A fraude do Orçamento Participativo em Novo Hamburgo tem uma
“virtude”: ela é democrática. Engana crianças, jovens adultos, idosos, homens e
mulheres, cristãos e ateus. O embuste é plural. As mais recentes vítimas que o
Portal Martin Behrend teve conhecimento são os alunos da Apae-NH (Escola
Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Novo Hamburgo). Incluída na
Matriz Orçamentária do OP em 2015 no valor de R$ 100.000,00, a chegada da van
ainda é uma incógnita.
Na quarta-feira, a diretoria da Apae esteve na Câmara de
Vereadores para falar de suas atividades. O convite foi feito pelo vereador
Raul Cassel (PMDB). Coube à presidente Mariscelis Kirsten fazer o desabafo. “Prefeito
Luis Lauermann, seguimos esperando a nossa van conquistada com a participação
de dezenas de hamburguenses que escolheram essa demanda”, falou. “Foi uma
mobilização muito grande e a van é fundamental pra gente poder atender nossos
alunos”, completou.
O vereador Fufa Azevedo (PT), falando em nome do governo
Lauermann, se colocou à disposição para buscar informações sobre os motivos da
van ainda não ter sido entregue e lembrou que ele ajudou em outro episódio em
que a mesma Apae havia conquistado um veículo e ele não estava sendo entregue.
De parte da oposição, a vereadora Patrícia Beck (PPS) fez uma indicação para
que o município use parte do valor arrecadado em leilão de bens inservíveis –
R$ 422 mil – para finalmente viabilizar essa conquista do OP.
Autor do convite para a entidade, Raul Cassel
lamentou o fato tendo em vista que houve a votação via Orçamento Participativo,
mas a van ainda não foi entregue. Issur Koch (PP) disse que o OP não trata
a informação de forma correta e ilude as pessoas. “Essa van é para transportar
alunos e garantir melhor qualidade no transporte. É inaceitável que essa
mobilização da comunidade seja tratada dessa forma”, protestou.
A presidente, Mariscelis Kirsten, explicou que as escolas
recebem verbas federais, enquanto as clínicas são mantidas por meio de
eventos mensais: “A nossa Apae vive de muita parceria com a
comunidade”, disse. Segundo ela, são mais de 200 alunos na escola,
sendo que 100 são buscados em casa, e os gastos chegam a R$ 80 mil por
mês. Os custos com motorista, combustível e manutenção da van são bancados
pela Apae.
