A onda de invasões de terras públicas e propriedades privadas segue em Novo Hamburgo. A impressão que se passa é de uma política de governo da Prefeitura em função da passividade em relação a esses crimes. Não bastasse a invasão em si, o que já é condenável e deveria ser combatido fortemente pelo Poder Executivo, temos crimes ambientais sendo praticados aos quilos.
A invasão mais recente ocorre numa das mais belas áreas do município: Alpes do Vale. Aliás, uma Área de Preservação Ambiental (APA Norte)
a poucos metros de um dos mais belos e fotografados pontos turísticos do município: o Santuário das Mães. Nem o intenso movimento de carros pelo local inibe a ação de invasores em pelos menos duas propriedades particulares. Dezenas de árvores estão tombando friamente. Crime ambiental sem qualquer reação da Secretaria do Meio Ambiente (Semam).
Fui alertado pelas invasões a partir do relato de frequentadores do Santuário das Mães e também de moradores da Roselândia. Ninguém quer aparecer por medo de represálias, mas o discurso é de indignação: se os moradores precisam podar uma árvore, a Semam faz uma série de exigências. E, caso não seja cumprido o ritual, ainda recebem multa. Só que no caso do Alpes do Vale
os invasores estão devastando uma Área de Preservação Ambiental e nada da secretaria interferir.
Além disso, o fato dos invasores agirem livremente gera outro tipo de inconformismo. Por que alguns cidadãos precisam pagar por 20 ou 30 anos por um pedaço de terra e outros invadem, devastam e, no final, ainda poderão ser considerados os donos do terreno? Detalhe: os invasores estão sempre bem vestidos, são proprietários de carros particulares – alguns modelos valiosos – e são exímios construtores de casebres. Não são famílias abandonadas ou desabrigadas; pelo contrário, são cidadãos esclarecidos e organizados que sabem o que estão fazendo. Caso parecido ocorre no bairro Roselândia, onde registrei uma invasão de área pública em duas reportagens: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=799 e http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=806.
Procurei os proprietários das áreas invadidas. Eles preferem não aparecer, mas confirmaram que ingressaram com ações no Judiciário para reintegração de pessoa e retirada dos invasores. Um dos responsáveis por parte da área invadida teria comunicado ao prefeito Luis Lauermann (PT) sobre a situação, mas não obteve alguma reação do chefe do Executivo.
Procurei a Prefeitura de Novo Hamburgo. Enviei e-mail para sete integrantes da equipe de comunicação solicitando esclarecimentos. Contudo, a Prefeitura preferiu se omitir
e não prestar
esclarecimentos à comunidade. Nem o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Antonio Bonato da Rosa, o secretário da Habitação, Beto Carabajal, ou o prefeito Luis Lauermann se manifestaram.

























