Preconceito? Evangélico, vice-prefeito promove evento da sua religião, mas não fala da Corte LGBT

O vice-prefeito de Novo Hamburgo, Roque Serpa (PTB), vem construindo uma imagem de gestor público com traços de preconceito e discriminação. No momento, ele é o prefeito em exercício do município – nas férias de Luis Lauermann (PT) – e sempre que a cadeira do chefe do Executivo fica vaga, aproveita para fazer um agrado nos seus eleitores evangélicos.

Na semana passada, Serpa recebeu em seu gabinete representantes de várias congregações religiosas. O encontro definiu a data oficial da Marcha para Jesus de 2016, que será no dia 16 de abril. A idealização do evento é da Prefeitura, com articulação da Coordenadoria do Terceiro Setor (CTS). “A ideia da Marcha é potencializar o turismo em nossa cidade, já que pessoas de toda região participam”, afirma Serpa. Fomentar o turismo? Deixa ver se entendi: hotéis e restaurantes vão lotar de fiéis, seria isso?

A gravidade desse posicionamento do atual prefeito em exercício de Novo Hamburgo está nas entrelinhas, na

sombra

de seus comportamentos. As principais justificativas para a Marcha para Jesus são

o combate à drogadição e a valorização da família. Então, famílias judaicas, espíritas, muçulmanas, de ateus, etc, não devem participar, afinal, a Marcha é para Jesus? Por que manter essa absurda discriminação, deixando religiões de fora desse movimento que, direta ou indiretamente, representará custos para o município? Ao invés de congregar todas religiões, quem ganha com a segregação?

Essa crítica ocorreu no ano passado e permanece: por que não ser a Marcha contra as Drogas e em favor da família? Por que Jesus no meio – como ficam os que não creem em Jesus? É discriminação na veia, excluindo outras religiões. Fica claro que é um evento de cunho político, para o vice-prefeito promover sua religião e de seus seguidores

Essa postura do vice-prefeito em relação a uma marcha excludente – ou alguém acredita que um judeu ou muçulmano vai participar numa caminhada de adoração a Jesus? – também se manifesta em relação ao público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Na semana passada, enviei e-mail para seis integrantes da equipe de comunicação da Prefeitura solicitando uma avaliação de Serpa sobre a importância da Corte LGBT para o Carnaval de Novo Hamburgo – será uma das novidades deste ano e foi idealizada pela Coordenadoria LGBT no município, que não tem vínculos com o Executivo. A ideia é trabalhar a questão da igualdade e combater a homofobia em Novo Hamburgo.

A resposta do prefeito em exercício para a comunidade foi o silêncio. Seria Roque Serpa homofóbico e contra a igualdade? Seria o prefeito em exercício de Novo Hamburgo preconceituoso e a favor da discriminação? A falta de uma resposta para os hamburguenses diz muita coisa.

PS: O que não faz a politicagem: um evangélico fervoroso fecha os olhos para o público LGBT a fim de manter seus cargos. Deus está vendo.

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