A vereadora Patrícia Beck (PTB) está dando uma lição prática de como deve atuar um vereador interessado na sua comunidade. Não fosse a legisladora apurar informações recebidas, é provável que a comunidade de Novo Hamburgo jamais soubesse da circulação de um vírus na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Municipal.
A Secretaria Municipal da Saúde vinha sonegando esta informação dos hamburguenses. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Novo Hamburgo e a própria titular da secretaria, dra. Suzana Ambros Pereira, divulgaram informações dizendo que a UTI Neonatal estava lotada e somente por esse motivo as gestantes de outros municípios não deveriam procurar a casa de saúde. Segundo Suzana, os 20 leitos estavam ocupados e isso impedia
receber novas gestantes com gravidez de alto risco. Mas a informação, ficamos sabendo, estava incompleta.
Oficialmente, a Vigilância em Saúde de Novo Hamburgo sabia desde quinta-feira (11/06) da situação da lotação e da circulação do vírus. A dra. Suzana Ambros Pereira sabia desde sábado (13/06). Contudo, nada vinha sendo divulgado. A confirmação só ocorreu após manifestação pública da vereadora na terça-feira (16.06). Após Patrícia Beck ter apontado o problema do vírus, a imprensa hamburguense voltou a procurar a titular da Secretaria da Saúde, dra. Suzana Ambros Pereira, que, finalmente, confirmou que a UTI Neonatal tinha a circulação do vírus sincicial respiratório (VSR).
Ainda na terça-feira (16.06), encontrei a diretora da Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo, Simone Zucolotto. Aliás, encontro inusitado: no elevador do Centro Administrativo Leopoldo Petry. Ela confirmou que havia, sim, um vírus circulando na UTI Neonatal, mas não havia motivo para preocupação. Lembrando que Simone é filha da dra. Suzana. Mãe e filha comandam a saúde no município.
Embora a Vigilância em Saúde e a Secretaria Estadual da Saúde tivessem conhecimento do caso e acompanhavam a situação, é estranho a omissão da informação. Ontem a gerente da Vigilância em Saúde, Solange Shama, esteve na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo a pedido de Patrícia Beck. Ela foi levar esclarecimentos aos legisladores. Solange fez uma explanação pertinente e adequada sobre a atuação da Vigilância em Saúde, mas não respondeu a principal pergunta: por que não foi informado antes a presença do vírus, evitando a chegada de novas gestantes hamburguenses na casa de saúde?
Afinal, se as gestantes com gravidez de risco do soubessem do problema do vírus – e não somente da lotação – poderiam procurar a rede particular para evitar eventuais contágios ou transtornos no atendimento. Por qual motivo não se informou a verdade antes? Por que a comunidade de Novo Hamburgo foi privada de receber esta informação, que poderia ter ajudado famílias de gestantes a tomarem outros encaminhamentos? E, até por respeito aos hamburguenses, por que passaram a informação pela metade? Essa resposta segue faltando.
A vereadora Patrícia Beck deu uma lição de atuação de um vereador. Ela integra um partido da base aliada, mas desde o ano passado adotou a postura que se espera de um representante eleito: defender os interesses da comunidade em primeiro lugar. Um vereador é eleito para defender sua população, e não um governo. Tivemos o óbito de uma criança na UTI Neonatal. Ainda não se sabe o motivo. Vamos torcer para que as notícias ruins fiquem por aí.
PREFEITURA DE NOVO HAMBURGO
Encaminhei por e-mail pedido de entrevista e/ou esclarecimentos à Prefeitura de Novo Hamburgo.
O pedido para o posicionamento da Secretaria Municipal da Saúde foi enviado para sete
integrantes da equipe de Comunicação da Prefeitura.
Lembrando que a secretaria conversou e atendeu outros veículos de comunicação. Até o fechamento desta reportagem, nenhum esclarecimento foi oferecido à comunidade de Novo Hamburgo.
