Em razão do despejo do Botafogo Futebol Clube, de Novo Hamburgo, com imediata demolição de sua sede pelo governo do prefeito Gustavo Finck (PP), o leitor Jeferson Romanini escreveu um artigo ao Portal Martin Behrend.
O Botafogo tem mais de 70 anos de história e estava com sua sede no Jardim Mauá há 35 anos.
Confira abaixo o artigo.
Imagine você qual seria a reação de um morador de Dois Irmãos ao escutar a seguinte frase: “A Prefeitura destruiu a sede do Vila Rosa”.
Ou se um morador de Ivoti ouvisse: “O prefeito mandou botar abaixo a sede do Sport Club Ivoti”.
Saindo do futebol, imagine a perplexidade de um morador de Campo Bom ao ver um de seus CTGs — símbolos de tanto orgulho — ser posto abaixo pela Prefeitura.
Pois foi exatamente esse o sentimento em Novo Hamburgo ao saberem o destino da sede do Botafogo.
E o que essas entidades comunitárias, clubes de bairro e espaços de convivência têm em comum?
Todos nascem a partir dos mesmos sonhos, afinidades e ideais. Esse sonho ganha vida, cresce e passa a dar retorno à sociedade: formam-se cidadãos, moldam o caráter, afirmam-se personalidades e deixam marcas.
Derrubar a sede do Botafogo não é apenas destruir um sonho; é perder um espaço de convivência. Do futebol aos finais de semana ao churrasco entre famílias; das festas de aniversário ao amigo secreto das pequenas empresas; da confraternização dos times que encerravam o ano com um jantar baile e a certeza de que mais um ciclo foi vencido.
Foi ao chão o local que abrigou quase 30 pessoas durante as enchentes de 2025; o lugar onde a comunidade abraçou campanhas de arrecadação para o Hospital Geral, sem contar as inúmeras festas para as crianças do bairro e arredores.
Mas onde está o contraditório?
O contraditório reside no fato de um município que não cuida de suas praças demolir a sede de um clube comunitário — que tanto fez pela cidade — justamente para criar… uma praça. É a mesma gestão que não faz a manutenção das tabelas de basquete do Parcão, não cuida da iluminação pública e sequer recolhe o entulho descartado irregularmente na rua em frente ao próprio Botafogo.
Contraditório é saber que, vizinho ao terreno do clube, o prédio do Hospital da Visão segue fechado há quase uma década. Os abnegados do Lions tentam, ano após ano, reabrir esse espaço de saúde para a comunidade, mas sempre esbarram em alguma limitação ou burocracia. Enquanto isso, a prioridade da Prefeitura é construir mais uma praça, que corre o risco de ficar tomada pelo mato e sem manutenção.
Contraditório, por fim, é perceber que quem deveria cuidar, zelar e apoiar os sonhos e conquistas da comunidade é justamente quem escolhe “colocar abaixo” um clube com mais de 70 anos de história.
Jeferson Romanini
Morador do bairro Jardim Mauá
