Na Alemanha, ônibus circula sem motorista. Em Novo Hamburgo, vereador quer vedar motorista de ser cobrador

O abismo entre as nações desenvolvidas e o Brasil só
cresce. A cada dia, é um 7 a 1. O populismo em busca de agradar uma minoria
organizada – normalmente, sindicatos – é um dos maiores problemas da nação. Ao invés de se lutar por mais
inovação, pesquisa e tecnologia, determinadas ações deixam claro: se for
possível, mandem queimar os tratores da agricultura, e os trabalhadores do campo
deverão usar enxada, pá, machado e chapéu de palha.

Um
caso atual: na semana passada, na Alemanha, um ônibus sem motorista circulou
oficialmente ao deixar seus primeiros passageiros em Bad Birnach, no estado da
Baviera. O ônibus EZ10 tem seis lugares sentados e seis para passageiros
de pé. O passeio é gratuito. É a primeira vez que um ônibus de direção autônoma
é incorporado ao sistema de transporte público na Alemanha.

Ele está equipado com sensores que podem detectar obstáculos e ativar os
freios. O miniônibus pode chegar a uma velocidade de 40 km/h. Mas o
veículo ainda não é capaz de contornar obstáculos por conta própria. Em caso de
um carro estacionado em local errado ao longo do percurso, um
motorista humano pode assumir o controle do veículo usando um joystick. Em breve, novos ônibus serão gradativamente incorporados à frota.



Enquanto na Alemanha a tecnologia de ônibus sem motorista está sendo colocada em
prática nas cidades, o que está ocorrendo em Novo Hamburgo? Projeto de lei de autoria do vereador Nor Boeno (PT), que veda a atribuição de funções de cobrança de passagens aos motoristas de ônibus – dupla função – está tramitando no Legislativo. Se aprovado, a dupla função fica proibida
para todos os modelos de veículos: ônibus convencionais ou micro-ônibus, com
uma ou duas portas, de qualquer tipo de linha. No projeto original – teve um substitutivo -, as
empresas manterão em cada veículo um profissional qualificado para exercer as
funções de cobrança de passagem, controle de bilhetagem eletrônica e liberação
de catraca.

A defesa do projeto pelo
vereador é surreal: “Se existe a proibição para o uso de celular pelos
motoristas, sob o fundamento de que esta atividade lhes retira a atenção para
dirigir, atribuir ao motorista a função de cobrança de passagens é tão
prejudicial quanto o uso de celular na direção, pois as duas atividades retiram
a atenção para dirigir”, enfatizou. “Essa dupla função traz muito mais
problemas de saúde para os motoristas, devido ao estresse, à tensão nervosa e à
responsabilidade pela prestação de contas”, completou.

Mas na Alemanha os motoristas
cobram dos passageiros há mais de 25 anos! Não existe cobrador na Alemanha – e em outros vários países há décadas! E, agora, não tem mais nem motorista! Como um vereador cria um projeto sem
qualquer responsabilidade e ainda com informações desatualizadas? É lamentável. É muita irresponsabilidade com o desenvolvimento e atualização do município. Só falta o vereador dizer que a Alemanha não serve como referência de país atualizado.

São casos como esses, que se
repetem semanalmente, que mostram que o Brasil está fadado ao atraso. Ao invés
de vislumbrarmos os exemplos das nações desenvolvidas, ficamos agarrados à práticas
do século passado. Queimem os tratores! Voltem as enxadas! Afinal, os tratores
tiram emprego do campo.

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