Ela foi uma das mais brilhantes educadoras com atuação em Novo Hamburgo.
Doutora em Pedagogia, escreveu três livros sobre educação e publicou mais de uma centena de artigos em jornais e revistas nacionais e estrangeiros. Foi diretora da Escola Oswaldo Cruz. Estudou nos Estados Unidos – de onde enviava artigos que foram publicados no jornal O 5 de Abril.
É uma biografia e tanto – confira abaixo mais detalhes.
Agora, o nome de Dalilla Clementina Sperb ficará eternizado num endereço histórico de Novo Hamburgo.
Nesta quarta-feira (5), a Câmara de Vereadores aprovou em segundo turno o nome do espaço onde se instalou, recentemente, a Secretaria Municipal da Cultura (Secult).
O imóvel histórico recuperado pela Prefeitura, localizado na Avenida Maurício Cardoso, em Hamburgo Velho, vai se chamar Casa de Cultura Dalilla Clementina Sperb.
A proposta do vereador Raizer Ferreira (PSDB) – aprovada por unanimidade – faz referência à educadora que passou parte de sua juventude no prédio enquanto aluna interna da Fundação Evangélica. “Dalilla foi a mais importante aluna do antigo lar. Com 54 anos de sua vida dedicados à educação, foi a primeira pessoa do estado a obter o título de doutora na área”, destacou o parlamentar, que na primeira votação, realizada na segunda-feira (3), apresentou um vídeo sobre a homenageada e sobre o imóvel, com depoimentos de historiadores, familiares e do secretário de Cultura, Ralfe Cardoso.
IMÓVEL
A homenagem para Dalilla Clementina Sperb ocorre após a revitalização de um imóvel de imenso valor histórico para o município.
A Prefeitura de Novo Hamburgo inaugurou, em dezembro do ano passado, as obras de restauração do prédio que durante muito tempo abrigou o Lar da Menina. O imóvel recebeu, em abril, a estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Cultura. A mudança integra um movimento para ampliar a gama de atividades e a circulação de pessoas no centro histórico da cidade.
Localizado na avenida Doutor Maurício Cardoso, 132, o prédio que hoje abriga a secretaria integra o Centro Histórico de Hamburgo Velho, tombado desde 2015 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As atividades no imóvel remontam a 1886, quando Jacob Kroeff vendeu a propriedade para a estruturação de um internato feminino, que daria início à Fundação Evangélica – Evangelisches Stift.
Nos anos 1950 e 1960, o local abrigou uma fábrica têxtil. Apenas na década seguinte o prédio se tornaria oficialmente o Lar da Menina. No final do século, um incêndio destruiu boa parte do imóvel, que permaneceu abandonado por anos.
Em 2008, o patrimônio foi tombado e adquirido pela Prefeitura. O processo de restauração teve início em 2013, no governo do ex-prefeito Luis Lauermann (PT). Um ano mais tarde, porém, a obra foi paralisada, sendo retomada apenas em abril de 2019.
As melhorias no prédio principal incluíram a colocação de esquadrias na fachada, revestimentos e pinturas internas, forros, reboco, instalações elétricas, hidráulicas e de ar-condicionado, bem como pavimentações internas e elevador. Também foi feita a conexão com o prédio anexo.
Ao todo, a edificação soma 1.070 metros quadrados. “Em 2020, com a restauração, a estrutura se tornou um importante ponto turístico, histórico e de preservação cultural da cidade”, destaca Raizer, que participou ativamente das melhorias enquanto secretário municipal de Obras Públicas..
Secretário municipal de Obras no início do processo de restauração, Enio Brizola (PT) elogiou a proposta do colega. “Fico feliz que o imóvel tenha recebido o nome de uma pessoa tão comprometida com a educação e com a cultura. Essa foi a primeira obra cujo início assinei enquanto secretário. Tínhamos um apreço muito grande por ela. Era a reconstrução de um prédio em ruínas. A obra infelizmente paralisou devido a uma divergência arquitetônica em sua fachada. Hoje, a cidade recebe um aparelho importante. Parabenizo pela proposição de um nome à altura de uma obra significativa e maravilhosa para Novo Hamburgo”, congratulou Brizola.
O vereador Felipe Kuhn Braun (PP) cumprimentou pela iniciativa e homenagem a um das principais educadoras que a cidade já teve. “Foi uma pioneira, diretora de escola, primeira doutora da área de Novo Hamburgo e quem sabe do Brasil”, reforçou.
TRAJETÓRIA DE DALILA SPERB
Natural de Montenegro, Dalilla nasceu em 16 de setembro de 1915. Sua história no magistério começou com a educação primária, quando inclusive foi convidada para ser orientadora junto à Delegacia de Ensino de São Leopoldo.
Formada em Licenciatura Plena pela Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), contribuiu para a reestruturação da Escola Oswaldo Cruz e para a fundação da Feevale, onde atuou como diretora da Faculdade de Educação entre 1972 e 1984. Também lecionou na PUCRS e nas universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e de Santa Maria (UFSM).
Durante sua trajetória, também estudou na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, o que motivou um convite para colaborar em curso instituído pela Unesco na Universidade de São Paulo (USP).
A educadora atuaria dois anos na capital paulista. Dalilla faleceu em 15 de agosto de 2005, perto de completar seu 90º aniversário.
Dalilla Clementina Sperb também empresta seu nome para uma rua em Novo Hamburgo.
