Silêncio. Sem aplausos, sem partituras, sem emoções, sem plateia. É o silêncio.
Um patrimônio da cultura de Novo Hamburgo permanece em silêncio.
Após o corte de recursos promovido pelo prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), a Orquestra de Sopros encerrou suas atividades. E não voltou.
A comunidade hamburguense, que se acostumou a ver o grupo se apresentando em diferentes locais públicos ou com acesso gratuito, como a Praça do Imigrante, Teatro Municipal Paschoal Carlos Magno, Fenac ou Teatro Feevale, não está tendo mais sua orquestra como opção de lazer, diversão, bem-estar e, até mesmo, para refrescar a saúde mentall.
Desde o anúncio oficial do encerramento das atividades, em 17 de março deste ano, foram muitas as mobilizações. A imprensa gaúcha realizou várias reportagens. Um abaixo-assinado reuniu cerca de 20 mil assinaturas. Personalidades da cultura gaúcha se manifestaram a favor da orquestra. Nada disso sensibilizou o prefeito e a Secretaria Municipal da Cultura. O corte permanece – mesmo que o Executivo tenha mantido ou contratado centenas de CCs com recurso público.
Dezenas de músicos perderam seu trabalho na orquestra. Milhares de hamburguenses ficaram sem poder apreciar um patrimônio com mais de sete décadas de história, fruto do envolvimento de centenas de pessoas. Um golpe na história e na cultura.
SEM ALTERNATIVAS
Neste período de 45 dias, muito foi falado sobre alternativas para manter a Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo. Até o momento, nada de concreto foi viabilizado.
A reportagem do Portal Martin Behrend foi ouvir quem tentou buscar um caminho para salvar a Orquestra de Sopros do fechamento definitivo. Foram consultadas lideranças e entidades que procuraram o Portal Martin Behrend para sinalizar que estavam envolvidos com a pauta. Confira a seguir os retornos.
Prefeitura de Novo Hamburgo
O Portal procurou a Prefeitura de Novo Hamburgo e ofereceu espaço para esclarecimentos. Não houve retorno até o fechamento da reportagem.
Orquestra de Sopros
Através do Instituto Arlindo Ruggeri, foi enviado o seguinte comunicado:
“Em meados de março, o Instituto Arlindo Ruggeri (IAR), que faz a gestão da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo, foi informado pela prefeitura de que o convênio para que ela fosse mantida não seria renovado. Desde então, estamos mobilizados para buscar alternativas para manter vivo este patrimônio da cidade. No entanto, passado mais de um mês de negociações que envolvem a iniciativa privada e os governos municipal, estadual e federal, ainda não há nada de concreto que garanta a continuidade das atividades.
Existem algumas parcerias se formando, mas nada que nos permita a retomada dos ensaios ou que garanta a continuidade dos trabalhos durante o restante do ano. Com relação à prefeitura de Novo Hamburgo, neste momento as conversas têm sido mediadas pelo Ministério Público, mas ainda sem uma conclusão quanto ao futuro do convênio.”
Deputado estadual Issur Koch (PP)
“A arte e a cultura sempre fizeram parte da minha história – como professor, como músico e como alguém que acredita no poder transformador da música. Foi por entender a importância da Orquestra de Sopros que busquei caminhos junto ao Estado para apoiá-la.
Infelizmente, apesar de existirem possibilidades de captação de recursos, os prazos disponíveis hoje não conseguem atender à urgência que a orquestra enfrenta. Como parlamentar, trabalho com planejamento orçamentário e só posso me comprometer com aquilo que posso construir dentro da realidade fiscal.
Para termos garantido recursos em 2025, precisaríamos ter identificado essa necessidade ainda em 2024. Mesmo assim, não desistimos: seguimos empenhados em encontrar soluções para ajudar no que for possível agora e, principalmente, para garantir alternativas mais sólidas de apoio a partir de 2026. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance até aqui – e seguimos comprometidos com a cultura e com quem a mantém viva, devido à importância e à relevância da orquestra para Novo Hamburgo e o Vale.”
ACI – Esteve reunida com CDL-NH e Sindilojas Vale Germânico
A ACI, ao tomar conhecimento do anúncio da não renovação do
convênio com a Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo, dialogou com a
administração municipal em busca de alternativas.
A entidade entende e respeita as dificuldades econômicas anunciadas
pela prefeitura, assim como reconhece a importância da orquestra como
patrimônio cultural da cidade.
Também permanece à disposição para, em conjunto com os
envolvidos e outras entidades empresariais, encontrar caminhos para a retomada das
atividades da orquestra, seja através da busca de recursos em outros órgãos ou
da autossustentação financeira da mesma, de forma definitiva ou até que haja
condições financeiras na administração municipal para um novo ciclo de repasses.”
Fauston Saraiva, diretor da Associação Comercial, Industrial
e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti

























