O prefeito de Novo Hamburgo, Luis Lauermann (PT), e o vice-prefeito, Roque Serpa (PTB), reuniram convidados na sexta-feira (19.06) para apresentação de um Centro de Eventos para o município. O investimento ainda não tem local definido, mas prevê uma infraestrutura para receber eventos comunitários e sociais. O anúncio é positivo,
mas intrigante, tendo em vista que a atual administração não consegue manter em dia importantes instalações do município, como ginásios, praças, parques e quadras esportivas. Qual a razão de ter mais um espaço se os atuais estão caindo aos pedaços ou em situação de abandono?
A resposta a essa questão pode estar no campo político. Quem vai buscar os recursos no Ministério do Turismo é o deputado federal Ronaldo Nogueira (PTB), ligado a
Serpa. O vice-prefeito antecipou detalhes do projeto. “Uma vez instalado, o equipamento público poderá proporcionar eventos sociais, culturais, esportivos, entre outros, além de contar com espaços como quadra poliesportiva e uma escola de Educação Infantil”, disse. O prefeito Lauermann frisou ser “um projeto embrionário, mas contamos com o apoio do deputado Ronaldo Nogueira para auxiliar na busca de recursos que possam tornar esta ideia realidade”.
Não há
dúvidas: um Centro de Eventos, com possibilidade de contemplar espaços esportivos e educacionais, é algo valioso para qualquer cidade. Contudo, o que se esperar do futuro deste espaço quando áreas como o Ginásio da Fenac, o Parque Floresta Imperial, o Parcão, prédios históricos e de imenso valor
cultural e algumas das principais praças da cidade estão em situação de semiabandono ou caindo aos pedaços? Há um erro estratégico ao priorizar um novo equipamento, enquanto outras estruturas tão valiosas para o município vão apodrecendo sem o aporte de recursos mínimos para
manutenção.
Não cito aqui o Parque do Trabalhador, no bairro Boa Saúde. Embora o parque esteja tomado pelo mato, sujeira, mau cheiro e tenha sido abandonado pela Prefeitura, ali está previsto a construção do Centro de Iniciação Esportiva (CEI), num investimento superior a R$ 3 milhões com recursos do Ministério do Esporte. Então, existe a esperança de recuperação desta área. Conforme registrei no blog, as obras estão previstas para começar ainda neste primeiro semestre – http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=414.
É possível ir além nesta avaliação. O que dizer da Fenac, um equipamento público multiuso e com capacidade para atrair eventos, shows, palestras, congressos, circos e até competições esportivas? Todo aquele espaço à disposição do município, e um deputado federal decide buscar recursos para outro equipamento, que não tem nem local definido? É intrigante. E, na minha opinião, há uma dispersão de recursos. A prioridade deveria ser a manutenção
e/ou recuperação dos
atuais equipamentos, o que já permitiria um salto de qualidade na oferta de espaços públicos multiuso aos hamburguenses.
Que venha, então, um novo Centro de Eventos. Agora, que antes se recupere o que foi erguido com o suor dos tributos dos hamburguenses nos últimos anos. Antes que seja tarde demais, vide o caso do Parque Floresta Imperial, que tem uma histórica residência saqueada e destruída por aproveitadores e teve, nesta semana, o Galpão Crioulo consumido pelas chamas após ataque de vândalos. Sem falar nos banheiros, restaurante, jardins…
