reivindicação do Sindicato dos Professores Municipais de Novo Hamburgo
(SindprofNH). Como os professores da EMEI são terceirizados, eles estão numa
relação diferente na comparação com os concursados. “Os professores concursados
da rede municipal estão respaldados por um projeto de ensino do município. Eles passaram por
um concurso e têm vínculo direto com a administração”, defende o presidente do
SindprofNH, Gabriel Ferreira, ressaltando que ainda não foi comunicado oficialmente
da decisão e pretende se atualizar sobre esta situação. “A terceirização também
enfraquece o regime de previdência, com menos gente contribuindo”, ressalta.
Atualmente, a rede municipal de ensino tem 1.600 professores e existem outros
candidatos que passaram em concurso esperando para ser chamados. “Lembrando
que esse recurso do contrato é com dinheiro público. Queremos que ele seja
administrado pelo Poder Público”, completa Ferreira.
Nas redes sociais, a inconformidade com o encerramento do
contrato da Prefeitura com a Aevas é grande. Diversos pais se manifestaram
contrários à decisão do governo do prefeito Luis Lauermann (PT). A falta de
diálogo com a comunidade escolar revoltou muitos familiares, que não foram
consultados pela administração que foi derrotada nas urnas e decidiu fazer essa
mudança no apagar das luzes de sua gestão. Confira a seguir alguns posicionamentos.
“Vamos entregar de mão beijada a escola da nossa comunidade,
que foi administrada com tanto amor e carinho, com uma boa administração
financeira, pra Prefeitura que sucateia nossas escolas???? NÃOOOO!!!!”
“Não cuidam nem do barranco da prefeitura, vão querer
derrubar a escola também?”
“Nossa, só podem estar loucos! Com tanta coisa para melhorar
em Novo Hamburgo eles querem estragar a melhor creche. Não dá pra acreditar.”
“Daremos total apoio a esse manifesto! A escola e
maravilhosa, as professoras são uns anjos que tratam nossos filhos com muito
amor e a direção é muito competente… Isso não pode acontecer de forma alguma.”
“Para a Prefeitura, o que funciona bem não serve! A
administração quer impor a sua “maneira” ineficiente de administrar,
ou seja: sucateamento. É uma afronta à população, uma vergonha!!!”
A reportagem do Portal Martin Behrend entrou em contato com
a assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo. Foram enviados e-mails
para cinco integrantes da equipe colocando o portal à disposição para
esclarecimentos. Até o fechamento da reportagem, a Prefeitura não se
manifestou.
