Em 2016, três dias após ser eleita a primeira prefeita de
Novo Hamburgo, Fátima Daudt esteve na sede da Associação Comercial, Industrial
e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI-NH/CB/EV). Em 5
de outubro de 2016, ao lado do vice-prefeito eleito Antônio Fagan (ex-PPS, hoje
PSDB), ela sentou na primeira fila para prestigiar o lançamento do Observatório
Social do Brasil – Novo Hamburgo (OSBNH).
Passados quase dois anos desse lançamento, o Observatório
Social – que tem ex-colegas de ACI de Fátima Daudt atuando como voluntários – está
impaciente com uma postura do governo tucano. A reclamação envolve audiência pública realizada, nesta terça-feira (21), na Câmara de Vereadores de Novo
Hamburgo, para discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2019. O evento foi
convocado pela Prefeitura e foi aberto à comunidade. Para apimentar o cenário,
o presidente do OSBNH é Marcelo Clark Alves, que foi o sucessor de Fátima no
comando da ACI.
Contudo, ainda ontem, o OSBNH informou, através de
comunicado, que a entidade estaria representada por voluntárias, mas não se
manifestaria em razão de não ter recebido a minuta das Diretrizes
Orçamentárias. Houve a solicitação antecipada, mas a Prefeitura não repassou a
documentação requerida.
“Considerando o nosso trabalho essencialmente técnico,
formar juízo sobre premissas de arrecadação pública, bem como avaliar a
alocação destes recursos para os 365 dias que compreendem o próximo exercício
devem, no mínimo, estar alicerçada em uma avaliação detalhada e minuciosa das
proposições apresentadas, o que não pode ser feito em uma audiência”, diz
trecho de nota, divulgada nesta terça-feira, e assinada por Marcelo Clark
Alves.
Eis que, nesta quarta-feira, após a realização da audiência pública, o OSBNH divulga outra manifestação, que é publicada na íntegra a
seguir:
“Transparência?
Ocorreu
ontem (21/08) a audiência pública para debater o projeto da LDO de 2019, onde o
município apresentou a sua proposta orçamentária em um pouco mais do que 30
minutos. Cerca de 40 servidores públicos e 3 cidadãos representantes do
Observatório Social Brasil Novo Hamburgo (OSBNH) e da comunidade hamburguense
estavam presentes.
Ao criticar
o fato do Município se negar a franquear previamente a minuta do projeto para
discussão na audiência, o Secretário da Fazenda, Gilberto dos Reis, se
manifestou no sentido de que o espaço para o cidadão discutir e propor emendas
será quando o documento estiver tramitando na Câmara de Vereadores. Já para o
vice-presidente de metodologia e controle social do OSBNH, João Rocha Neto, são
nas audiências públicas que se faz valer a participação social da comunidade. ‘O fato do município convocar uma audiência pública e não franquear previamente
aos interessados o material que será discutido desmotiva qualquer cidadão de
querer participar do processo. Não houve qualquer tentativa do município para
chamar a comunidade para a discussão, e por isso o ato não atingiu a sua função
de promover a participação social na construção do orçamento’, afirma João.
O
Conselho de Administração do OSBNH irá avaliar a representação junto ao Ministério Público pedindo a nulidade da audiência pública.”
O QUE É O OBSERVATÓRIO SOCIAL?
É mais uma ferramenta para acompanhar e fiscalizar como o
Poder Público – principalmente, Prefeitura e Câmara de Vereadores – faz a
gestão do dinheiro arrecadado com tributos, empréstimos e repasses. No
Brasil, são mais de 110 já constituídos. É organização sem fins lucrativos e
apartidária da sociedade civil.
Uma das características do Observatório é a participação da
comunidade: cada hamburguense pode ser um voluntário e contribuir dentro da sua
área de conhecimento ou atuação com a fiscalização. Professor, pedreiro,
médico, gari, advogado, jornalista, arquiteto, garçom, enfim, todos podem se
aliar nessa busca pelo investimento justo e correto nas necessidades do
município. A comunidade pode fazer parte como associados fundadores (física ou
jurídica), mantenedores (jurídicos) e sócios contribuintes (físicos) da
organização, além de associados voluntários, efetivos e institucionais.
























