Pacto Calçadista reforça a pujança do setor e anuncia nova identidade: The South Base

O setor calçadista segue pulsando com força no Rio Grande do Sul. Agora, os desafios, a concorrência e novos obstáculos para o fortalecimento da produção são uma realidade que acompanha as empresas há décadas

É por isso que a união de esforços de todos os envolvidos faz a diferença para manter e ampliar a relevância do setor calçadista na economia gaúcha e brasileira.

Buscando se alinhar com novas demandas e realidades, o movimento Pacto Calçadista apresentou, nesta quarta-feira (26), a sua nova marca. O evento ocorreu na Fenac, em Novo Hamburgo.

A iniciativa passa a ser chamar The
South Base (A Base Sul, em tradução livre).

O novo logotipo e o conceito foram
desenvolvidos pela Evolgo – Transformação de Marca. “A ideia deste
rebranding foi a de recolocar o Brasil como centro próximo e confiável de
calçados para fornecimento às marcas norte-americanas”, detalhou Felipe
Schmitt-Fleischer, da Evolgo.

Segundo ele, os atributos ‘explorador, prestativo
e sábio’ são representados nessa nova identidade. “The South Base é uma extensão natural
da cadeia produtiva americana, não um fornecedor estrangeiro distante”, pondera.

A identidade visual remete à
conexão, proximidade e progresso. No logotipo há um estilização da bandeira do
Brasil e três linhas diagonais em vermelho, que indicam movimento e fazem
alusão aos Estados Unidos. One Step Closer (A um passo de distância, em tradução
livre) é o slogan. Todo o trabalho foi desenvolvido sob a perspectiva do
cliente norte-americano, valorizando elementos que sejam importantes para ele.

“Quando falamos de próximo
(closer) não estamos tratando apenas da distância geográfica, mas também na
proximidade cultural e histórica que temos com os Estados Unidos, um
diferencial positivo em relação a outros concorrentes, como os asiáticos”,
complementou Christian Thomas, conselheiro e membro do movimento. Brazil: the
largest footwear cluster in the Américas (Brasil: o maior cluster calçadista
das Américas, em tradução livre) é o
mote da campanha e reforça a importância do nosso país para as marcas norte-americanas.

O presidente e CEO da FDRA –
Associação dos Distribuidores e Varejistas de Calçados da América, Matt Priest,
participou ao vivo, diretamente de Nova Iorque, por intermédio de uma
vídeo-chamada e falou sobre o novo cenário econômico e possíveis impacto para
setor. Ele ressaltou que a China está no centro das iniciativas do governo
americano no que se refere ao aumento de taxas, o que deve impactar a entrada
dos calçados deste pais asiático. Priest também destacou o potencial do mercado
interno local, que importa 2,1 bilhões de pares de calçados ao ano, sendo a
maioria absoluta da China.


BRASIL E ESTADOS UNIDOS



Depois da apresentação da nova marca, foi realizado o painel “Brasil & USA:
Fronteiras do Futuro”, que tratou das oportunidades e desafios do calçado
brasileiro nos Estados Unidos. Com mediação de Karin Becker, integrante do
Pacto Calçadista, o painel teve a participação de Diogo Leuck,
secretário-executivo de desburocratização e empreendedorismo do Governo do RS;
Giovani Baggio, economista-chefe do Sistema Federação das Indústrias do Rio
Grande do Sul (Fiergs); e Marcus Huff, diretor de Calçados Killana.

Baggio lembrou que atualmente a
China é o maior fornecedor de calçados para os Estados Unidos, com vendas que
superaram US$ 10,28 bilhões, no ano passado. Já o Brasil ocupa apenas a 10a
colocação no ranking, com negócios na ordem de US$ 250 milhões. Ele também
ponderou sobre os riscos da nova política econômica que está sendo implementada
por Donald Trump. “Ele falou em reciprocidade das tarifas. Importante
lembrar que hoje eles impõem uma taxa de 12% sobre nossos calçados. Já o Brasil
aplica imposto de 33% sobre estes artigos dos EUA”, alerta. Conforme o
economista-chefe da Fiergs, há muito espaço para o produto feito no Brasil.
“Aumentar a parcela no mercado dos Estados Unidos passa pela melhora da
nossa produtividade e da nossa competitividade”, define.

Leuck, por sua vez, tratou do
Plano de Desenvolvimento Econômico Inclusivo e Sustentável do Rio Grande do
Sul, com ênfase no Arranjo Produtivo Setorial (APS). No plano do governo gaúcho
cinco habilitadores transversais de competitividade são contemplados: capital
humano, inovação, ambiente de negócios, infraestrutura e recursos naturais.

Foram identificados 12 grupos de
produtos e serviços com potencial relevante para alavancar a economia do
Estado, entre eles o calçadista. O programa APS é uma política publica do
Estado para promover o adensamento da cadeia produtiva a partir da organização
setorial, com ênfase no aumento da produtividade e competitividade dos setores.
“Que demanda e faz o progresso são os empreendedores. O governo tenta não
atrapalhar e auxiliar no que é possível”, argumenta Leuck.

Huff encerrou o painel falando da
experiência da Killana no mercado norte-americano. “É importante aprender
a cultura de negócios deles, que compreende prazos curtos e a exigência de
procedência de matéria prima e também a destinação dos resíduos. É desafiador,
mas também estimulante”, declarou.
O relacionamento entre a fábrica de calçados e os fornecedores também
recebeu atenção especial do empresário. “Todos têm que estar
engajados”, avaliou. Um alto padrão de compliance, a sustentabilidade da
cadeia produtiva e a capacitação constante da mão de obra são peças
fundamentais para se obter sucesso nas relações com as marcas norte-americanas.

Na foto abaixo está o registro do evento realizado na Fenac.


THE SOUTH BASE

O movimento surgiu em dezembro de 2023, por iniciativa de um grupo de
empresários, para alavancar o setor calçadista do Rio Grande do Sul. Teve
origem no Programa Líder do Sebrae RS, instituição que contribuiu com
ferramentas metodológicas para sua implantação.

É formado por pessoas –
fabricantes, fornecedores e prestadores de serviços – que doam seu tempo e
conhecimento para melhorar o desempenho comercial das fábricas gaúchas e
cluster coureiro-calçadista. Atua em quatro eixos de trabalho: governança;
pessoas, processos e produtos; comunicação interna do cluster; e marketing e
internacionalização.

Seu atual presidente é o empresário Marlos Schmidt. Ele
destacou, na abertura do evento, que estão previstas diversas ações para 2025.
Além do rebranding para The South Base, a capacitação de 25 empresas do setor
está no radar do projeto.

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