A Escola Estadual Santo Afonso, em Novo Hamburgo, convive com uma sequência de dramas.
A situação angustiante começou antes da histórica enchente, seguiu com as águas de maio de 2024 deixando a escola submersa e permanece com uma recuperação dramática e surreal.
Atualmente, a escola tenta se recuperar e está repleta de equipamentos novos, mas que não estão sendo utilizados. Muitos deles se encontram parados numa sala acomodados nas caixas originais.
O motivo é a rede elétrica da escola, que só suporta o mínimo.
Se a impressora de uma sala é acionada, as luzes começam a piscar. Se os ares-condicionados são ligados, esquece o resto: a rede cai – e ainda queimam alguns aparelhos.
PAIS INDIGNADOS
O Portal Martin Behrend foi procurado por pais de estudantes da Escola Santo Afonso incomodados e indignados com a situação. A partir do relato repassado, a reportagem foi entender o que está ocorrendo na escola, que tem cerca de 390 estudantes.
No começo de 2024, a escola já estava apresentando problemas: a rede externa era trifásica e, na escola, ficava bifásica. A direção já havia solicitado para a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) a resolução dessa situação, que provocava oscilação e dificuldades.
Então, em maio de 2024, veio a maior catástrofe do Rio Grande do Sul. A força das águas da enchente deixou a escola submersa – num ponto, alcançou dois metros. O educandário ficou mais de um mês com água e barro. Um cenário desolador.
Após a água baixar, veio a limpeza, uma manutenção básica, pinturas e a retomada das atividades. Como a escola estava com poucos equipamentos neste recomeço, a rede de energia foi suportando. Contudo, com o passar dos meses, foram chegando doações, equipamentos, eletrodomésticos como geladeira, freezer, forno profissional e microondas, impressoras, computadores, entre outros materiais.
Com esse cenário de esperança, o que prosperou foi uma tremenda decepção. A rede não suportou a demanda. À medida que alguns itens foram acionados, a chave geral caía. Nesse vai e volta de energia, equipamentos queimaram. No verão deste ano, por exemplo, sem poder usar ventiladores e ar-condicionado, em alguns dias as aulas ocorreram apenas pela manhã em razão do calor extremo e da falta de climatização. A sala de informática tem seu funcionamento comprometido em razão da rede precária.
Atualmente, vários equipamentos novos estão parados e não podem ser utilizados. Estão guardados em suas caixas de origem. Entre eles, dezenas de computadores chromebooks.
ALIMENTAÇÃO
Além dos prejuízos nos estudos e no desenvolvimento das atividades curriculares, essa situação dramática impacta na alimentação. Isso porque, boa parte dos eletrodomésticos não funciona. Com isso, fica limitada a preparação de alimentos.
Alguns preparos ocorrem de forma enjambrada, mas muitas refeições são apenas com biscoitos e leite. No começo da semana ainda se faz alguma refeição com carnes, assim que ocorre a entrega pelo fornecedor, mas sem a refrigeração adequada, não é possível manter as carnes frescas para o restante da semana – não tem como acionar alguns eletrodomésticos para garantir o estoque.
LAUDOS
A Escola Santa Afonso já foi visitada por técnicos, que realizaram um laudo da infraestrutura disponibilizada. Posteriormente, foi apresentado um projeto de grande renovação da escola, que deverá receber investimentos em todas as áreas. Ou seja, tem um laudo técnico e um projeto indicando as melhorias que poderão ser realizadas.
Contudo, após estes dois movimentos, nada de concreto e prático se materializou. Os problemas persistem ou se agravam. Por exemplo: os boletins dos alunos foram impressos na Escola Estadual Ayrton Senna, a Rua Riveira, igualmente no Santo Afonso, já que, ao ligar a impressora da escola, as luzes começam a piscar em alguns setores.
É um drama para estudantes, professores e funcionários da escola. E ainda não tem prazo para essa realidade ser alterada.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
A reportagem do Portal Martin Behrend fez contato com a Secretaria Estadual da Educação. Foi enviado o seguinte posicionamento:
“A Santo Afonso é uma das 99 instituições de ensino que integram a PPP da Educação, a parceria público-privada que pretende transformar a realidade social de crianças, jovens e adultos, com a realização de reformas, adequações e requalificação estrutural.
O valor previsto do investimento por parte do parceiro privado nas 99 escolas será de R$ 1,3 bilhão, que inclui também os reinvestimentos que serão realizados ao longo dos 25 anos da concessão. A PPP não prevê qualquer tipo de intervenção pedagógica nas instituições de ensino.”

























