O sistema do estacionamento rotativo no Centro de Novo Hamburgo ficou tão estagnado no tempo que essa condição de atraso poderá ter um viés “positivo”.
Novo Hamburgo deverá pular do arcaico sistema de folhinhas de papel com preenchimento manual para um modelo praticamente 100% digital.
O estudo feito pela Companhia Municipal de Urbanismo (Comur), que administra a atual Faixa Nobre, não indica a colocação parquímetros. É tecnologia na veia – mas, calma, haverá ainda fiscais e até mesmo pagamento em dinheiro.
Aliás, a modernização inclui o sepultamento do nome de Faixa Nobre. A futura identificação será definida mais adiante.
A Comur vai apresentar, até o final deste mês de junho, sua sugestão de estacionamento para a prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt (PSDB). Nesse encontro já poderá ser batido o martelo para levar adiante o processo, ou virão sugestões para aprimorar o modelo.
REPORTAGEM
Nesta semana, a reportagem do Portal Martin Behrend esteve na Comur. No encontro, estiveram presentes o diretor da Comur, Maurício Saul, o advogado e ex-diretor Administrativo e Financeiro da Comur, Fábio Tomasiak, e a assessora da diretoria da Comur, Kelbe Nunes Gonçalves.
A reportagem do Portal Martin Behrend divulga abaixo uma relação de detalhes do novo sistema do estacionamento rotativo. O objetivo do sistema é fazer com que a região central da cidade ofereça vagas para quem precisa fazer compras ou realizar algum serviço. E inibir aqueles que se apossam de espaços privilegiados no Centro.
Há alguns anos, existe uma disputa de vontades: de um lado, comerciantes que cobram por mais vagas livres, inclusive criando estratégias para seus colaboradores não estacionarem nas proximidades; e, de outro lado, comerciantes e comerciários que acampam em vagas para ficar com o carro perto do local de trabalho, impedindo que clientes possam fazer uso do estacionamento ROTATIVO.
A direção da Comur vinha trabalhando nesse novo sistema desde a primeira gestão do governo Fátima Daudt. Contudo, duas situações impediram a implantação: as obras de modernização do Centro e a pandemia do novo coronavírus, com seus impactos no fechamento do comércio.
DESTAQUES DO SISTEMA
– A Comur tem a sua proposta de modelo. Ela será apresentada à prefeita ainda em junho.
– A Comur seguirá como gestora do estacionamento rotativo.
– A Comur visitou cidades como Parobé, Sapiranga, Caxias do Sul e Venâncio Aires, que trabalham no estacionamento rotativo com modelos digitais e também com parquímetros.
– O modelo da Comur não indica a colocação de parquímetros. Já existem cidades operando sem parquímetros, apenas com o digital. Um parquímetro tem custo de R$ 17 mil. Existe muito vandalismo e alto custo de manutenção dos equipamentos.
– Atualmente, são 16 fiscais trabalhando na Faixa Nobre de Novo Ha,burgo. Esse número deverá aumentar para cerca de 25. Os fiscais seguirão atendendo os motoristas e, principalmente, registrando com a ajuda de um celular as placas dos veículos. Esse registro será fundamental para o funcionamento do sistema. Os fiscais deverão estar equipados com o celular e com uma pequena impressora de papel – para compras em dinheiro.
– Um veículo em circulação poderá reforçar a fiscalização, com a leitura das placas podendo ser feita por câmeras especias acopladas ao carro.
– O motorista poderá pagar o estacionamento rotativo de diferentes formas:
a) O motorista acessa o aplicativo e compra os créditos para o tempo que imagina necessário para ocupar a vaga – até duas horas.
b) Colocar créditos no aplicativo do estacionamento rotativo. O motorista, por exemplo, coloca R$ 50,00 no aplicativo. Ele estaciona seu veículo. E vai para seu compromisso. O fiscal passa pelo veículo, registra a placa. Confirma que a placa está no sistema. Então, o fiscal aciona a cobrança de 30 minutos. O fiscal poderá repetir esse procedimento até 2 horas. E se o motorista chegar antes? O motorista entra no sistema e desativa a contagem de tempo. Ele pagará proporcionalmente.
c) O motorista poderá comprar créditos no comércio. Os estabelecimentos interessados poderão receber uma máquina, conectada ao sistema. Então, será possível comprar créditos direto em comércios.
d) Poderá comprar créditos com os fiscais. O pagamento, inicialmente, seguirá com dinheiro e moedas. A impressora portátil permitirá imprimir o comprovante.
e) Deverá ser criado um telefone 0800 para aquisição de créditos também por telefone.
– As vagas de estacionamento serão numeradas, com previsão de marcação numérica. O número atual de vagas no estacionamento rotativo é de 1930. E deve chegar a 1978.
– E os motoristas infratores, como ocorre a punição? O fiscal registrou a placa. Aquela placa será representada por um pontinho colorido no sistema. As cores vão mudando à medida que a “situação” do carro naquela vaga vai sendo alterada – tempo chegou ao limite, tempo na tolerância, tempo estourou. Esse mapinha de cores vai indicando a situação de cada veículo. Aqueles que estiverem ocupando vagas há mais tempo serão registrados pelos fiscais, que acionarão a Guarda Municipal, responsável pela aplicação das multas. A própria Guarda poderá acompanhar a situação dos carros a partir dos registros online. O sistema opera com GPS e Google Maps como ferramentas auxiliares. Para isso também é importante ter a marcação das vagas para comprovação do local onde está o veículo, além de fotos.
– Com o controle das placas, também será possível identificar se algum veículo estacionado está sem situação de roubo ou furto, já que o sistema do aplicativo estará conectado com a Guarda Municipal.
– O tempo máximo por vaga segue em duas horas.
– O tempo máximo de tolerância segue em 10 minutos.
– Motoristas de outros municípios poderão ter o aplicativo em seus telefones.
– Há praticamente duas décadas, o valor da Faixa Nobre é de R$ 1,00 por hora. A sugestão da Comur será R$ 2,00 por hora em cada vaga. Lembrando que, neste sistema, o motorista poderá pagar proporcionalmente ao tempo exato que usou.
– Além da compra do software/sistema, a Comur também terá de adquirir celulares para os fiscais, impressoras manuais e investir na infraestrutura da sede na Rua Júlio de Castilhos para poder carregar com energia os equipamentos.
– O modelo da Comur tem uma situação que ainda está indefinida: a criação de dois perímetros. Um, mais central, teria uma tarifa mais alta, já que as pessoas estacionaram em lugares mais concorridos; e teriam ruas fora desse perímetro com um segundo valor.
– O caminho para a implantação do novo estacionamento rotativo é: apresentação para a prefeita, aprovação do modelo, realização de Audiência Pública, publicação do edital de licitação, apuração da empresa vencedora e implantação do novo sistema. Se tudo correr sem sobressaltos, isso poderia ser finalizado até dezembro deste ano. Mas a Comur não trabalha com prazos definidos em razão das etapas que ainda precisam ser cumpridas.
