O som da motosserra acorda o domingo: é o fim do flamboyant na Maurício Cardoso

Portal Martin Behrend já havia antecipado o corte da árvore que por décadas fez companhia aos hamburguenses

Um registro feito na quinta-feira: este flamboyant não existe mais

Na segunda-feira, 18 de maio, o Portal Martin Behrend registrou: “Visual da Avenida Maurício Cardoso vai mudar com corte de árvore de grande porte”.

A matéria destacou que a Prefeitura havia autorizado o corte de um frondoso flamboyant localizado no pátio de uma residência.

A árvore estava plantada no jardim de uma residência, que no passado foi da família Selbach – a venda ocorreu há alguns anos. No imóvel também funcionou o restaurante Seu Cardoso, que encerrou as atividades neste ano. É no quarteirão entre as ruas Caiapós e Arapuã.

A matéria pode ser relembrada aqui: https://martinbehrend.com.br/novo-hamburgo/visual-da-avenida-mauricio-cardoso-vai-mudar-com-corte-de-arvore-de-grande-porte .

DOMINGO COM SOM DE MOTOSSERRA

Na manhã deste domingo (24), moradores da Avenida Maurício Cardoso estão testemunhando o fim desta história. O flamboyant, que por décadas fez companhia na charmosa avenida, está sendo cortado. Um trecho da avenida está bloqueado. Leitores estão enviando fotos do local indignados com a atitude.

Um médico publicou um vídeo na rede social com o título: “O maior crime feito em Novo Hamburgo. A árvore que é um ícone de beleza e graça foi assassinada.”

 

 

Na postagem, vários comentários criticam e lamentam o corte.

“Administração municipal só tira o corpo fora, consegue ser pior que o governo anterior. Uma vergonha.”

“Triste de ver! Estas árvores fazem parte da nossa história! O progresso hoje é tudo por dinheiro! Lamentável! Parabéns as órgãos competentes pela permissão! Deus está vendo! Só por ele!”

“Mas parece que o nosso prefeito não se importa com memoriais… Pois desmatou todo o antigo Campo do Botafogo, coisa que para ele foi fácil… Cortar anos de uma história…”

“Gostaria que os órgãos ambientais se manifestassem, caso contrário teremos certeza como cortaram sem dó essa árvore. Nosso prefeito poderia se manifestar a respeito.”

“E não estava podre. É só olhar os cortes.”

“Realmente muito, muito triste, um crime ambiental diga-se de passagem.”

“Não consigo entender a secretaria do meio ambiente, não tem justificativa.”

“Onde está a fiscalização ambiental? Um crime mesmo!”

PREFEITURA

Na matéria do começo da semana, a Prefeitura enviou um esclarecimento ao Portal Martin Behrend sobre a justificativa para o corte:

“O corte do flamboyant foi autorizado pela Diretoria de Proteção Ambiental (DPA), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano.

Se trata de uma árvore exótica e dentro de uma área privada, que apresenta sinais de apodrecimento no seu tronco. No local, também serão realizadas obras.”

 

 

ARNO KAYSER

Ao ser informado pelo Portal Martin Behrend sobre o corte do flamboyant, o hamburguense Arno Kayser – agrônomo, ecologista e escritor – publicou o seguinte texto nas redes sociais:

 

“O Flamboyant da família Selbach

Soubemos que uma árvore referência na paisagem urbana de Novo Hamburgo teve seu corte autorizado pela Prefeitura para dar lugar a um prédio. Falo do Flamboyant existente em casa na Maurício Cardoso onde funcionava o restaurante Velho Maurício.

Plantada pelo Seu José e Carmen Selbach era um marco majestoso caindo como uma cascata de flores vermelhas sobre a rua. Uma das últimas dos jardins que a região ostentava no passado.

O argumento é que ela é exótica, velha e doente. Nós também somos exóticos, pois na maioria descendemos de europeus. Condenar a morte por ser velho ou doente não se justifica. Nossos idosos também são velhos e doentes e nem por isso se admite que sejam condenados a morte.

Uma árvore morre lentamente e pode mesmo doente, existir por anos.

Mas a moderna arquitetura parecer não valorizar esses elementos, herdados dos antepassados, no paisagismo atual. Seria perfeitamente possível usá-lo para valorizar a obra. Ainda mais que o terreno vai até a rua dos fundos. Parece que falta criatividade para isso. Ignorar árvores antigas parece ser um paradigma na evolução urbanística.

Em outras cidades temos árvores em frente a prédios novos herdados do jardim da antiga casa. O Flamboyant provavelmente vai ser substituído por uma palmeira igual aos condomínios de Miami. Só nos resta torcer que o Pau-Ferro existente no terreno não tenha esse destino. Ele é nativo e está saudável. Pela lógica aplicada para condenar o Flamboyant, deveria permanecer.”

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