Prefeitura adquire fotos de respeitado fotógrafo gaúcho por R$ 28 mil; hamburguenses criticam iniciativa

É gasto ou investimento? Como você define a aquisição dos direitos autorais de 158 fotos de um dos mais respeitados fotógrafos gaúchos pelo valor de R$ 28 mil? Pois a Prefeitura de Novo Hamburgo está fazendo a aquisição de imagens históricas e exclusivas do município, registradas pelo fotógrafo Alceu Mário Feijó, conforme o Contrato 020/2015 e Requisição nº 81.743.

Feijó é atual articulista do Jornal NH, onde já foi Diretor de Fotografia, e escreveu e trabalhou para os seguintes veículos: Jornal do Brasil, Correio do Povo, Folha da Tarde, Diário de Notícias, O Cruzeiro, Revista do Globo e O 5 de Abril (o primeiro jornal de Novo Hamburgo). É considerado o repórter-fotográfico há mais tempo em atividade no Rio Grande do Sul, com mais de 60 anos dedicados ao fotojornalismo.

Contudo, parte da comunidade hamburguense não está satisfeita com o investimento de R$ 28 mil da Prefeitura. Após ser publicado na imprensa o contrato para aquisição das fotos, dezenas de pessoas se manifestaram nas redes sociais. Abaixo, algumas das críticas que foram externadas por hamburguenses:

– Comprar fotografias? Para quê?

– E aí? São de ouro? Quem mandou fazer essas fotos? Não orçou? Afinal, vamos ou não vamos pagar por essas fotos?

– Se forem fotos antigas de Novo Hamburgo, eu também tenho, mas ninguém me ofereceu nem R$ 28,00 por elas. Como é bom gastar o dinheiro que não se ganha.

– É um absurdo descabido. Um desperdício do dinheiro público. Que o responsável dê explicações.

– Por isso não sobra para investir em programas mais prioritários, como a saúde e a educação, por exemplo.

– Por que não aplicam esse dinheiro lá no hospital?

– Não sei que fotos são essas, mas se querem fotos de Novo Hamburgo, todo dia sai no jornal das diversas ruas esburacadas, das calçadas que “derrubam” pessoas, das praças repletas de mato, da praça tomada pelos drogados e traficantes, enfim, vários temas sobre a cidade. É grátis!

Tentei contato com Alceu Feijó pelo telefone residencial e telefone celular, mas não obtive retorno. Também entrei em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo para buscar mais detalhes deste contrato. Abaixo alguns esclarecimentos:

– O que está sendo adquirido?

Estamos adquirido o acervo fotográfico e os direitos autorais do Jornalista/Fotógrafo Alceu Feijó.

– Quem solicitou?

Foi solicitado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia, Trabalho e Turismo (Sedetur).

– Como será utilizado?

O acervo fotográfico será utilizado nos materiais institucionais da Prefeitura de Novo Hamburgo e disponibilizado à população. O material ficará no arquivo público de Novo Hamburgo, localizado no Centro de Cultura, no Centro.

– Como se definiu o valor de R$ 28 mil?

O valor foi estabelecido pela Universidade Feevale, pois a instituição oferece o curso de fotógrafo. Os professores disponibilizaram à Prefeitura dados e um orçamento técnico para avaliação de cada foto. Salientamos que faz parte do processo de compra do referido acervo o material disponibilizado pela Feevale. Como o processo de compra ainda não foi concluído pela Prefeitura, não podemos enviar as imagens solicitadas.

É gasto ou investimento? Eu vejo como

investimento, claro! As fotografias vão se perpetuar para as futuras gerações. Este patrimônio necessita ser preservado. É louvável que a atual administração, tão relapsa, omissa e relaxada com o patrimônio histórico e cultural do município, esteja fazendo este investimento. Aplausos. Povo que desconhece sua história, não valoriza o presente e coloca em risco o futuro. Por isso, julgo surpreendente que a atual administração, que vira as costas ou não investe como deveria na preservação do patrimônio e na valorização das gerações anteriores de hamburguenses, esteja fazendo esta aquisição.

Que a Prefeitura faça mais investimentos na cultura, na história e no legado de tantos hamburguenses que suaram e sangraram para fazer de Novo Hamburgo uma das cidades mais pujantes do Estado. O problema não está nesse investimento, mas, por exemplo, em ter um secretário municipal “fantasma” e pai de vereador da base, em ter um diretor da Faixa Nobre com 900 irregularidades, em

ter mãe e filha mandando e desmandando no comando da Saúde do município,

em ter um secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana

sendo carteiro e morador de

Sapiranga, é ter dezenas e dezenas de CCs empilhados fazendo nada ou pouca coisa… Aí está um dos ralos desse esgoto.

PS: Sobre o valor de R$ 28 mil para adquirir 158 fotos, temos um valor individual de R$ 177,00 por foto. Num primeiro momento, é valor elevado; mas pelo caráter exclusivo, histórico e de raridade, deve se justificar essa soma. Só tendo acesso às imagens para se compreender a dimensão do investimento.

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