Motoristas do Uber denunciam agressões. Taxistas pedem ação da Prefeitura. Governo Fatima ainda não decidiu o que fazer

O clima entre motoristas de Uber e alguns taxistas de Novo
Hamburgo não anda muito amigável.
Desde a chegada do aplicativo de transporte
individual ao município, em outubro de 2016, o estranhamento passou a ser uma realidade. Um grupo
de dez motoristas do Uber se reuniu com o Portal Martin Behrend para denunciar
intimidações, agressões verbais e físicas.
Inclusive, com registros de Boletins
de Ocorrência (BO). Foram cerca de dez registros. Os relatos envolvem alguns
motoristas de táxi de Novo Hamburgo – não é toda categoria.

O presidente da Associação dos Taxistas de Novo Hamburgo,
João Vargas, diz que esse impasse não se resolve violência e condena qualquer
tipo de agressão.
Já a Prefeitura de Novo Hamburgo divulgou nota publicada no
final da matéria.
Além do Uber, outro aplicativo de transporte individual
passou a contar com motoristas no município a partir deste mês. É o YetGo –
yetgo.com.br.

Conforme os dez motoristas de Uber – que estavam
representando 36 profissionais que se utilizam do aplicativo – as intimidações
também envolvem os passageiros. “Já teve chute na lateria e pedra arremessada
contra o carro”, relata um motorista. “Eu fui seguido por um táxi durante duas corridas.
Ele ficou me monitorando. Também sabemos que as placas dos nossos carros são
filmadas e fotografadas”, relata outro hamburguense. O grupo apresentou BOs, explicando
que estão fazendo via internet em função da demora em registrar na Central de
Polícia. Os locais onde há maior atrito entre taxistas e Uber são os pontos da Estação Novo Hamburgo do Trensurb, Bourbon Shopping, e as duas estações rodoviárias – no bairro Rio Branco e bairro Ideal.

Há alguns dias, uma
motorista de Uber pegou uma passageira na Estação Novo Hamburgo. Após andarem
alguns metros, o vidro do banco traseiro foi atingido por uma pedra deixando um
rombo e o prejuízo. A passageira Patrícia Santos, de Canoas, conta o susto. “Estava
em Novo Hamburgo para visitar uma amiga. Chamei o Uber. Eu costumo sentar
atrás, mas a motorista me convidou a ficar na frente em função dos riscos. Ao
andar, vimos dois taxistas mexendo em restos de obras. E, em seguida, o estouro
com uma pedra. Registrei BO. Se estive sentada atrás, poderia estar num
hospital agora”, conta. “Os taxistas negaram a ação, mas teve mais gente que
viu. Quem mais ia querer tocar uma pedra num carro de Uber? Não era para
roubar, nem assaltar”, conta. “E eles ainda debocharam do nervosismo da
motorista”, finaliza Patrícia, que se diz fã do Uber.

Os motoristas de Uber se amparam na legislação federal e
também em cidades onde o aplicativo está funcionando normalmente. “Queremos
trabalhar. Só isso. Agora, o que dá o direito de alguém nos atacar dessa forma?”,
questionam. “Não precisamos ter sangue para que sejam tomadas providências”,
desabafam. Eles também avaliam que há espaço para Uber e táxi, e quem muitos
passageiros do Uber, na verdade, estão deixando de circular de ônibus.
“Para
duas ou três pessoas, vale mais a pena pegar o Uber do que esperar por ônibus.
Estamos vendo esse perfil de público nos procurando”, detalham

Procurado pela reportagem do Portal Martin Behrend, o
presidente da Associação dos Taxistas de Novo Hamburgo, João Vargas, começa
registrando não ter conhecimento de agressões e afirma que não há orientação da
entidade para qualquer tipo de intimidação.
“O que precisamos é de regras e fiscalização.
Se eu pegar um ônibus ou uma Kombi particular para sair transportando as
pessoas pela cidade com valor mais baixo que os ônibus vou ser multado por
transporte irregular ou ilegal. Então, isso precisa valer para o Uber, pois nós
estamos devidamente legalizados”, destaca. Ele avalia que na base da violência
não se resolve nada, mas acredita que está havendo uma competição injusta. “Eles
não usam apenas o aplicativo. Eles ficam parados em pontos estratégicos, como
eventos ou festas, disputando espaços com taxistas. Isso não está certo”,
comenta, acrescentando que a Prefeitura precisa se posicionar.

Na semana passada, a Prefeitura de Novo Hamburgo enviou
esclarecimento sobre o assunto.

“A prefeita Fatima Daudt determinou, nesta quarta-feira, 11,
que a Procuradoria-Geral do Município faça um amplo estudo jurídico sobre táxis
e aplicativos de transporte individual. Após, com base neste estudo jurídico e
legal, irá construir, em conjunto com todos os envolvidos, uma solução que
contemple a melhor alternativa ao interesse público. Em relação aos relatos de
agressões entre motoristas, a prefeitura repudia qualquer ato de violência como
solução para os problemas.”

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