Humor? Estímulo à violência contra a mulher? Falha na estratégia de comunicação?
Um vídeo publicado por uma revenda de veículos de Novo Hamburgo está provocando polêmica com alcance nacional.
MULHERES
Nesta semana, as mulheres gaúchas estão em evidência por vários motivos. E existem duas situações pontuais a serem destacadas: domingo, 8 de março, foi o Dia Internacional da Mulher, e o Rio Grande do Sul vivencia um período triste e complexo, com 21 feminicídios registrados em pouco mais de dois meses de 2026, além de milhares de casos de agressão.
Várias campanhas estão em andamento a fim de impedir que mais mulheres sejam agredidas ou morram apenas por serem mulheres – que é exatamente o que caracteriza um feminicídio.
Foi exatamente neste contexto que um vídeo publicado no perfil do Instagram de uma tradicional revenda de veículos de Novo Hamburgo gerou muitas manifestações de revolta e indignação. O vídeo foi publicado pela Bolezina Veículos, com sede na lateral da BR-116, em Novo Hamburgo.
Nesta quinta-feira (12), o vídeo não aparece mais no perfil da revenda.
O VÍDEO
O Portal Martin Behrend recebeu o vídeo e descreve abaixo a cena:
Uma atendente da revenda está conversando com um homem no balcão. O homem pergunta para a mulher:
– Pode servir um pouquinho de café pro meu cliente?
Então, a moça, que está com a jarra de café, coloca o líquido na xícara.
O homem volta a falar:
– Tu pode servir um pouquinho mais?
A moça atende o pedido e coloca mais líquido na xícara, que transborda.
Então, o homem pergunta:
– Eu posso tocar em você?
A mulher acena com a cabeça que sim.
Então, o homem desfere um tapa no rosto da atendente com a mão esquerda, e ela vira violentamente a face em razão do impacto da agressão.
REPERCUSSÃO
O Portal Martin Behrend recebeu várias denúncias sobre o vídeo. Inclusive, de advogados e advogadas, e integrantes das forças de segurança pública que atuam no combate à violência. “Isso é incitação à violência. Precisa ser denunciado”. “Meu Deus, que horror!” “O ideal é denunciar na própria postagem”. “Pelo amor de Deus, que vídeo é esse. Sem noção”. “É um absurdo”.
Uma advogada que atua na área criminal publicou uma postagem no seu perfil:

Foi repassada a informação ao Portal Martin Behrend que, além das denúncias ao Instagram, o vídeo também foi denunciado ao Ministério Público.
POV
O vídeo em questão, que não está mais no ar no perfi da revenda, traz o seguinte título: “POV: A comunicação da equipe está em dia.”
De acordo com o site da escola de inglês CNA, “POV é um conteúdo das redes sociais que se refere ao ponto de vista de alguém sobre uma situação engraçada, romântica, triste etc.
O “point of view” (ponto de vista em inglês) é um vídeo ou imagem feito para expressar como você se sentiria vendo uma pessoa específica, objeto ou lugar. Parece que os nossos olhos são a própria câmera, dando a sensação de imersão.
Se engana quem pensa que vídeos de POV são apenas aqueles engraçados. Há todo um universo de sentimentos abordados, que podem ir do cômico, passando pelo tragicômico até o melancólico.”
A reportagem do Portal Martin Behrend apurou que, em redes sociais como o TikTok e no Instagram, existem vídeos identificados como POV onde a simulação de agressões entre homens e mulheres está presente em tom de brincadeira.
GUILHERME PALLESI
O vídeo foi criticado, nesta quinta-feira, pelo jornalista e apresentador da Rede TV, Guilherme Pallesi. Ele tem mais de um milhão de seguidores no Instagram e o vídeo já foi assistido por mais de 236 mil pessoas em poucas horas.
A manifestação dele pode ser conferida aqui: https://www.instagram.com/reels/DVyUh4PjXNO/ .
REVENDA
A reportagem do Portal Martin Behrend fez contato com o diretor da empresa, Carlos Bolezina. Na sua manifestação via WhatsApp, ele optou por questionar o trabalho do Portal e do editor do Portal.
Foi novamente oferecido espaço para esclarecimentos sobre a repercussão do caso. Foram enviados os seguintes questionamentos: esclarecer o objetivo do vídeo, por qual razão ele foi publicado perto do Dia da Mulher, por qual razão ele foi retirado do ar e se a empresa tem conhecimento dos casos de feminicídios e agressões que vive o RS.
























