Férias, hora de descansar! Certo?! Depende.
Se for o caso de Mirleide Born Zamarian, 34 anos, carinhosamente chamada de Mili, férias é uma ótima oportunidade para experimentar novas emoções e muitas pedaladas.
Moradora de Novo Hamburgo e servidora municipal concursada, Mili está realizando uma aventura pela América do Sul ao lado do parceiro Lucas Fernando Leal Baum, 36 anos, e do cachorro do casal, Leônidas Espartano, mais conhecido como Léo, de 7 anos.
Engenheira química da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam), Mili reuniu um período maior de férias a que tem direito para vivenciar uma experiência única: pedalar do Parque Aconcágua, na Argentina, onde está a montanha mais alta do planeta fora da Ásia, até Porto Alegre, com passagem pelo Uruguai.
Serão três países nesse roteiro, que deve representar quase três mil quilômetros por diferentes e inusitadas paisagens. Mili e Lucas vão pedalando nas suas bicicletas, e o Leo vai devidamente acomodado numa caixa que fica na garupa da bike de Lucas.
DUAS ETAPAS
Esta aventura pode ser dividida em duas etapas. No deslocamento até a Argentina, eles foram no carro de Lucas juntamente com um amigo, o Thomas, que tem bastante experiência com montanhismo. “Fomos para o Parque Cordón del Plata, onde tem várias montanhas da Cordilheira dos Andes. Lá, fizemos várias trilhas, chegamos até o Acampamento La Hoyada, que fica a 4760 metros de altitude”, conta Mili.
Segundo ela, o grupo não subiu mais porque estava tendo uma nevasca e a camada de neve no chão estava bem grossa. “Foi uma experiência muito legal, porque eu nunca tinha visto neve. Brincamos um pouco e fizemos até boneco de neve. Também pegamos neve no acampamento mais alto que ficamos, que era em uma altitude de 4300 metros. Acordamos com uma camada de neve de uns três dedos em cima da barraca”, relata.
Depois das trilhas no parque Cordón del Plata, Thomas deixou o trio em frente ao Parque do Aconcágua, a montanha mais alta das Américas, onde teve início a cicloviagem de retorno ao Brasil. Thomas retornou com o carro para o Estado e eles pretendem passar ainda por Córdoba e pelo Uruguai até voltar ao Rio Grande do Sul. “Mas nada é muito certo, porque ao longo da viagem podemos mudar algum plano. Em Potrerillos, nós quase alteramos a rota e fomos em direção ao sul da Argentina, para Bariloche, junto com outro casal cicloviajante que conhecemos. Mas o caminho ficaria muito longo e nos distanciaríamos de casa”, explica.
Nesta sexta-feira (27), durante a troca de mensagens para a reportagem, eles estavam na cidade de Godoy Cruz, próximo de Mendoza, a caminho da cidade de San Luiz.
BICICLETAS E O LÉO
As bicicletas que eles estão usando são as mesmas que pedalam quando estão em casa. “As bicicletas são nossas. Fizemos adaptações para poder carregar várias bagagens, o nosso violão e o nosso cachorro. Levamos as bicicletas em um rack no teto do carro do tipo ventosa. Compramos especialmente para a viagem”, explica a servidora municipal.
E o Leo, como se sente nesta grande aventura? Bem comportado, ele viaja tranquilo na carona de Lucas. “O Lucas já havia viajado com o Léo de bicicleta do Rio de Janeiro até o Rio Grande do sul, e fazemos outras trilhas com ele também. O Léo já subiu conosco o Pico Paraná, que é o mais alto do sul do Brasil”, conta Mili.
A jornada do casal e do cachorro ainda reserva muitos quilômetros pela frente. Serão, pelo menos, dois meses de aventura. A previsão é chegar em Porto Alegre até o final de março. “O mais incrível da estrada não são apenas as paisagens, que são lindas, mas, principalmente, as pessoas. Conhecemos muita gente: outros viajantes, alguns também de bicicleta como nós, muitos curiosos e tem também aqueles que param para nos ajudar. Tem muita gente boa no mundo, e isso nos faz acreditar na humanidade”, destaca Mili.
Então, boas pedaladas e até daqui a algumas semanas. A turma da Semam já está com saudades.
