Uma minoria de vândalos está dando uma goleada na comunidade de Novo Hamburgo. E o palco é conhecido: o histórico Parque Floresta Imperial. Em dezembro de 2014, a Prefeitura de Novo Hamburgo anunciou um plano para melhorar a conservação e buscar a revitalização do espaço. Participaram do comunicado a Guarda Municipal, secretários e diretores da Prefeitura. Registrei no blog essa movimentação: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=419
Cerca de seis meses depois, pouco mudou. Visitei a Floresta Imperial no começo desta semana. Embora o parque esteja com um aspecto melhor – grama cortada, brinquedos pintados, pouco lixo espalhado – os atos de vandalismo estão em diversos espaços. O alvo predileto dos vagabundos são os dois banheiros: um perto dos brinquedos e o vestiário do futebol. Canos arrancados, portas depredadas, pichações, vasos sanitários entupidos de pedras e tijolos, caixas d´água violadas, fiação elétrica roubada, fezes acumuladas e, também, grudadas nas paredes. É um cenário desolador.
Recebi a sugestão de pauta de dois frequentadores do Parque Floresta Imperial. Eles costumam jogar futebol nas tardes de sábados. E não sabem mais o que fazer ou a quem recorrer. “Gastamos do nosso dinheiro para dar uma condição mínima aos vestiários. Mas, quando retornamos, está tudo destruído, arrancado. Não sabemos mais o que fazer”, desabafa um hamburguense. Ele relata que costumam receber amigos ou times visitantes, mas está ficando inviável. “As ações de fiscalização não estão tendo efeito”, completa.
Duas outras situações que assustam os frequentadores: consumo de drogas no parque e até rinha de pitbull. Segundo um dos frequentadores, eles já flagraram duelos de pitbulls com vira-latas, sendo que não raro um dos animais não sobrevive. “Tivemos de intervir e ameaçar quem estava fazendo isso. Toda essa situação preocupa”.
Quando estava visitando o Parque Floresta Imperial nesta semana, uma viatura da Guarda Municipal chegou ao local. Conversei com um soldado sobre as dificuldades de fiscalizar o parque. Ele relatou que existem acessos para pedestres na parte dos fundos, o que dificulta o controle de quem entra e sai. Na minha caminhada, identifiquei dois jovens empoleirados em uma torre de concreto abandonada junto à quadra de basquete – aliás, cancha em estado deprimente – e, pelo cheiro que pairava no ar, estava rolando uma maconha por ali… Cabe ressaltar que dentro desta onda de vandalismo no parque existem luminárias depredadas, uma antiga residência está largada e abandonada, entre outros espaços que estão apodrecendo com o passar do tempo. Sem reforçar o cercamento e ter uma patrulha permanente, tudo indica que os vândalos seguirão dominando o Floresta Imperial.
O Parque Floresta Imperial é um espaço nobre da cidade de Novo Hamburgo, que deveria ser usufruído na íntegra pelas famílias hamburguenses. Recordo, por exemplo, que eu e meus primos fazíamos piquenique com a minha avó no parque. Contudo, o Floresta Imperial se tornou símbolo da impotência e da incompetência do Poder Público e da sociedade organizada. É o retrato do fracasso.
HISTÓRIA DO PARQUE
A história do Parque Floresta Imperial remonta a meados de 1860, quando Dom Pedro II, em uma de suas visitas ao Rio Grande do Sul, então Província de São Pedro, passou pela cidade. Dizem que teria se hospedado na “casa antiga”, na entrada do parque. O que é mais provável, na verdade, é que seus oficiais tenham ali pernoitado. Os soldados ficaram acampados ao redor da casa, na área que hoje compreende o parque. Daí a denominação “Floresta Imperial”. A casa foi reformada com materiais originais, sendo respeitada a estrutura da construção. Reestruturado, o Parque foi inaugurado em 22 de dezembro de 1979. Fonte: Prefeitura de Novo Hamburgo
PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO
Encaminhei pedido de entrevista e/ou esclarecimentos à Prefeitura de Novo Hamburgo por e-mail. O pedido foi enviado para sete integrantes da equipe de Comunicação da Prefeitura. Até o fechamento desta reportagem, nenhum esclarecimento foi oferecido à comunidade de Novo Hamburgo.
