Novo Hamburgo voltou a sofrer com ruas alagadas, mesmo com cerca de 50% da chuva da enchente de 2024

Superado mais um episódio de chuvas fortes no Rio Grande do Sul, a cidade de Novo Hamburgo vai retomando sua rotina.

Mais uma vez, ocorreram episódios de alagamentos e inundações.


Ruas dos bairros Canudos, Santo Afonso e Lomba Grande ficaram submersas por três dias, impedindo o trânsito de veículos em alguns trechos. Outras situações pontuais de água acumulada, inclusive no Centro, também foram registradas, num roteiro que se repete. Desta vez, porém, sem desabrigados.

Essa nova situação reforça o quanto a cidade precisa seguir investindo em alternativas para reduzir os impactos de chuvas fortes. Limpeza de tubulação e bueiros, dragagem de arroios e córregos, bombas anfíbias e funcionamento correto da Casa de Bombas, entre outras medidas, são fundamentais nesse processo.

CHOVEU MENOS DO QUE 2024

O cenário de ruas alagadas preocupa pois, na comparação com as enchentes históricas de 2024, choveu cerca de 50% a menos.

Segundo a Defesa Civil de Novo Hamburgo, de 15 e 23 de junho, choveu 240 milímetros no município. Isso representa cerca de duas vezes mais que a média histórica para o mês. Desde o início do mês, foram 340 milímetros, sendo que a média histórica é de 125 milímetros. Já o Rio dos Sinos alcançou 6,81 metros neste ano.

Já nas enchentes de 2024, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), entre 26 de abril até 13 de maio de 2024, choveu em Novo Hamburgo 530 milímetros. Em relação ao Rio dos Sinos, no ano passado, ele se aproximou da marca de 10 metros em Novo Hamburgo.

Está comprovado que choveu bem menos do que 2024, que o Rio dos Sinos ficou cerca de três metros distante do nível alcançado, e mesmo assim alagamentos e inundações foram registrados em alguns bairros.

MEDIDAS

A Prefeitura de Novo Hamburgo vem anunciando algumas medidas para enfrentar estas situações com mais precisão e, ao mesmo tempo, criando mecanismos de proteção para algumas regiões.

Sensores

A Prefeitura assinou nesta segunda-feira (23) a prova de
conceito (POC) com a empresa Green Metrics, para a instalação de
equipamentos e sensores na estação de água bruta (EAB) da Comusa, em
Lomba Grande.

Durante
os 90 dias de testes, Novo Hamburgo contará com a
medição automática do Rio dos Sinos, bem como o volume de chuvas e um
sensor de alagamento. Essa é a segunda visita feita pelos técnicos da
empresa de Portugal no local, após avaliação técnica realizada em maio.

Neste
momento, foram instalados os equipamentos de medição da lâmina d’água e
de precipitação. “O terceiro sensor será um de alagamento. Estamos
esperando o nível do Rio baixar para fazer isso. Ele vai avisar a Defesa
Civil, em tempo real, quando a sonda estiver alagada”, comenta o
engenheiro civil da empresa portuguesa Antônio Andrade.

A automatização desse processo busca
somar esforços com o trabalho desempenhado pelos agentes da Defesa Civil
de Novo Hamburgo. “Desta forma, teremos dados mais assertivos e com
mais agilidade para proteger a população”, destaca o diretor da Defesa
Civil, Gilson do Amaral.

Minidiques

Uma reunião convocada pelo prefeito Gustavo Finck, na manhã de sábado (21), no Centro Administrativo Leopoldo Petry, alinhou as questões técnicas e legais para a instalação de bombas em dois minidiques no bairro Canudos.

A proposta visa a mitigar os efeitos das cheias, não apenas causadas pelas chuvas da última semana, mas também em eventos climáticos futuros. Regiões do bairro, como as vilas Kipling e Getúlio Vargas, que sofrem há anos com esse problema, receberão atenção do Poder Público. Este investimento deverá ocorrer como prioridade no atual governo.

Padronização de alertas

Uma falha da Prefeitura na última chuvarada foi trabalhar com duas medidas para alerta de cheia.

Para quem se informa na Comusa, o alerta de cheia indicado é 6 metros. Para quem se informa na Prefeitura, o alerta de cheia é 6,60 metros. Essas duas informações criam incertezas e abrem brechas para desinformação e Fake News. A padronização de um alerta é fundamental, até para a imprensa divulgar com mais precisão e impacto os alertas.

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